24.2.20

Um barril de pólvora chamado Brasil


É possível dizer-se, com certeza, que a democracia não seguirá no mesmo rumo do Brasil até 2022. As circunstâncias deste divórcio, contudo, ainda são nebulosas. A pergunta é quem dará o golpe primeiro: os liberais, retirando Bolsonaro e colocando um dócil Mourão na presidência, com carta branca para Paulo Guedes seguir com o neoliberalismo? Será a esquerda, capitaneando a pobreza e descontentamento das massas, como ocorreu recentemente em outras partes da América Latina? Ou será o próprio Bolsonaro, apoiado pela ala fascista que infesta hoje todos os cargos altos na administração pública?


Esta semana um policial civil agrediu e rendeu uma prefeita e seus assessores na saída de um shopping center em São Paulo. Gritando palavras de ordem fascistas “contra a corrupção”, o policial emulava os mesmos comportamentos de Moro, Bretas, Witzel, Major Olímpio e até mesmo da outra soldado da PM que se elegeu matando um criminoso na frente de uma escola. Todos, absolutamente todos, usaram os poderes de Estado de que eram parte de forma política, e ampliaram o discurso de ódio para elegerem-se. Afinal, deve ter pensado o policial civil quando viu o carro da prefeita, “é agora que eu si consagro e viro senador”.

Enquanto escrevo estas linhas, o senador Cid Gomes (irmão do presidenciável Ciro Gomes) é baleado em situação estranha, no meio de uma greve de policiais, envolvendo além da arma que lhe acertou o peito duas vezes, uma retroescavadeira. Um senador, uma retroescavadeira e dois tiros no peito não são elementos facilmente encontrados juntos nas páginas de algum jornal. O ministro de Bolsonaro, Moro, acionou também nesta semana, a Lei de Segurança Nacional (que havia sido reutilizada pelo ex-secretário de segurança pública de São Paulo e atual ministro do STF ainda durante o governo Temer para provocar um factoide de uma “célula terrorista” descoberta no Brasil) contra Lula. Nada novo para o ex-presidente e nada novo no comportamento desonesto e mesquinho do ex-juiz.

No mesmo caótico cenário o presidente segue seu comportamento ofensivo e agressivo contra a imprensa, ofendendo de forma misógina a jornalista que trouxe à tona o esquema de corrupção que envolveu sua eleição. Embora o ataque desta semana em nada difira do histórico do fascista-presidente, a grande imprensa agora chama o ato de “inaceitável”. Partidos de oposição pedem a cassação do senador filho-do-presidente por inúmeros crimes e ligações com as milícias do RJ. Este filho e outro estão também envolvidos em escândalos de corrupção e manipulação fraudulenta das eleições apurados pela CPI das “Fake News”, e ainda existe a queima do arquivo-agora-morto chamado Adriano da Nóbrega.

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