“Não podemos confiar no fato de que, por sermos um país
pacífico ninguém vai nos atacar” - Celso Amorim (Carta Capital, 19/02/2026)
Maior país da América do Sul, com território de 8.510 km²,
partilhando fronteira com dez países, quinta maior população do mundo (215
milhões de habitantes), 80% urbana, 50% metropolitana, uma costa de 7.401 km
(8.500 km se considerarmos as baías e suas reentrâncias), décima economia do
planeta, o Brasil é, no entanto, incapaz de se proteger da cobiça
internacional.
Em um mundo em guerra, apresenta-se indefeso, apesar de sua
posição estratégica no hemisfério. Indefeso quando é a maior costa do Atlântico
Sul, largo corredor de rotas comerciais que levam ao continente africano. Somos país e
território militarmente indefeso, apesar de sermos um dos maiores produtores de
alimentos de um mundo que conhece a fome. Ainda indefeso apesar da posse de
recursos minerais estratégicos, entre os quais a segunda ou terceira reserva
mundial de terras raras, cobiçada por todas as potências guerreiras, a começar,
evidentemente, pelos EUA. Chama-se “terras raras” o conjunto de 17 elementos
químicos, base de toda a moderna tecnologia, inclusive militar; delas carecem
desde reatores de submarinos nucleares a baterias para veículos elétricos.