11.12.19

Oposição tática, pensamento 2 (Por Fernando Neto)



Esqueçam Damares e aleatórios como prioridade de agenda, esses personagens além de insignificantes no processo político servem para turvar a vista e mudar o foco opositor, devem ser combatidos, porém, dois pontos deste governo precisam receber nossa prioridade e atenção, a política econômica de Paulo Guedes e a agenda internacional de Ernesto Araújo. São o foco de desestabilização do trabalhador, da economia nacional, ferramenta de desconstrução da nossa rede de proteção social e instrumento de instabilidade política e econômica em nosso continente, por vezes à serviço de interesses ocultos e outras por pura incompetência. De frente estes são os pilares que precisamos atacar, alinhar o discurso e narrativa com ações concretas parlamentares, partidárias, nas camadas sociais, na agenda interna do campo diplomático, acadêmico, faculdades, universidades, redes sociais e no diálogo com o trabalhador brasileiro.


Paulo Guedes vem imprimindo uma agenda econômica agressiva aliado ao mercado capital e especulativo, refém de investidores e especuladores utiliza a caneta para atingir objetivos tenebrosos sem olhar o médio, longo prazo e principalmente o povo brasileiro. A redução dos juros Selic seria um presente ao país, se, com ele não viessem distorções que impedem fechar a conta, este é um dos pontos que precisamos estudar e atacar, a política de redução de juros, o corte nos juros do cheque especial, nada tem auxiliado na redução da inflação, do desemprego ou para o equilíbrio do cambio, existe sinais de ocultismo do governo na contabilidade pública, algo não fecha na cesta de bondades e por isso precisamos entender as causas e efeitos deste ocaso. Além do óbvio, o reflexo das reformas da previdência e trabalhista, o impacto desastroso que poderá vir da reforma administrativa e a frágil proposta de reforma tributária que atingem Estados/Municípios, trabalhadores, micro e pequenas empresas e a classe média, não toca as grandes fortunas muito menos equaliza a relação tributária com o mercado capital e de rendimentos com prioridades de desenvolvimento econômico e social ou distribuição de renda, o que poderia ser conserto se tornará caos tributário.

Ainda sobre Guedes algo chama mais atenção, a sana pelas ações do BNDES precisa alertar a todos, pode ser o passe de sua passagem pelo Governo. A decisão do Estado, gerido por ele e Bolsonaro, decide obrigar ao BNDES vender suas ações acordadas em contratos de financiamento (contra partida do Estado para grandes contratos de risco), ações que o BNDES somente lucra e não traz nenhum prejuízo ao Estado, podem deixar de figurar entre os dividendos e rendimentos acumulados pelo banco, vendidos certamente neste momento de desvalorização de mercado interno com evasão de dinheiro estrangeiro da bolsa de valores. Alguém certamente ganhará fortunas com informações que manipulam variações da bolsa e do câmbio. De certa forma, Donald Trump está certo, a desvalorização da moeda brasileira segue algum curso de interesse de mercado, o que não comungaria neste cenário com a redução da taxa de juros Selic, se não para algum ganho específico, alertemos.

Por: Fernando Neto.

Ex Secretário de Estado, GDF.

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