Dimas Roque: Tá na internet: Brasil procurando sarna pra se coçar

20.8.19

Tá na internet: Brasil procurando sarna pra se coçar


Pressão por declarar Hezbollah grupo terrorista opõe militares e núcleo olavista.

Agentes de inteligência afirmam que, se ceder à pressão dos EUA, o Brasil criará inimigos que hoje não existem no país.

Autoridades estudam as opções para avançar a ideia, que está sendo discutida no alto escalão, mas não é consenso dentro do governo.

Em meio a um maior alinhamento com os EUA na política externa, o governo do presidente Jair Bolsonaro avalia rotular como terrorista o grupo libanês Hezbollah.
Autoridades estudam as opções para avançar a ideia, que está sendo discutida no alto escalão, mas não é consenso dentro do governo, segundo três pessoas com conhecimento direto do assunto. Não seria uma decisão de fácil implementação devido a particularidades da legislação brasileira, disseram as fontes, que pediram anonimato porque a discussão não é pública.

A ideia faz parte das manobras de Bolsonaro para fortalecer os laços com o presidente norte-americano Donald Trump, com quem ele também busca um acordo comercial. A proposta também se encaixa na visão de mundo de Bolsonaro e de seu círculo mais próximo. Ainda na campanha presidencial do ano passado, seu filho Eduardo, que pode se tornar embaixador brasileiro em Washington, defendeu posição mais firme contra o Hezbollah e o Hamas.

No entanto, a medida poderia prejudicar as relações com o Irã, aliado do Hezbollah que importa US$ 2,5 bilhões em produtos brasileiros por ano, e desagradar a influente comunidade libanesa do Brasil. O governo também teme que essa atitude coloque o país na mira de retaliações, segundo uma dessas pessoas. Uma decisão pode ser anunciada antes da visita de Bolsonaro em outubro aos Emirados Árabes Unidos e à Arábia Saudita, dois países fortemente opostos ao Hezbollah.

Contatado pela Bloomberg, o Ministério das Relações Exteriores respondeu que não considera o Hezbollah uma organização terrorista nem planeja mudar seu status por enquanto. A Presidência da República, o Ministério da Justiça e a Polícia Federal, responsáveis pela aplicação das leis antiterrorismo, não quiseram comentar.

Atualmente, o Brasil considera terroristas apenas os grupos já rotulados desta maneira pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo Al-Qaeda e o Estado Islâmico. O País pode barrar a entrada, prender e congelar ativos de suspeitos de integrar essas organizações.

Contatado pela Bloomberg, o Ministério das Relações Exteriores respondeu que não considera o Hezbollah uma organização terrorista nem planeja mudar seu status por enquanto. A Presidência da República, o Ministério da Justiça e a Polícia Federal, responsáveis pela aplicação das leis antiterrorismo, não quiseram comentar.

Atualmente, o Brasil considera terroristas apenas os grupos já rotulados desta maneira pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo Al-Qaeda e o Estado Islâmico. O País pode barrar a entrada, prender e congelar ativos de suspeitos de integrar essas organizações.

O Hezbollah — que significa partido de Deus em árabe — é ao mesmo tempo uma resistência Militar, um partido político e uma organização social com participação no governo libanês e considerável poder geopolítico. É considerado terrorista pelos EUA e a Arábia Saudita.

A Alemanha considera terrorista a ala militar do Hezbollah, mas não dá a mesma designação a seus braços políticos e sociais. Rússia e China não consideram o Hezbollah um grupo terrorista.

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