23.9.17

Estão brincando de Ditadura. (Miriam M. Morais)


O Ministério Público Federal disse que intervenção militar é crime inafiançável. Ou seja, já estão ameaçando os militares de prisão.

Tá. Vão mandar o Japonês da PF ou algum hipster pra dar voz de prisão aos generais?

Já que a coisa está cada vez mais quente e não adianta fingir que não estamos vendo, vai aí a diferença dos termos:

DITADURA: Militares assumem o governo.

INTERVENÇÃO MILITAR: Quando as forças militares são convocadas para atuar, como recentemente na crise da segurança pública do Rio de Janeiro.

"Aaaahhhh... Mas você acredita que eles vão interferir a nosso favor?"

Não acredito em nada, não sou mãe dinah pra adivinhar futuro, mas não vou sair por aí fazendo bravata como muitos fazem, falando "verdades" por redes sociais quando a gente sabe que os mais agressivos  serão os primeiros a esconder debaixo da cama se encontrar uma azeitona verde na maionese.

Se me perguntarem se tenho medo dos militares, não tenho. Tenho medo mesmo é do golpe branco que mistura tucanos, imprensa e judiciário e fazem uma ditadura que o povo não enxerga. Essa tríade já mostrou como age durante o governo FHC, quando o Norte e Nordeste foram relegados à fome  e nossa economia foi parar no fundo do poço.  Na versão ditadura golpista atual já destruíram o estado de direito e Curitiba virou um Dops gigante, com porões de tortura apoiados pela Globo. No lugar do Ustra temos Moro, e se alguém acha que isso não é tortura é porque não se colocou no lugar dos que estão ainda presos, como Vaccari, ou que estão para receber ordem de prisão perpétua, como Dirceu. Marisa não morreu de idade, Lula perdeu todos os seus bens, e  lá nos porões de Moro estão muitos em processo de tritura. Temos processos fraudados, nosso Ustra falsifica documentos, todos sabem e nada acontece.  Até a educação já voltou para a estaca zero com a escola sem partido, profissionalização no topo e corte na grade de matérias como  filosofia, sociologia e artes.

Se tem diferença, esta se resume ao fato de que os golpistas estão vendendo tudo. Contra os militares, se houver ditadura,  esquerda se ergue e depois a gente retoma a distribuição dos lucros do petróleo e etc. Já contra a ditadura branca em que estamos, a esquerda confunde golpe com democracia, confia em eleição e daqui a décadas, quando a gente voltar, não terá no Brasil nada além de miséria para distribuir. Seremos um Haiti.

Se perguntarem se defendo intervenção militar, é claro que não. Tenho clamado há tempos por uma intervenção da esquerda. Mas prefiro sim qualquer coisa a esse caminhar constante para a desintegração do país que estamos assistindo enquanto falamos sobre nomes que sucederão Lula, no caso de ele cair. Isso me dá nojo, já sinaliza a nossa própria degradação, a degradação da esquerda que vai esquecendo que a prioridade é o trabalhador, é o povo sofrido e já novamente faminto, é o Brasil. Qualquer um que bote esses traficantes de drogas alojados no Senado numa prisão já teria o meu respeito.

Se não há intervenção da esquerda e com a aproximação cada vez mais certa de uma intervenção militar, não vou bancar a bravateira, nem dizer que eles são isso ou aquilo. Sem a intervenção dos militares Getúlio não teria governado para criar o salário mínimo, a Carteira de trabalho, para regulamentar o trabalho de mulheres e crianças e a jornada de 8 horas diárias. Só o que tenho a dizer é que espero que se eles estão pretendendo intervir, que cumpram seu papel constitucional, que se redimam dos erros do passado nos livrando do golpe, devolvendo o governo eleito e restaurando a democracia. Todos eles sabem que Dilma não é entreguista, é honesta e pode conduzir o país rumo à normalidade com a reforma política antes das eleições de 2018.

E se me consideram babaca, Lula não está demonizando nada nem ninguém. No site do PT não tem manifestação sobre isso, ele só falou com algumas lideranças a portas fechadas.  E só o que a gente sabe da posição dele foi o que Gleisi contou: " (Lula) disse que a sociedade civil tem que garantir a democracia e que as Forças Armadas têm papel constitucional", e acrescentou que ele confia nas Forças Armadas.

Entre fazer como alguns do PSol que na hora do golpe foram omissos e agora saem a tripudiar e esbravejar contra os militares e adotar o exemplo de Lula, prefiro seguir Lula.

Não desisto de acreditar nas Forças Armadas como garantidora da soberania nacional e da democracia. Afinal, com gente como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes no STF, Moro na função de juiz, Aécio e Perrela no Senado, com os deputados corruptos que temos na Câmara... Pior do que está... fica sim, Tiririca. Basta a gente continuar assistindo de braços cruzados.

Por Miriam M. Morais.

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