21.12.17

Maluf e a chocante covardia que se tornou a justiça brasileira.

Sou de uma geração para quem Maluf era o exemplo mais bem acabado do problema do Brasil. Todos sabiam que era corrupto, todos sabiam que roubava, e ainda assim ele fazia tudo e dava gargalhadas sobre nossas cabeças. Maluf ensinou que não se deve mexer com corruptos em altos postos. Era o exemplo da tese do Caligaris no livro "Hello, Brasil". Maluf fazia e o Estado brasileiro, por conivência ou inépcia, aceitava.

Por anos quisemos Maluf preso. Quisemos ver aquele sorriso cínico atrás das grades. Por anos o Estado brasileiro nada fez.

O problema é que quem está sendo preso não é aquele Maluf. Aquele que roubava e tinha desde delegado até presidente para lhe proteger as costas. Aquele Maluf que chamava general de exército pelo apelido. Aquele Maluf sambou na cara do povo brasileiro por décadas. O que está sendo preso é um velho doente, sem mais qualquer ligação ou serventia aos atuais corruptos. O Maluf que está sendo preso é usado como troféu para mostrar como as "instituições brasileiras estão funcionando".

O Maluf de hoje está na presidência. Zoando com a cara de toda a população. Tendo de delegado chefe da pf, até ministro  para lhe proteger as costas. O Maluf de hoje rouba e coloca o dinheiro em malas filmadas e o Estado brasileiro nada faz. O Maluf de hoje, aquele da presidência, manda até prender o Maluf de verdade. Manda e o STF obedece porque o Estado brasileiro continua inepto ou conivente. Só que agora adicionou também o sadismo e as quebras das próprias leis. O novo Estado brasileiro, o que prende velhos decrépitos de 80 anos, tortura pessoas para obter "delações premiadas", e forja e manipula provas para usar contra seus desafetos é pior que aquele Maluf, o velho Maluf. O Estado brasileiro se tornou putrefato e ao prender velhos de 80 anos com histórias criminosas continua mostrando que sempre existirá um Maluf que manda e que não tem nada a Temer.

Por Fernando Horta.

Um comentário:

Julio Moreno disse...

Tenho a mesma impressão. Prender Maluf hoje é chutar cachorro morto