ALDO REBELO E "O MANIFESTO".


É de se louvar o esforço feito por Aldo Rebelo de tentar construir um manifesto/movimento que possa orientar/reorganizar as forças progressistas, populares e democráticas brasileiras. Localizar o rico e denso documento elaborado por ele numa tentativa de compor uma suposta chapa com Rodrigo Maia numa suposta eleição indireta, e/ou a uma suposta carta de despedida de seu partido, o PCdoB, é sinal de má vontade, pequenez e incapacidade de enxergar o tamanho dos desafios postos. A relação com Maia, de quem recebeu votos e apoio para sua eleição à Presidência da Câmara, que alguns esquecem, foi decisiva para impedir o impeachment de Lula, é antiga e não carece de carta compromisso. As divergências que têm externado com algumas posições explicitadas pelo PCdoB são públicas, honestas e francas. Não é homem de "cartinhas de despedida", sinceramente. A questão nevrálgica é, Aldo está errado ou certo em seu esforço de tentar ampliar, dialogar com setores médios e centristas da sociedade brasileira? A esquerda se basta? Será capaz de, sozinha, reverter a brutal defensiva e ganhar as eleições do ano que vem? A salvação será o retorno às origens pedalando de vermelho pelas ciclovias da Vila Madalena? O Manifesto localiza corretamente o principal desafio, a retomada do projeto nacional de desenvolvimento com justiça social. Apresenta o Brasil como ele é, grande, complexo e pujante. Faz a crítica correta às corporações e aos interesses corporativos que "tomaram" setores do Estado, algumas vezes contando com apoio "desavisado" da esquerda. Busca um diálogo inteligente com a agenda de "reformas necessárias" que "não penalizem os mais fracos." Elege o rentismo como o principal inimigo. Aldo foi corajoso e ousado. Num cenário de grande polarização, de irracionalidade, assumiu o risco de, ao tentar algum nível de mediação, ficar falando sozinho. Num momento em que alguns pensam apenas na sobrevivência de suas organizações e nas suas próprias, ousou pensar no Brasil. Talvez vez não tenha minha concordância plena com todas as suas posições, na atual conjuntura é difícil encontrar dois  que pensem de forma igual, mas tem minha admiração e respeito. É um grande brasileiro. É titular no time de Tiradentes e jamais jogará no de Silvério dos Reis.

Por Urias Rocha.

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