Essa aproximação não surgiu do nada. Flávio Bolsonaro,
pré-candidato à Presidência em 2026, precisa de um palanque forte na Bahia,
estado onde o PT mantém hegemonia há quase duas décadas. ACM Neto, derrotado em
2022 por Jerônimo Rodrigues (PT), sabe que sozinho dificilmente terá fôlego
para virar o jogo. A união soa como um casamento de conveniência, com cada lado
precisa do outro para sobreviver politicamente.
Mas há um detalhe incômodo. Durante anos, Neto cultivou a
imagem de gestor técnico, distante dos radicalismos. Agora, ao se alinhar com o
PL e com a família Bolsonaro, ele abandona qualquer pretensão de neutralidade.
O discurso de “moderação” cai por terra e dá lugar a uma estratégia de poder
nua e crua. É como se dissesse que não importa a contradição, o que vale é a
chance de derrotar o adversário comum.
O resultado é um cenário político mais polarizado e, para
muitos, decepcionante. A Bahia, que já foi palco de disputas intensas, agora
assiste à consolidação de um bloco conservador que não esconde sua inspiração
no bolsonarismo. Para quem acreditava em uma alternativa diferente, fica a
sensação amarga de que tudo não passou de encenação. A farsa acabou — e o jogo
está escancarado.

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