O relatório do Coaf revelou que o ex-prefeito de Salvador e atual vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag entre 2022 e 2024. O caso expõe contradições no discurso de honestidade que Neto sustenta publicamente e coloca em xeque sua imagem de político “limpo”.
A revelação é explosiva porque ACM Neto construiu sua
carreira política com o discurso de ser um gestor honesto e moderno, em
contraste com adversários acusados de corrupção. No entanto, os repasses
milionários para uma empresa de consultoria com capital social de apenas R$ 2
mil levantam dúvidas sobre a real natureza desses contratos. O Coaf destacou
que os valores movimentados estavam muito acima da capacidade financeira
declarada pela empresa, o que reforça a suspeita de irregularidades.
O Banco Master, envolvido em escândalos de corrupção e alvo
de operações da Polícia Federal, aparece como protagonista em diversas
denúncias de relações perigosas entre o sistema financeiro e a política. O fato
de ACM Neto ter recebido recursos justamente dessa instituição coloca em xeque
sua narrativa de independência e transparência. Críticos afirmam que o caso
mostra como políticos de direita, que se apresentam como “morais”, também se
beneficiam de esquemas nebulosos.
A defesa de Neto é de que os valores correspondem a serviços
de consultoria prestados pela A&M Consultoria. No entanto, a proximidade
temporal entre a criação da empresa e o início dos repasses, somada ao
histórico de investigações contra o Banco Master, gera forte desconfiança. Para
analistas políticos, o episódio pode fragilizar sua pré-candidatura ao governo
da Bahia em 2026, já que a denúncia mina o discurso de honestidade que sempre
sustentou.
O escândalo expõe mais uma vez como o poder econômico se
infiltra na política brasileira, transformando contratos privados em
instrumentos de influência. Para ACM Neto, que sempre se apresentou como
alternativa “limpa” ao modelo tradicional, a revelação é devastadora, o
político que dizia não se misturar com escândalos agora aparece ligado a um dos
bancos mais investigados do país. A pergunta que fica é se o eleitor baiano
aceitará essa contradição ou se cobrará coerência de quem se vendeu como
símbolo de honestidade.
Com informações do Jornal o Globo.

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