Do amor à guerra com ficamos pior

O mundo virou de cabeça para baixo. E não foi para melhor. Estamos vivendo em uma sociedade mais dura, mais fria, mais injusta do que aquela que conheci nos meus dias de juventude. Sou da geração de 60, nasci em 1963, e já vi coisas que me obrigam, vez ou outra, a dizer aos mais jovens, meus filhos, minhas filhas que “naquele tempo tudo era melhor”. Talvez você, que também viveu essa época, já tenha dito o mesmo. E isso dói. Porque deveríamos ter evoluído, mas o que vemos é retrocesso.

Olhe para os artistas. Antes, muitos levantavam a voz contra guerras e injustiças. Hoje, diante da agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o silêncio é ensurdecedor. Constrange. Em 1955, quando explodiu a guerra do Vietnã, e os EUA entraram de vez em 1965, a juventude reagiu. O movimento hippie se jogou inteiro na luta contra a barbárie. Músicas nasceram como protesto, festivais como Woodstock se tornaram símbolos. O lema era simples e poderoso, “faça amor, não faça guerra”. John Lennon e Yoko Ono chegaram a protestar deitados em uma cama, no famoso “Bed-In for Peace”.

O cinema também registrou essa energia. O filme Hair, de 1979, trouxe a história dos protestos hippies mesmo após o fim da guerra. Eu assisti tantas vezes que já perdi a conta. E naquele mesmo ano, Fernando Gabeira voltou do exílio e apareceu em Ipanema com uma tanguinha de crochê. Era liberdade, era ousadia. Hoje, o mesmo Gabeira pede o fechamento do Supremo Tribunal Federal. Mudamos. Para pior.

Naqueles dias, o lema era “sexo, drogas e rock’n’roll”. Hoje, o sexo virou tabu, as drogas destroem vidas e o rock foi engolido pelo sertanejo. A coisa está tão feia que a geração de 60 continua sendo a vanguarda, mesmo envelhecida. É como se o tempo tivesse parado, mas parado no pior lugar. Cristo já pode voltar.

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