Dimas Roque: Bolsonaro, o fiscal de cu

7.3.19

Bolsonaro, o fiscal de cu



Na minha juventude eu fui coroinha na Igreja em minha cidade na Paulo Afonso na Bahia. Era o final da década de 70, entre os anos 77 e 79. Muito ligado a religiosidade e também as festas que aconteciam por aqui, quando chegava o Carnaval quase sempre me batia a dúvida de que de eu deveria ou não ir a uma festa pagã.

Naquelas horas eu tinha uma conversa direta com Deus. Sem intermediários. Sempre colocava que o que eu queria era me divertir e nada mais. Queria ser feliz como qualquer jovem quer. E sabia que não iria me envolver em nada que pudesse me desonrar ou ao meu Deus. Simples assim.

Da mesma forma, nunca me preocupei com o que os outros faziam ou deixavam de fazer naqueles dias. Como nunca quis ninguém dando pitaco em minha vida, não seria eu a dar na dos outros. E assim brinquei ao lado da minha turma por muitos anos feliz.

Passados os anos, vi o Carnaval se transformar, das marchinhas ao som do Trio Elétrico, do samba a Axé Music, ao Pagode ao Sertanejo. E agora até a música eletrônica está sendo tocada para animar a festividade que ainda leva milhões de pessoas a se deslocarem em busca de divertimentos.

É bem verdade que os excessos por parte de alguns foliões começaram a aparecer. Mas são uma minoria que não representa o que verdadeiramente é o Carnaval no Brasil. Que por sinal é uma invenção do Cristianismo ocidental e sempre acontece antes do início da Quaresma que são os quarenta dias que antecedem a principal celebração do cristianismo: a Páscoa, a ressurreição de Jesus Cristo, que é comemorada no domingo. Isto acontece desde o século IV. Também conhecido como o Tempo da Septuagésima.

Há 25 anos atrás a modelo e atriz Lilian Ramos, após sem fotografada ao lado do então presidente em um camarote na Sapucaí no Rio de Janeiro, causou um escândalo que quase derruba a época o mandatário. Um fotografo abelhudo, conseguiu um ângulo que mostrava a mesma sem calcinha. No Congresso nacional muitos pediram o afastamento de Itamar Franco. Juristas se mobilizaram também nesta direção. É logico que não deu em nada. Que culpa tinha ele da moça ter esquecido sua vestimenta em casa?

2019 revive da pior forma possível um escândalo envolvendo um presidente. Se em 1994 o Itamar foi pego de surpresa, este ano quem criou o fato foi o atual presidente Jair Bolsonaro em sua conta na rede social Twitter. Na terça-feira, 05, ele fez uma postagem acompanhada de um vídeo pornográfico onde dizia, “Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conclusões:” De imediato houve resposta ao seu pedido, que em grande maioria o recriminava de estar distribuindo conteúdo inadequado conhecido pelos entendidos como Golden Shower?

Para piorar a sua situação. Ele sempre consegue isto. Bolsonaro faz outro poste na quarta-feira perguntando o que é golden shower?

Bolsonaro conseguiu em duas postagens destruir a imagem da maior festa popular e envergonhar o Brasil perante o mundo. Os povos hoje deveriam estar falando das belezas, da tradição, do que o carnaval movimenta em termos de dinheiro. Mas isto não ocorre. Há exatos 66 dias viramos piada mundial e o presidente que deveria conduzir a nação ao desenvolvimento, virou fiscal de cu alheio.

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