Dimas Roque: SACRIFÍCIOS (Por Manno Góes)

30.3.19

SACRIFÍCIOS (Por Manno Góes)

Comemos bois assassinados em filas de abate, que sabem, desesperados, que vão morrer.

Comemos bodes e carneiros assassinados com pancadas de porretes na cabeça.

Comemos porcos que são pendurados pelas patas e degolados, enquanto urram, sangrando até morrer.

Comemos perus e frangos mortos ao terem seus pescoços e colunas quebrados.

Comemos peixes que morrem asfixiados.

Comemos caranguejos que são jogados em
Panelas de água fervendo.

Comemos ostras vivas.

Comemos animais que são assassinados aos milhares diariamente.

Acho que em um momento sem reflexão ou maior aprofundamento, pensamos que “é um absurdo medieval os sacrifícios de animais no candomblé”.

Um pensamento justo.

Mas com um pouco mais de atenção, percebemos que nossa avaliação é precipitada.

Os sacrifícios são feitos por ritualistas, de forma muito mais humana e sagrada.

E os animais sacrificados servirão de alimentos em rituais sagrados para as pessoas da comunidade.

Nada que açougues e frigoríficos não façam por nós de forma bem mais violenta e desrespeitosa.

Os sacrifícios do candomblé também não são particularidades apenas desta crença: os judeus samaritanos também matam em sacrifícios carneiros de um ano em seus rituais.

O candomblé sofre preconceito.

Religião africana, repleta de simbolismos e riquezas espirituais.

Os espíritas demonstram preconceito ao dizerem que no candomblé os espíritos que são incorporados são “espíritos menos evoluídos”.

Os católicos e evangélicos, pela herança ocidental branca e dominante.

Ninguém chama de demônio o Deus nórdico Thor, loiro e malhado, que oferecia sacrifícios humanos em seus rituais.

Mas normalmente vemos críticas e preconceito contra os deuses do candomblé.

Uma crítica que vem do racismo, da tradição secular de demonização e dominação impostas pelas religiões cristãs e pela ignorância.

O candomblé sempre sofreu preconceito.

E sempre resistiu ao tempo.

Justamente pela força dos orixás, dos seus fiéis e do sagrado.

Como em todas as religiões, há costumes que precisamos apenas respeitar.

Ou nos esquecemos que a religião mais poderosa do mundo ocidental prega que comer carne humana e beber sangue humano, ajoelhado diante de um instrumento de tortura, é o seu momento mais sagrado?

Viva o candomblé.
Viva a fé.
Viva as religiões que nos aproximam do amor; e não do ódio.
Viva Papa Francisco, Mãe Menininha e Chico Xavier.

Axé.

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