10.5.17

Tá na Internet: Justiça para quem precisa de justiça.

Um dos princípios mais básicos e importantes da Justiça é a garantia de que todos temos direito irrevogável a um julgamento imparcial comandado por um magistrado equilibrado e justo. Se não tivéssemos a confiança de que seríamos julgados com isenção caso algum dia nos encontrássemos em um tribunal, todo o sistema perderia sua razão de ser, pois se converteria apenas em um grupo aleatório de indivíduos atribuindo culpa ou inocência de acordo com seus preconceitos, suas ideologias e seus humores particulares.

Agora imagine a seguinte situação: você, na condição de réu de um processo, se prepara para prestar depoimento e se defender das acusações. Nos meses anteriores à audiência na qual você terá a oportunidade de se defender - ou seja: ainda no início de todos os procedimentos -, o juiz responsável por seu caso não apenas faz diversos comentários negativos ao seu respeito publicamente como é fotografado em vários eventos, sorridente, ao lado de alguns de seus maiores opositores. Mais do que isso: ele chega a ir ao lançamento de um livro no qual você é atacado e a assinar autógrafos em alguns exemplares.

Como se pudesse haver alguma dúvida acerca da posição do sujeito, ele ainda é retratado pela imprensa, na semana de seu depoimento, como sendo seu RIVAL em um ringue de boxe e em um "cartaz" divulgando o "combate" entre vocês dois.

Repetindo: há um consenso público - até entre aqueles que te odeiam - de que  o juiz que vai te julgar é seu OPONENTE. 

Não satisfeito, a alguns dias do encontro, o magistrado publica um vídeo nas redes sociais dirigido aos próprios "apoiadores" (e ele literalmente se refere a eles usando esta palavra: "apoiador"), que se colocam intensa e publicamente contra você.

Repetindo: ele assume que aqueles que o "apoiam" são oponentes do réu - ou seja: você. E diversos jornalistas relatam este despropósito como um MÉRITO do "juiz".

Enquanto isso, uma colega do juiz determina que ninguém poderá apoiar você publicamente no dia da audiência nas ruas da cidade na qual esta ocorrerá. E, para arrematar, o juiz decide que seus advogados não terão o direito de registrar o encontro.

Agora responda: você se sentiria tranquilo com relação ao processo? Acreditaria estar sendo realmente parte de um julgamento imparcial? Confiaria na isenção do tal juiz para determinar sua inocência ou sua culpa?

E se mesmo reconhecendo estes absurdos você os justifica internamente por ser Lula o réu, é porque já sabe que o que está testemunhando pode ser tudo, menos Justiça.

Falta apenas lembrar que um dia poderá ser você do outro lado da mesa encabeçada por um magistrado interessado não em fazer jus à responsabilidade de seu cargo, mas em usá-lo para derrubar alguém que despreza por motivos alheios ao caso.

E a Justiça deveria ser cega para ideologias e convicções particulares - e também imune ao ego e ao desejo de estrelato de quem deveria administrá-la com ética.

Autor desconhecido.

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