25.5.17

"Eu estive em Brasília".

Depoimento de sindicalista de Natal/RN:

Ontem ficou muito patente essa tática da infiltração. Os dirigentes das diversas centrais sindicais que estavam no trio principal que abria a passeata quando avistaram os mascarados (e eles só apareceram na chegada ao Congresso, depois de 4km de caminhada e bem perto da barreira que a Polícia tinha feito com carros, cavalos e policiais com escudos); então os sindicalistas começaram a exigir que aquelas pessoas parassem com as agressões. Alguns dirigentes sindicais, no desespero, até pediram ajuda da polícia para tirarem aquelas pessoas. Imagine se a policia ia tirar. Os infiltrados foram o mote para começar a chuva de bombas de gás, spray de pimenta e balas de borracha contra a multidão que, como jamais imaginava que fosse acontecer aquilo não trouxe sequer máscaras daquelas que se usa para poeira. Pessoas de Brasília que já conhecem a ferocidade da polícia daqui e alguns grupos de estudantes e de mulheres que já tinham enfrentado situações semelhantes nos socorreram com  leite de magnésia e vinagre.
Os infiltrados são policiais disfarçados, para promover a agitação, para que a própria polícia possa agir revidando, para dispersar os movimentos.
O que a TV, na narrativa que priorizou construir, escondeu, foi como a multidão andava de um lado para outro tentando evitar o gás que o vento trazia, mas não saía. E como a Polícia, orientada pelos helicópteros, mudava de posição e jogava as bombas nos pontos de maior concentração.  A TV conseguiu "esconder" as pessoas. Se em Natal, no dia 28, teve aquela multidão, imagine aqui.

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