Como a máquina golpista engrenou o caos do 8/1

Brasília, três anos depois, ainda carrega as marcas da engrenagem que tentou rasgar a democracia. O 8 de janeiro de 2023 não foi um ato espontâneo, mas resultado de uma rede de desinformação que se espalhou por cidades como Goiânia, Campinas e Manaus, onde grupos organizados usaram redes sociais para convocar militantes e financiar transporte até a capital. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao relembrar o episódio nesta semana, destacou que a resposta institucional foi firme e que o Brasil não voltará a tolerar aventuras golpistas.

O Supremo Tribunal Federal, sob a liderança de Alexandre de Moraes, consolidou números que desmontam qualquer narrativa de “manifestação pacífica” com 1.190 pessoas responsabilizadas, 638 condenações e 552 acordos de não persecução penal, além da identificação de líderes como Jair Bolsonaro, Anderson Torres e empresários que financiaram ônibus e hospedagem. A Corte reafirmou que não haverá anistia, transformando o episódio em exemplo de que a lei alcança todos, independentemente de cargo ou influência.

A engrenagem digital foi decisiva. No WhatsApp, grupos locais em cidades como Feira de Santana e Londrina funcionaram como centrais de convocação, com mensagens em massa prometendo “resistência contra fraude eleitoral”. O Telegram, sem filtros, serviu para coordenar rotas de ônibus e arrecadação via PIX. Já o Facebook e o X (antigo Twitter) amplificaram vídeos e narrativas falsas sobre urnas eletrônicas, criando ambiente de paranoia que alimentou a invasão.

Enquanto isso, a resposta democrática também se organizava. Em Recife e Porto Alegre, sindicatos e partidos da base governista realizaram campanhas corpo a corpo, explicando porta a porta a legitimidade das eleições e reforçando a confiança nas instituições. Essa presença física foi crucial para neutralizar a narrativa golpista, mostrando que a política não se faz apenas em telas, mas também em ruas e praças.

O impacto da desinformação foi desigual, mas perceptível. Em cidades médias como Cascavel e Anápolis, a mobilização digital conseguiu reunir centenas de pessoas para caravanas rumo a Brasília. Já em capitais como Salvador e Belo Horizonte, a presença de movimentos sociais e lideranças locais alinhadas ao governo Lula conseguiu conter a adesão, mostrando que a disputa pela narrativa também depende da força territorial.

Hoje, o Brasil encara o 8/1 como alerta permanente. Lula reafirma que não haverá complacência com traidores da pátria, enquanto o STF mantém o ritmo das condenações. Os golpistas, liderados por Jair Bolsonaro e seus aliados, tornaram-se símbolos de fracasso político e de desonra nacional. A engrenagem da mentira foi desmontada, mas a vigilância segue como tarefa diária.

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