Segundo dados da União dos Municípios da Bahia (UPB),
prefeitos da região têm manifestado preocupação com a possibilidade de queda na
autonomia financeira, já que o IBS será gerido por um Conselho Federativo
nacional. Essa mudança pode reduzir a capacidade de Paulo Afonso em negociar
diretamente sua fatia de arrecadação, especialmente em setores estratégicos
como energia e turismo. A cidade, que abriga o complexo da Chesf e recebe
milhares de visitantes atraídos pelas quedas d’água e pelo patrimônio histórico,
pode perder competitividade caso os repasses não acompanhem sua realidade
econômica.
Especialistas em finanças públicas, como os consultores da
Fundação Getúlio Vargas, apontam que municípios médios terão de se adaptar a
uma lógica de distribuição mais ampla e menos personalizada. Isso significa que
Paulo Afonso poderá ver seus recursos diluídos em um sistema que privilegia
equilíbrio nacional, mas que não necessariamente considera as especificidades
locais. Para a população, o risco é sentir os efeitos em áreas como saúde,
educação e infraestrutura, já que a prefeitura terá menos margem de manobra
para planejar investimentos com base em receitas próprias.
Apesar das preocupações, lideranças políticas locais devem
buscado transformar o debate em oportunidade. Prefeitos da região, em
articulação com a UPB, defendem que Paulo Afonso seja reconhecida como cidade
estratégica na matriz energética brasileira, garantindo prioridade nos repasses
e investimentos. Essa mobilização pode reposicionar o município no cenário
nacional, reforçando sua importância histórica e econômica. O futuro da cidade
dependerá da capacidade de seus representantes em Brasília de assegurar que a
Reforma Tributária não seja apenas mais uma promessa de modernização, mas um
instrumento real de desenvolvimento para o sertão baiano.

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