6.8.17

Pela desobediência civil! (Por Ângelo Cavalcante)


O governo de Temer é dessas aberrações a ser destruída. Na verdade, nada do que se refere a esse indivíduo deve sobrar, ser ou estar na paisagem política. Nem vou falar do que todo mundo já sabe, seria enorme perda de tempo. Governo de criminosos, de rentistas, latifundiários e de assassinos.

Mas a questão central e decisiva deste que é o mais perverso e cruel golpe da história brasileira é que a política está relativizada e ferida de morte porque o ambiente das interações e intercâmbios políticos é nocivamente relativizado; as institucionalidades de Estado e que, a bem da verdade, sempre funcionaram mal e tropegamente, agora desservem abertamente em prol da "ordem" e; quando operam, evidentemente, se enfileiram caninamente em favor da maior regressão civilizacional desse país desde que a república fora por aqui implantada.

Longe de ser panfletário mas a grande verdade é que só a subversão, a desobediência civil nos salva! Não há Supremo, parlamento, cretinices afins ou isso ou aquilo e que bloqueie essa pletora destrutiva! 

O salvamento, por sinal, de Temer e de respectiva camorra, no infame 02/08, a partir da sangria desatada de bilhões de reais em menos de quarenta e oito horas; aliás, esse fatídico demonstra sem qualquer lapso de dúvidas de que a corrupção no país acaba de adentrar em outro nível de existência e ocorrência; inaugura nova frequência de atuação e operação na muito perigosa raia da política pública; é crime pleno em seu viés normativo, público e estatal. Já é corrupção como regra, burocracia, procedimento e forma de governo.

É espantoso porque o acontecido não apresenta termo de comparação na história política brasileira. O que fora feito não é recomposição de base política, de re-feitura de apoio político-parlamentar... Nada disso! Aliás, esse governo não-convencional está pouco se lixando com base social, política ou popular. Opera na gestão da carência e da escassez. "Quer? Toma... Apenas me sirva!" É perversão política no seu pior ensejo e realização. 

E o mais dramático do "queima" que salvou Temer é que esse oceano de dinheiros fora liberado para projetos não refletidos ou discutidos, para iniciativas não auditadas ou melhoradas por meio de seminários, encontros ou debates públicos. O custoso de toda essa tramoia é que as torneiras foram escancaradamente abertas para ambientes municipais ou regionais degradados em três anos de intensa e danosa austeridade fiscal e orçamentária. São espasmos caóticos de orçamentos geridos na pressa e na ligeireza que a crise política exige! É a porção de cocaína para a maior crise de abstinência já vivida por esse estranho paciente de nome Brasil. Ao fim, a dependência só irá aumentar.

Governo esquizofrênico, patológico e desviado de qualquer via de decência ou moralidade pública na medida em que impõe novos padrões de miséria e pobreza para um povo historicamente abandonado e aviltado enquanto se abre e libera as burras para meio pingando de proprietários ricos e privilegiados às expensas, obviamente, do dinheiro da sociedade. 

Milito, torço e espero pela queda, pelo fim e pelo desmonte integral dessa grande desgraça e que se abateu sobre a vida nacional. Repito, só a desobediência civil, ativa e militante salva o que restou de Brasil.

Por Ângelo Cavalcante - economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

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