Dimas Roque: Tá na internet: impeachment? (Valerio Arcary)

31.7.19

Tá na internet: impeachment? (Valerio Arcary)


Nos últimos cinco dias só se discute na esquerda a proposta de impeachment. O escárnio de Bolsonaro por aqueles que sacrificaram suas vidas na luta contra a ditadura fez a repulsa aumentar entre nós todos. Mas não há atalhos na luta política. Muitos milhões já estão enfurecidos? Sim. Mas. calma, não somos ainda a maioria. E mesmo entre os que compreendem o perigo que um neofascista na presidência representa, ainda não há uma disposição de luta suficientemente radicalizada para enfrentar o desafio de derrubá-lo.


Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade? Sim. As palavras têm sentido. As palavras contam. Um presidente da República tem responsabilidades inerentes à função e cargo. Trata-se do decoro.  É legítimo apresentar um pedido de impeachment? Sim, em princípio, é legítimo. Mas não é a melhor tática, neste momento. Em outra situação pode vir a ser uma boa iniciativa. Não é a melhor tática, por várias razões. A principal é porque seremos derrotados. Quem procura um terreno de luta em que não pode vencer age irrefletidamente.

O pedido seria engavetado por Rodrigo Maia. Não há qualquer dúvida sobre isso. Ele tem a prerrogativa de encaminhar ou não um pedido de impeachment. Seria possível iniciar uma campanha de mobilização de massas para exigir a abertura de um processo de impeachment, e forçar a pressão sobre o Congresso Nacional? Infelizmente, não. Ainda não. E derrotados estaremos mais fragilizados, não fortalecidos. 

Cresceu o desprezo diante da irresponsabilidade, da idiotice, da maldade. Bolsonaro desdenhou das vítimas da chacina no Pará. Atacou a memória de Fernando Santa Cruz. Zombou dos ambientalistas que denunciam que a Amazônia está em chamas. Defendeu o direito de propriedade de fazendeiros que utilizam trabalho em condições de escravidão. Defendeu o fim da Ancine, atacou o INPE, e por aí vai.

Estamos acumulando forças na resistência. Mas não devemos dar um passo maior que nossas pernas. Nossa estratégia não pode ser aguardar as eleições de 2022, evidentemente. A dimensão da destruição econômico-social nesse horizonte é desumana, monstruosa demais. Nossa estratégia deve ser criar as condições para derrubá-lo. O nome desta esta estratégia é revolução política. Nesse marco,  o recurso legal do impeachment pode vir a ser um instrumento tático. Imperfeito, mas útil. 

O impeachment pode ser um bom instrumento dependendo de quais forem os sujeitos sociais da mobilização, de quais forem os sujeitos políticos que a dirigem, e de qual seria a saída política, ou seja, quem assumiria o poder. A posse do vice Mourão é somente uma delas. Basta manter a mente aberta, e alguma imaginação. Dependerá da força e radicalização social da mobilização. Quem disse que milhões nas ruas enfurecidos contra Bolsonaro aceitariam transferir a decisão para este Congresso Nacional? É bom lembrar, portanto, que, além do impeachment, há outros caminhos. Mas, sem desespero, ainda não.

Um comentário:

TK Alves disse...

Lógico que tem que fazer algo grande. Um movimento que impeça sua saga de justiceiro da mais torpe de um sociopata infeliz, que acha que tem condições de levar a frente seu projeto.
Ele ganhou porque mais da metade da população brasileira se omitiu..
Isto porque a maioria não acreditava que um louco tivesse forças suficiente.
Mas não analisaram que era algo maior que o Brasil e a América latina. Se tratava de um plano muito bem elaborado da direita, para um país que despontava como líder para vencer e derrotar o capitalismo internacional. E a esquerda estava muito confiante e a direita totalmente desiludida ao ponto de achar que um facista, um sociopata pudesse ser a resposta para seu deserpero.