Dimas Roque: Diniz: o comunicador dá adeus ao rádio

20.7.19

Diniz: o comunicador dá adeus ao rádio



A primeira lembrança que tenho do meu amigo Diniz e que sempre me vem à cabeça é o dia em que Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Paulo Afonso pela primeira vez em evento político no dia 01 de maio de 1981. Nós tínhamos conseguido que ele fosse entrevistado na rádio cultura de Paulo Afonso e quando a entrevista ia começar, Antônio José Diniz, que sempre comandava o espetáculo com convidados, foi logo anunciando, “não queriam que eu entrevistasse você Lula. O comandante do exército mandou um portador dar um recado para que você não fosse entrevistado, mas ele manda lá, aqui quem manda sou eu”. Assim sempre foi o meu amigo.

Ele sonhou ter uma rádio e conseguiu duas. Uma AM e uma FM quando era quase improvável se ter. Conseguiu durante todo o tempo em que esteve à frente delas, colocar, da sua forma, do seu jeito, os ouvintes ligados na Cultura de Paulo Afonso.

Diniz deu oportunidades a muitos locutores. Alguns começaram ali, naquele prédio da Rua São Francisco onde atualmente ele morava. Eu mesmo, que nuca antes tinha falado em uma rádio, a alguns anos atrás o fui visitar, e eu nem sentei direito na cadeira e ele disse, “estou precisando de você. Preciso de alguém para fazer o programa Patrulha”. E foi assim que no outro dia, eu sem saber de nada, me tornei o ancora do programa. Que se deixe registrado aqui, foi horrível o primeiro dia. Por conta de outros trabalhos, meses depois tive que deixar e comuniquei a ele. As portas ficaram abertas, tanto que no ano passado, ele me fez um novo convite. Agora para ser comentarista, junto com ele, do mesmo programa. Era uma diversão para mim. E ele se divertia muito.

Diniz dizia que não era Petista. Mas fazia questão de afirmar, nos microfones ou por onde estivesse, que era Lulista. A admiração pela história de Lula era muito pela origem nordestina do mesmo. Para se ter uma ideia, ele mandou colocar um banner, na parede da recepção da entrada da rádio onde tem as fotos de Lula, Dilma e Jaques Wagner. Quando alguém o questionava, ele saia sempre com a mesma frase, “a rádio é minha”.

Ele gostava de contar como começou a trabalhar. Tinha orgulho de sua história. Contava que foi seu pai, o também Diniz, que o ajudou no início dando o primeiro dinheiro para ele comprar os primeiros gibis e revistas. Esperto, no início de tudo, ele alugava para as pessoas. Lembrava que foram seus tios, leitores de revistas, que doaram algumas a ele. E aquele menino pobre, que ficava em frente ao cinema alugando páginas de leituras, montou um império de comunicação no município.

Em um lance de sorte, ele conseguiu um contrato com a Abril Distribuidora e se tornou um dos grandes distribuidores e revendedores de revistas do Nordeste. Montou a Sedução. Local onde antes do whatsapp, computadores e celulares, o povo se encontrava para adquirir revistas, gibis, livros, discos e muito o mais de impressos. Foi lá que comprei o meu primeiro álbum de figurinhas das seleções da Copa do Mundo de Futebol de 1974.

Não vou falar dos últimos tempos dele, nem de nada que possa parecer triste na vida deste homem que, através dos microfones, só deu alegria a toda essa região. Quero lembrar do jeito único, que só quem o conhecia pessoalmente e que teve a oportunidade de conviver de perto, sabe, o quão correto, integro em suas convicções, foi o meu amigo Diniz.

Faz mais ou menos um mês em que eu e a minha esposa estivemos o visitando em seu apartamento. Era a segunda-feira após o aniversário de um dos seus netos (se não estou enganado), e ele, mesmo com todos os problemas de saúde que estava passando, ainda sorria.

Diniz sonhou ter uma concessão pública de TV. Investiu muito na estrutura de um prédio esperando conseguir mais este feito em sua vida. Ele não conseguiu realizar mais este sonho em vida, mas a história de Diniz não será esquecida e a da comunicação de Paulo Afonso e da região, devem muito e este homem.

Antônio José Diniz será lembrado para sempre como o homem que deu voz a esta região através dos microfones da rádio Cultura de Paulo Afonso.

Adeus meu amigo Diniz!

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