Dimas Roque: Cem dias, sem presidente

8.4.19

Cem dias, sem presidente



Na quarta-feira, 10 de abril, o Sr Jair Bolsonaro estará completando 100 dias de permanência no governo após assumir o cargo. Mas isto não significa que ele de fato está presidente. Aliás, foi ele mesmo que declarou, “não nasci para ser presidente, e sim militar”. O que de pronto foi rechaçado na internet. Teve gente que falou que, “nem para presidente, nem para militar.

Bolsonaro, durante a campanha, no primeiro turno dava mostras que seu capital político estava definhando. A cada debate que ia, perdia mais apoiadores. Até que a fatídica “facada” em Juiz de Fora, Minas Gerais, criou uma comoção junto ao eleitorado, aliada com as fakes News distribuídas e compartilhadas, principalmente, no meio evangélicos, o colocou no segundo turno e o levou a ser eleito.

O que se esperava, mesmo que se discorde dele e de não ter votado, era que ao assumir a presidência Bolsonaro pudesse mudar o seu estilo Nero e buscasse a conciliação da sociedade. Mas o que estamos vendo a cada dia é ele tocar fogo no país todas as vezes que abre a boca.

Na sexta-feira, 05, o homem que assumiu, mas não é presidente, ao fazer um discurso no palácio do planalto, quando da inauguração do Espaço de Atendimento de Ouvidoria da Presidência da República dique que 95% das 35 metas estipuladas em janeiro deste ano para os 100 primeiros dias tinham sido cumpridas. Se o objetivo traçado por ele e seu filhos foi brigar ao ir a Israel e não visitar a Palestina e ver Flávio declarar “quero que vocês explodam”, se referindo ao grupo Hamas, ele está no caminho certo para perder investimentos do “mundo árabe” por aqui. Se entregar a base de Alcântara no Maranhão aos americanos, que vão administra-la e que o Brasil não terá controlo sobre a mesma, está correto. Se romper acordos com a China, um dos maiores parceiros comerciais, para satisfazer Donald Trump, estava nas metas, ele está certo. Se entrar em uma guerra contra a Venezuela for o que ele busca, está no caminho e se ter acabado com a parceria com o Governo Cubano no Programa Mais Médicos, levando a população mais pobre a deixar de receber assistência médica, Bolsonaro está no caminho que ele traçou.

Bolsonaro já entregou parte do pré-sal brasileiro. Maior reserve de petróleo do mundo em águas profundas. Já autorizou a venda da Embraer para a Boeing. Desistindo de uma área sensível e estratégica para o país. Já fez o dólar subir, as bolsas caírem, autorizou o aumento dos combustíveis a níveis nunca antes vistos. A única coisa que Bolsonaro não conseguiu ainda foi presidente. E pelo jeito, não vai adiantar plantar oliveira, viajar no “AeroLula”. Ele não nasceu para isto.

A ausência de um presidente da república federativa do Brasil em exercício, está levando o país ao caos social. Pessoas inocentes estão sendo agredidas e mortas em plena rua ou nas escolas. E estes atos são comemorados abertamente em redes sociais por seus apoiadores, sem que se tome uma única providência. Estamos vivendo momentos de anarquia, na pior definição que o termo pode ser empregado. Onde a justiça, de tão cega com sua venda nos olhos, não consegue fazer cumprir a lei. Já que parte dela também anda cometendo ilícitos. Poucos são os que gritam em defasa do estado de direito.

Só há uma sápida para a baderna em que a sociedade se encontra. Lula livre e a convocação de novas eleições gerais.

Um comentário:

J. Cícero Costa disse...

Artigo perfeito. De fato, o país está há três meses sem presidente. Como bem afirmou recentemente Rodrigo Maia, presidente da Câmara, Bolsonaro está "brincando de ser presidente".

Na verdade, Jair Bolsonaro se parece mais com a estátua de ouro de Nabucodonosor, referida na Bíblia, do que com um presidente da República.

Senão vejamos:

Diz a profecia bíblica que certa vez Nabucodonosor, rei da Babilônia, sonhou com uma grande estátua feita de ouro, prata, bronze, ferro e com pés de barro. Uma pedra atingiu os pés de barro da imponente estátua e esta desmoronou, caiu por terra. Embora aquela estátua ostentasse força, poder e glória, ela tinha os pés de barro, bastou uma pedra acertar a base que tudo que estava em cima desmoronou. O rei então chamou um sábio para interpretar o sonho e este lhe disse que aquele sonho prenunciava o destino de Babilônia e outros reinos. Desde então a história tem sido usada para simbolizar aquilo que, parecendo sólido e resistente, se esfacela e rebenta ao primeiro impacto.

Na seara política, de vez em quando surge um mito de “pés de barro”, geralmente um oportunista que se apresenta como salvador da pátria, defensor da família e dos bons costumes, “faz bravatas, ameaça os opositores que não se curvam, impressiona os incautos, mas não resiste ao mínimo choque”.

Jair Bolsonaro é um desses “mitos de pés de barro”, forjado nas redes sociais como salvador da pátria, uma espécie de messias providencial, que seria capaz de tudo resolver, mas bastaram apenas três meses de governo para mostrar que, na prática, Bolsonaro não passa de um político despreparado, fraco, inseguro, vacilão e inconsequente, tão fraco e incapaz que para ser derrubado nem precisa de pedra (como no sonho de Nabucodonosor), basta apenas uma laranja (ou meia dúzia delas).

A verdade é que Bolsonaro tem prazo de validade. E o seu prazo é até a votação da PEC da Previdência. Depois disso, ficará na corda bamba.

O mercado e a grande mídia já viram que Bolsonaro não tem condição alguma de continuar governando o país. Em editoriais recentes e contundentes, os maiores jornais do país – O Globo, o Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo -, fazem duras críticas a Bolsonaro, e dão o tom do que sucederá ao presidente se a reforma da Previdência não passar.

Os que apoiaram a prisão política de Lula e financiaram as mentiras que levaram o fascista Bolsonaro ao poder, já começam a se decepcionar com o “mito” e perceber que seu apoio incondicional a Bolsonaro foi um grande equívoco, e que é preciso agora articular uma “saída” para consertar esse grave erro histórico a fim de evitar que o país (sobretudo a economia) mergulhe completamente no caos para onde parece caminhar.

Por isso mesmo é que a grande mídia do país já começa a concentrar seus ataques e dirigir sua artilharia contra BOLSONARO, o “MITO DOS PÉS DE BARRO” (cheio de pompa, mas basta soprar que ele cai).