29.11.17

XEQUE MATE NA ALEGRIA NO VILA BAMBU

A corporação policial é uma máquina que obedece a comandos. 

As críticas que se pode fazer ao comportamento da polícia, em casos de evidente excesso de emprego da força, como no caso da repressão aos frequentadores do Vila Bambu, ali na Trajano quase praça Garibaldi, devem ser orientadas aos comandos últimos. 

Os soldados eu não culpo nunca. Apenas fazem o seu triste papel. Ainda quando os seus comandantes lavam as mãos. 

Sua excelência o governador Beto Richa. Sua excelência o prefeito Rafael Greca de Macedo. Eis os vilões da história.

Estes são os responsáveis pela barbárie. Esṕancamento generalizado, sob o pretexto do Sossego. O assalto ao Vila Bambu foi o 29 de Abril da alegria curitibana. Dos meninos pobres que querem ficar numa cervejinha, curtindo a sonzeira maneira e experimental das vanguardas. 

A evidência que salta aos olhos é que nem a Prefeitura nem o Estado têm uma Política para o lazer noturno, de final de semana, da rapaziada dura de grana, nem uma Política para a juventude em geral, nem uma política de Sossêgo, como querem proclamar. 

Não, o combate às drogas é mera cascata. Pura cenografia. Com o desperdício de horas de trabalho das corporações policiais, que ficam enxugando gelo nas esquinas, na alta madrugada. Enquanto os chefes se acertam, nos gabinetes da alta Política. 

A política de Segurança do governo Beto é uma ficção. Assaltos por toda a cidade que o digam. Homicídios na caradura. Até parece que desejam isso. O Terror Branco. O grito de Polícia! Polícia! 

Reprimir os doces músicos de um endereço alternativo, como o Vila Bambu, é parte da cenografia. Às 21:30, ainda no horário autorizado para o som, que ali se desdobra pelas calçadas, numa festa a ser celebrada e não reprimida, chegaram desbancando e agredindo gentes e sequestrando instrumentos. 

Cadê a Política para a Noite, que poderia resultar na reativação da economia, na mobilização de grandes investimentos que à noite ficam parados? Cadê o projeto Cidade 24 Horas, que geraria empregos, renda, riquezas, prosperidade? 

Cadê um Protocolo para a Noite, que fizesse florescer as Artes e a Economia. 

Nada! Só a mediocridade provinciana da repressão. Imaginação econômica nenhuma. O cristianismo do Greca é só um argumento eleitoral. Jesus não é a bondade?

A Política desses caras para a noite é descer o cacete. A Política desses fakes para a economia noturna é descer o cacete, constranger clientes, estragar o comércio decente e esforçado que tenta sobreviver na crise. 

Greca não tem uma Política para a Noite, nem mesmo para as noites do fim de semana. Que são as noites que sobram pro pessoal que trabalha a semana inteira se divertir um pouquinho. 

Richa não tem uma Política para a Segurança Pública. 

O remédio é fazer teatro sangrento, quebrando cabeças e destruindo projetos pessoais. 

Rufino chegou sangrando, com hemorragia inestancável, até que tomou pontos no crânio, e ainda assim sangrava, ali no pedaço que frequentamos, tranquilo e isento. 

Rufino, que é incapaz de fazer mal a uma mosca. Pegou umas porradas aleatórias. Sacanagem. 

Edson, dedicado funcionário do Estado, agente penitenciário de alta responsabilidade, um dos melhores da Poesia do Brasil, está preso ele mesmo, porque teria protestado, como qualquer pessoa de bem, diante dos cacetetes soltos, que se derramaram em violência por toda a praça do Cavalo Babão. 

Chamado de negrão, atirado dentro do camburão. Preso desde sábado. As acusações são as de sempre. Desobediência. Desacato à autoridade. Resistência à prisão. Perturbação do sossego. 

As Aifus são um equívoco. Só estragam negócios. Só constrangem clientes. Os métodos policiais em Curitiba pararam em 1971. 

Temos ciência pra fazer transplantes de medula, pra fazer genética de vanguarda, pra fazer barragens perfeitas e usinas ultramodernas. Não temos ciência pra Noite, pra Paz Social.  

O pior de tudo são as oportunidades perdidas. O trauma. O estrago de vidas. O desperdício do trabalho da Polícia. Os bandidos de verdade não estão ali. Estão à solta.

Você é um errado, Rafael Greca. Beto Richa, você não é exatamente um gênio. 

Gente medíocre no governo, decisões erradas, rumos tortos, esperança nenhuma pra Curitiba. 

Solte os carinhas, senhor Juiz. Chame o Ministério Público, o Corregedor da Polícia, e restabeleça a ordem democrática e o estado de Direito. Nossos governantes nem sabem o que isso.

Por Jacques Brand.

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