Rui vai à China destravar obras estruturantes para a Bahia.

A viagem da comitiva do Governo do Estado à China é destaque do programa Digaí, Governador! desta semana. Liderada pelo governador Rui Costa, a equipe viaja em busca de parcerias para concretizar os mais importantes projetos em áreas como infraestrutura e mobilidade na Bahia. De acordo com Rui, a ponte Salvador-Itaparica, o Porto Sul, a Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol) e o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) do Subúrbio de Salvador estão incluídos nas negociações.

“Nós vamos apresentar projetos estruturantes, investimentos na área de infraestrutura logística, na área de energias renováveis, na área de abastecimento e tratamento de água, porque eles também têm empresas que fazem investimentos nessa área. Vamos apresentar as possibilidades de investimentos na Bahia. Nós estamos otimistas, inclusive está no planejamento assinar protocolos de entendimento, [que] já [são] passos adiante para que essas empresas venham produzir aqui”, afirma o governador.

Confira!

Arte da Guerra.

Sun Tzu já dizia em a "Arte da Guerra". "Sem planejamento a derrota é certa. Organizados e mobilizados somos imbatíveis!".

Os equívocos do PT e o sonho de Lula! (Por Leonardo Boff)

Durante quatro a cinco décadas houve vigorosa movimentação das bases populares da sociedade discutindo que “Brasil queremos”, diferente daquele que herdamos. Ele deveria nascer de baixo para cima e de dentro para fora, democrático, participativo e libertário. Mas consideremos um pouco os antecedentes histórico-sociais para entendermos por quê esse projeto não conseguiu prosperar.

É do conhecimento dos historiadores, mas muito pouco da população, como foi cruenta a nossa história tanto na Colônia, na Independência como no reinado de Dom Pedro I, sob a Regência e nos inícios do reinado de Dom Pedro II. As revoltas populares, de mamelucos, negros, colonos e de outros foram exterminadas a ferro e fogo, a maioria fuzilada ou enforcada. Sempre vigorou espantoso divórcio entre o Poder e a Sociedade. Os dois principais partidos, o Conservador e o Liberal, se digladiavam por pífias reformas eleitorais e jurídicas, porém jamais abordaram as questões sociais e econômicas.

O que predominou foi a Política de Conciliação entre os partidos e as oligarquias mas sempre sem o povo. Para o povo não havia conciliação mas submissão. Esta estrutura histórico-social excludente predominou até aos nossos dias.

No entanto, pela primeira vez, uma coligação de forças progressistas e populares, hegemonizadas pelo PT, vindo de baixo, chegou ao poder central. Ninguém pode negar o fato de que se conseguiu a inclusão de milhões que sempre foram postos à margem. Far-se-iam em fim as reformas de base?

Um governo ou governa sustentado por uma sólida base parlamentar ou assentado no poder social dos movimentos populares organizados.

Aqui se impunha uma decisão. Na Bolívia, Evo Morales Ayma buscou apoio na vasta rede de movimentos sociais, de onde ele veio como forte líder. Conseguiu, lutando contra os partidos.

Depois de anos, construiu uma base de sustentação popular, de indígenas, de mulheres e de jovens a ponto de dar um rumo social ao Estado e lograr que mais da metade do Senado seja hoje composta por mulheres. Agora os principais partidos o apoiam e a Bolívia goza do maior crescimento econômico do Continente.

Lula abraçou a outra alternativa: optou pelo Parlamento no ilusório pressuposto de que seria o atalho mais curto para as reformas que pretendia. Assumiu o Presidencialismo de Coalizão. Líderes dos movimentos sociais foram chamados a ocupar cargos no governo, enfraquecendo, em parte, a força popular.

Para Lula, mesmo mantendo ligação com os movimentos de onde veio, não via neles o sustentáculo de seu poder, mas a coalizão pluriforme de partidos. Se tivesse observado um pouco a história, teria sabido do risco desta política de Coalização que atualiza a política de Conciliação do passado.

A Coalizão se faz à base de interesses, com negociações, troca de favores e concessão de cargos e de verbas. A maioria dos parlamentares não representa o povo mas os interesses dos grupos que lhes financiam as campanhas. Todos, com raras exceções, falam do bem comum, mas é pura hipocrisia. Na prática tratam da defesa dos bens particulares e corporativos. Crer no atalho foi o sonho de Lula que não pode se realizar.

Por isso, em seus oito anos, não conseguiu fazer passar nenhuma reforma, nem a política, nem a econômica, nem a tributária e muito menos a reforma agrária. Não havia base.

A “Carta aos Brasileiros” que na verdade era uma Carta aos Banqueiros, obrigou Lula a alinhar-se aos ditames da macroeconomia mundial. Ela deixava pouco espaço para as políticas sociais que foram aproveitadas tirando da miséria 36 milhões de pessoas. Nessa economia, o mercado dita as normas e tudo tem seu preço.

Assim parte da cúpula do PT, metida nessa Coalizão, perdeu o contato orgânico com as bases, sempre terapêutico contra a corrupção. Boa parte do PT traiu sua bandeira principal que era a ética e a transparência.

E o pior, traiu as esperanças de 500 anos do povo. E nós que tanta confiança depositávamos no novo, com as milhares comunidades de base, as pastorais sociais e os grupos emergentes…

Elas aprenderam articular fé e política. A mensagem originária de Jesus de um Reino de justiça a partir dos últimos e da fraternidade viável, apontava de que lado deveríamos estar: dos oprimidos. A política seria uma mediação para alcançar tais bens para todos. Por isso, as centenas de CEBs não entraram no PT; fundaram células dele e grupos, como instrumento para a realização deste sonho.

O partido cometeu um equívoco fatal: aceitou, sem mais, a opção de Lula pelo problemático presidencialismo de coalizão. Deixou de se articular com as bases, de formar politicamente seus membros e de suscitar novas lideranças.

E aí veio a corrupção do “mensalão” sobre o qual se aplicou uma justiça duvidosa que a história um dia tirará ainda a limpo. O “petrolão” pelos números altíssimos da corrupção, inegável, condenável e vergonhosa, desmoralizou parte do PT e parte das lideranças, atingindo o coração do partido.

O PT deve ao povo brasileiro uma autocrítica nunca feita integralmente. Para se transformar numa fênix que ressurge das cinzas, deverá voltar às bases e junto com o povo reaprender a lição de uma nova democracia participativa, popular e justa que poderá resgatar a dívida histórica que os milhões de oprimidos ainda esperam desde a colônia e da escravidão.

Apesar de tudo, e quer queiramos ou não, o PT representa, como disse o ex-presidente uruguaio Mujica, quando esteve entre nós, a alma das grandes maiorias empobrecidas e marginalizadas do Brasil. Essa alma luta por sua libertação e o PT redimido continua sendo seu mais imediato instrumento.

Quem cai sempre pode se levantar. Quem erra sempre pode aprender dos erros. Caso queira permanecer e cumprir sua missão histórica, o PT faria bem em seguir este percurso redentor.

Por Leonardo Boff.

NÃO PASSARÃO. (por Leandro Fortes)

O alvo sempre foi Lula.

É um trabalho interno das velhas estruturas da burguesia brasileira que se congelaram, como um vírus, depois do fim da ditadura militar.

Foi preciso mais de uma década para a construção de uma narrativa de ódio herdada do anticomunismo mais rasteiro adaptada, primeiro, ao antipetismo e, finalmente, à figura de Lula.

Lula foi o mais importante presidente brasileiro de todos os tempos, por várias razões, e os números de seus governos são, no todo, o detalhe menos relevante. 

A construção da narrativa de ódio, feita pela mídia e por uma geração de jornalistas adestrados em cursinhos de trainee, foi consolidada em cima de conceitos bizarros e raciocínios absurdos.

Fruto de uma seleta alcateia de monstrinhos treinados nas redações para superar nos métodos e nos desejos os mestres que lhe sobraram, os chapas-brancas da Casa Grande premiados, dia e noite, por sua servil mediocridade.

Nessa sopa de ressentimento, veneno e ódios diversos está a base de convencimento do juiz Sérgio Moro, por mais degradante que esse quadro se apresente sob a ótica da racionalidade de qualquer ordenamento moral.

O alvo sempre foi Lula.

Mas aqueles que pretendem se lançar na aventura de prendê-lo não têm a menor ideia do monstro popular que estão prestes a despertar.

Caso isso aconteça, Moro irá reduzir nossa história ao que éramos antes de Lula: uma nação irrelevante, miserável e permanentemente de joelhos.

Como sempre foi a vontade da Casa Grande e de seus vassalos de plantão.

O alvo sempre foi Lula.

E todos nós.

Por Leandro Fortes.

Rui Costa convoca empresários para combater o Aedes aegypti.

O governador Rui Costa mobiliza empresários baianos para entrar no combate ao Aedes aegypti, como parte das ações do Governo do Estado na luta contra o mosquito responsável pela dengue, zika e a febre chikungunya. O encontro do governador com entidades e lideranças empresariais acontece nesta terça-feira (23), às 9h, no auditório do Senai/Cimatec, em Piatã, Salvador. 

Já na quarta-feira (24), às 9h30, é a vez dos movimentos sociais e lideranças religiosas se reunirem com Rui, no auditório da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), no Centro Administrativo da Bahia. 

Durante o encontro com o empresariado baiano, Rui vai apresentar propostas para intensificar o controle e evitar a proliferação do mosquito. “Quando olhamos os dados das pessoas que tiveram dengue, zika ou chikungunya, 90% foram contaminadas em sua própria casa, então é preciso que todo mundo faça uma vistoria geral na sua residência”, recomendou Rui. “Por isso, não adianta o governo fazer a sua parte, se a população não colaborar, buscando fazer o controle em cada casa”, reforçou.

Cineasta Jorge Furtado sai em defesa de Lula e chama Moro de "juiz medíocre".

Diretor afirma que há uma campanha da “direita” contra o petista.
O cineasta gaúcho Jorge Furtado usou a sua conta no Facebook para escrever um texto em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o que chamou de “perseguição política” da “direita”.
Citando os ex-presidentes Getúlio Vargas e João Goulart, Furtado afirmou que “nunca houve uma perseguição política contra um homem público como a que a direita e sua mídia estão fazendo agora contra Lula”. Segundo ele, um “golpe de estado” só não ocorre porque Lula é “um sobrevivente do apartheid brasileiro, sem a vocação suicida de um fazendeiro rico e deprimido como Getúlio”.
O gaúcho também atacou o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba, a quem chamou de “juiz medíocre de primeira instância”. Para Furtado, o magistrado e os procuradores “tucanos” são “parte deste espetáculo grotesco, onde a imprensa de direita é, mais uma vez, a protagonista”.
Por fim, o diretor de cinema diz que, “aparentemente, a campanha” contra Lula “está funcionando”. Para ele, cresce o número de pessoas “que acreditam que Lula cometeu vários crimes, embora não saibam citar nenhum”.
Investigações contra Lula
Formalmente, o ex-presidente Lula é investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal e de São Paulo, mas não pela Operação Lava Jato, cujo juiz em primeira instância é Sérgio Moro.
Nos casos em que é investigado oficialmente, pesam sobre o petista as suspeitas de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

No inquérito conduzido em Curitiba, um sítio frequentado pelo petista é investigado, mas não o ex-presidente. O imóvel foi registrado em nome de dois sócios de Fábio Luis Lula da Silva, filho de Lula, e teria sido reformado por empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras.

Do Uol54.

Sistema de tratamento de água de chuva também contribui no combate ao Aedes aegypti.

O armazenamento inadequado da água proporciona o ambiente ideal para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, que transmite além da dengue, a febre chikungunya e o zika vírus. No norte baiano, uma tecnologia testada pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), voltada para captação e tratamento de água de chuva, também é uma importante aliada para o combate ao mosquito.
O sistema foi desenvolvido por técnicos da superintendência regional da Companhia em Juazeiro. Segundo o analista em desenvolvimento regional da Codevasf, Joselito Menezes de Souza, a tecnologia foi projetada com acessórios e dispositivos que impedem a entrada e proliferação de mosquitos.
“Esse sistema de captação, armazenamento e tratamento de água de chuva foi desenvolvido no âmbito do Programa Água para Todos do governo federal. Ele é composto por um reservatório para o armazenamento da água da chuva e diversos dispositivos que proporcionam o tratamento de água para que ela atinja o padrão de  potabilidade. O sistema foi desenvolvido para impedir a entrada de insetos que possam causar danos à saúde humana”, ressalta Menezes.
Por conta de sérios problemas ligados à falta de água no Nordeste, muitos produtores têm optado por estocar água em galões, baldes, garrafas e caixas, sem tomar cuidados com a proteção adequada desses reservatórios. O analista em desenvolvimento regional da Codevasf em Juazeiro Joselito Menezes de Souza lembra que a população precisa cuidar frequentemente da limpeza e inspeção dos reservatórios utilizados no armazenamento de água, a fim de evitar a proliferação do Aedes aegypti.
“Nós recomendamos a revisão das calhas que fazem a condução da água captada dos telhados; deixar os reservatórios, como as cisternas, sempre tampados; e ter uma atenção especial com os suspiros, que são os extravasores da água das cisternas, para que eles fiquem cobertos e protegidos por uma tela de mosquiteiro para impedir a entrada de insetos”, adverte.

Os dispositivos e acessórios são de baixo custo de instalação e manutenção, além de facilidade na sua operação, por isso não necessitam de treinamento específico para operá-los. Trata-se de uma tecnologia social que visa assegurar a qualidade da água para fins de potabilidade, que pode auxiliar produtores, cooperativas e outras entidades no atendimento de exigências e recomendações dos Ministérios da Saúde e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Vargas, Juscelino, Lula.

O ódio vítreo que se construiu contra Vargas e JK é semelhante ao direcionado a Lula
A característica certamente mais exemplar de nossa história é a conciliação. De cúpula sempre (ou seja, conciliação em nome da preservação dos interesses da classe dominante), impedindo a revolução (como tal entenda-se também a simples ameaça de emergência das massas) e retardando as reformas das mais simples às mais essenciais – todas, como meras reformas, pleiteadas conforme as regras do regime que não visavam a altera.
Em todos os momentos graves, a ruptura – ainda quando uma exigência histórica – cedeu espaço à concordata pois o essencial foi sempre a conservação dos donos do poder no poder. Da Colônia ao Império, do Império à República, e até aqui.
Mas a opção pela conciliação não impediu que nossa história fosse, desde o Primeiro Reinado, juncada de irrupções militares, às vezes quase só motins, como aqueles que precederam (preparando-a) a Independência e a sucederam (consolidando-a), até a resignação do Imperador, de malas prontas para o cerco do Porto e a revolução liberal que, depondo d. Miguel, faria D. Maria, a rainha brasileira dos portugueses, subir ao trono.
No Segundo Império a preeminência militar senta praça após a infeliz guerra ao Paraguai, quando nossas forças de terra e mar alcançam algum grau de organização e profissionalismo/profissionalização e, animadas pelas penosas vitórias nos campos de batalha, decidem exercer presença na política imperial.
Era propício o momento, com as seguidas crises dos seguidos gabinetes, as campanhas abolicionista e republicana e, no plano ideológico, o positivismo grassando na caserna e conquistando a jovem oficialidade. Assim, na formação histórica brasileira, temos duas linhas convergentes sob o fundo autoritário: a conciliação e a insurgência militar.
Mas na altura do II Reinado nada que sugerisse, nem de leve, o que seria a presença desestabilizadora dos militares na República. Se o marco inaugural foi a ‘parada militar’ do 15 de novembro, que derrubou o Império e viu a República consolidar-se com o golpe de Floriano, o ciclo se fecha com a conjuração do golpe de 1º de abril de 1964, que se afirmaria como uma ditadura de 20 anos.
Entre um polo e outro, de intentonas e sublevações seria rico o primeiro terço do século: o levante do Forte de Copacabana (1922), a insurgência paulista de Miguel Costa (1924) e a coluna Prestes (1924-1927) caracterizaram a República Velha, que morreria em 1930 com a irrupção civil-militar que passaria à história como Revolução de 30, hegemonizada pelos tenentes de 22 e 24, que comandariam as forças militares e permaneceriam no proscênio da política até a ditadura de 1964: Eduardo Gomes, Juarez Távora, Cordeiro de Farias, Ernesto Geisel…
A revolução de 1930 – que empossa Getúlio Vargas –, transforma-se na ditadura do Estado Novo em 1937, após sufocar um putsch integralista (1932) e um levante de militares comunistas comandados por Luís Carlos Prestes (1935). Os mesmos generais responsáveis pelo golpe de 1937 (à frente de todos os generais Góis Monteiro e Eurico Gaspar Dutra) agora se levantam contra Vargas, e abrem caminho (1945) para a restauração democrática.
Inicia-se com um general, o ex-ministro da Guerra da ditadura, o general Dutra, o ciclo de presidentes eleitos pelo voto popular e de regimes democráticos que os mesmos militares sufocariam 18 anos passados.
Após uma sequência de golpes militares e tentativas de golpe – deposição e renúncia de Vargas (1954); tentativa de impedimento da posse de JK-Jango e contragolpe militar de Lott-Denis (1955), tentativa de impedir a posse de Jango (crise da renúncia de Jânio Quadros) e golpe parlamentarista (1961) – a estratégia da preeminência militar abandona as intentonas e as irrupções, para exercer um efetivo superpoder, pairando acima dos três poderes constitucionais, regendo a República sem depender da soberania popular ou submeter-se a qualquer regramento.
Foi o largo período dos pronunciamentos militares manifestando-se sobre a vida civil e interferindo na política. Naquele então o Clube Militar era uma instância suprema, na qual os destinos do País eram decididos. Naquele então, os militares se pronunciavam sobre tudo, até sobre os índices do salário-mínimo, e podiam exigir e obter a demissão do ministro do Trabalho que ousava favorecer os interesses dos trabalhadores.
Momento dos mais significativos dessa preeminência – ou do exercício desse poder para-constitucional –, seria observado, no regime democrático, em 1954, com a ‘República do Galeão’, anunciando o que seriam os tempos da ditadura de 1964-1984.
Os fatos estão no registro da história. Em agosto de 1954, uma desastrada tentativa de assassinato de um jornalista (Carlos Lacerda) termina com a morte de seu guarda-costas, um major da aeronáutica (Rubens Vaz), da ativa, o que enseja a brigadeiros e coronéis da FAB instalarem um IPM – à revelia da Polícia Civil – e, sob o pretexto das investigações desse crime, instaurarem o que ficou batizado como a ‘República do Galeão’, em homenagem ao aeroporto carioca em cujas instalações militares os coronéis operavam, à margem da ordem legal.
E assim sem leis a observar, desconhecendo limites a obedecer, o comandante do inquérito, ou presidente dessa República auto-constituída dentro da República constitucional, tornou-se um reizinho absoluto, porque tudo podia, todas as diligências, todas as prisões, senhor que era de todas as jurisdições. Porque tinha o respaldo de seus superiores – fortalecidos em face da fragilidade crescente do governo e de seu chefe – e o aplauso da grande imprensa, que o incentivava.
Tudo queria, tudo podia e tudo alcançava porque seu objetivo, o objetivo do IPM e da ‘República’, não era apurar a morte do major guarda-costas, mas atingir, como afinal atingiria mortalmente, a honra do presidente Getúlio Vargas, alvo da mais injuriosa, da mais violenta campanha de imprensa jamais movida no Brasil contra um chefe de Estado.
A infâmia, a injúria e a difamação não conheciam limites, invadindo mesmo sua privacidade e a intimidade de sua família. Vargas, o homem, o presidente, o líder de massas era o objetivo da imprensa unanimemente hostil, a serviço da direita derrotada com sua eleição em 1950.
Destruí-lo era o desejo de uma oposição desvairada, era o projeto de militares sublevados e de setores ponderáveis da classe-média, conquistados para a razzia antivarguista pelas denúncias, jamais comprovadas, de um ‘mar de lama’ que correria pelos inexistentes porões do discreto e quase ascético Palácio do Catete.
Enterrado Vargas, empossados Café Filho (presidente), Eduardo Gomes (ministro da Aeronáutica) e Juarez Távora (ministro chefe da Casa Militar), encerraram-se os inquéritos e nem os militares, nem a imprensa, nem a antiga oposição voltam a falar em corrupção.
Em 1964, retornam os IPMs, os inquéritos comandados por coronéis, e a caça às bruxas, primeiro indiscriminadamente, em seguida de forma metódica, com alvo preciso, o ex-presidente Juscelino Kubitscheck. Mas aí era um regime de exceção, uma ditadura.
Os inimigos do novo regime foram transformados, uns (pessoas e entidades, como os sindicatos) em subversivos, outros em corruptos, e porque eram inimigos do regime eram, necessariamente, aos olhos deste, subversivos ou corruptos. Antes de acusados eram condenados, pois a acusação era a justificativa da condenação prévia, e os acusados eram presos para que seus crimes fossem apurados, apurados para justificarem a condenação e a pena, já imputadas.
Juscelino era, nos primeiros anos do golpe militar, o único líder civil do regime anterior politicamente sobrevivente. Jango, Brizola e Arraes amargavam o exílio. Torna-se, assim, JK, o inimigo a ser abatido. Como não poderia ser acusado de subversivo, foi condenado como corrupto, pela imprensa e pelos militares, a imprensa repetindo o ditado dos militares, embora nada tivesse sido ou fosse apurado contra ele.
Condenado, foi chamado a depor duas ou mais vezes em inquéritos militares (pois a pena decretada era sua desmoralização pública) até que, ameaçado, temendo maiores humilhações e mesmo temendo por sua integridade física, optou pelo exílio. Os militares não falaram mais nos inquéritos abertos e a imprensa o ignorou até ser obrigada a registrar o pranto nacional em sua trágica morte.
A história não se repete, mas saltam aos olhos as semelhanças entre o ódio vítreo que se construiu contra Vargas e JK e este que a imprensa brasileira, quase em uníssono, destila, alimenta e propaga contra o ex-presidente Lula, açulando, não mais as Forças Armadas como antes, mas agora agentes policiais sem comando, procuradores sem limites e juiz na presidência de inédita jurisdição nacional.
A história não se repete. Mas o ex-presidente Lula já foi chamado a depor, na Polícia Federal, umas duas ou três vezes, e agora é intimado, com a mulher, a depor em inquérito aberto pelo Ministério Público paulista. Precisa explicar porque desistiu da compra de um tríplex em Guarujá e porque visitava um sítio em Atibaia, e porque incentivou a indústria automobilística quando o País precisava criar empregos.
Condenado sem sursis como corrupto pela imprensa – como Vargas e JK –, exposto à execração pública, decaído em seu prestígio, como agora, Lula – e eis o que se pretende – estará afastado das eleições de 2018, seja como candidato, seja como grande eleitor.
Condenação decretada, pena anunciada, procura-se uma narrativa: eis o propósito, a finalidade dos inquéritos abertos e a serem abertos. Trata-se de destruir o último grande líder popular brasileiro. E isso vale, aos olhos de seus algozes, todo e qualquer preço.
A burguesia regurgita o sapo barbudo que as massas a fizeram engolir nas últimas eleições.

Por Roberto Amaral.

DESALENTO PETISTA (MAS HÁ OUTRO CAMINHO)

Após mais de uma década sob a hegemonia de uma estratégia que elegeu a  conciliação como valor absoluto; do pragmatismo  consolidado como caminho único para mudanças (sempre graduais); da estigmatização da mobilização social e do enfrentamento ideológico, eis que hoje a maioria dos quadros petistas e boa parte da militância de base se encontra prostrada.

Converso com meus companheiros e companheiras, militantes, quadros intermediários e mesmo dirigentes do PT e, em quase todos, só vejo desalento, pessimismo e desorientação sobre o cenário político-econômico. Sobram derrotismo, passividade,  conformismo. 

Mas, ora: nunca o PT e o projeto democrático-popular estiveram tão atacados. Estivemos à beira do impeachment de Dilma e Lula pode  até ser preso! A conjuntura exige mais do que nunca reflexão, coesão,  clareza, disposição de luta, mobilização.

TODAVIA, a responsabilidade sobre esse estado de torpor não  pode ser atribuída apenas à militância e aos quadros médios. 

Defensivismo, falta de combatividade,  burocratismo, acomodação, ausência de formação política, hiper-pragmatismo, distanciamento da luta social foi um arcabouço construído pela maioria da direção petista  e pelo nosso Lula nos últimos 20 anos.

O mais grave: mesmo nesse momento de crise mais aguda, nem a maioria da direção do  PT, nem Lula, e muito menos Dilma fazem qualquer movimentação assertiva, combativa, de enfrentamento ao tsunami reacionário.

Parecemos todos avestruzes, com nossas cabecinhas docemente enfiadas no chão.

Será que a tática (genial e secreta)  é apanhar seguidamente sete rounds e reagir no final do oitavo, com um nocaute espetacular, mimetizando Mohamed Ali - naquela lendária luta contra Foreman?

Um exemplo: alguém sabe explicar o  que foram aquelas três inserções do PT veiculadas semana passada? 

A protagonizada pelo Rui trouxe bom discurso, mas sem um chamado mais concreto à luta. A outra, reproduziu um senso comum, meio auto-ajuda, na linha "sou brasileiro, não desisto nunca" - inócua. E a terceira, pior de todas: conclamou todos brasileiros, os azuis, os verdes e  os vermelhos a abaixarem suas bandeiras, porque o momento agora é de união nacional. Cumã? Será que combinaram com os tucanos isso? Really?

Logo agora, no momento que deveria ser  de absoluta resistência, de organizar a contra-ofensiva ao golpismo e à tentativa de destruição do PT e  linchamento do Lula? 

Nesse quadro crítico, a linha da nossa direção é baixar as bandeiras vermelhas? Fugir do enfrentamento político? Torcer para crise  passar? É conciliar com quem quer nos exterminar?

Todos os dias fico me perguntando o que mais  precisa acontecer para o governo Dilma mudar sua política econômica ou para a presidenta trocar o Ministro da Justiça e dar um basta aos abusos da Polícia Federal tucana.

E o que ainda mais falta para que  Lula e a  maioria da direção do PT reajam  partam para a disputa aberta contra a direita? Quando vão parar de subestimar a grande mídia, o aparato MP-PF-Judiciário, o PSDB, a burguesia, o imperialismo?

Será que estamos esperando a prisão de Lula e a cassação de registro do PT para pensar em começar a reagir?

Daí porque que só restou à  maioria da militância petista - forjada na política de conciliação - um governismo acrítico e um profundo desalento.

O que nos salva é que nesse Brasil  existe  muita esquerda organizada. E existe o petismo, uma ampla massa militante e simpatizante, que pode fazer a diferença. 

Temos a Frente Brasil Popular (com CUT, MST, UNE, CMP), temos a Frente Povo sem Medo, temos movimentos sociais, temos o ativismo digital, a juventude progressista, temos PSOL, PCdoB, setores do PDT, PCO, a base petista não entorpecida. 

Esses setores barraram o impeachment. Apontaram a  possibilidade da construção  um campo de resistência e re-afirmação do projeto democrático-popular e socialista no Brasil.

E são esses atores que no dia 17 de fevereiro, 10h, estarão no Fórum da Barra Funda dizendo para as elites: "mexeu com Lula, mexeu comigo".
 CAMINHO) Julian Rodrigues.

Dilma e ministros viajam para participar de ações contra Aedes.


Presidente participará de ato no Rio de Janeiro neste sábado (13).
Cerca de 220 mil militares atuarão em 356 municípios durante mobilização.

A presidente Dilma Rousseff e 23 ministros do governo viajarão no próximo sábado (13) para participar do dia nacional de mobilização contra o mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão dos vírus da zika, da dengue e da febre chikungunya.
O dia nacional de mobilização ocorre em meio às medidas do governo para combater o vírus da zika, apontado pelo Ministério da Saúde como responsável pelos casos de microcefalia que têm sido registrados em bebês desde o ano passado.

Segundo o Ministério da Defesa, no sábado, cerca de 220 mil militares da Forças Armadas percorrerão 356 municípios do país – as 27 capitais e 329 cidades consideradas “endêmicas” – para informar a população sobre a importância de erradicar os criadouros do Aedes aegypti.
Em discursos nos eventos dos quais tem participado desde as últimas semanas, a presidente Dilma tem dito que, enquanto não há vacina contra o vírus da zika, a sociedade precisa se engajar para que os focos de reprodução do mosquito sejam eliminados. Ela chegou a fazer um pronunciamento à nação, na semana passada, no qual disse que a “guerra” contra o Aedes é complexa.
Dilma
Enquanto os ministros estarão em 23 cidades do país, a presidente Dilma deverá participar da mobilização contra o mosquito no Rio de Janeiro. A cidade sediará os Jogos Olímpicos deste ano, em agosto, e tem sido foco do noticiário internacional quando o tema do vírus da zika é abordado.
Segundo o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, mesmo com o atual cenário, não há a possibilidade de o Brasil abrir mão de sediar as Olimpíadas. Ele tem dito também que órgãos internacionais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Comitê Olímpico Internacional (COI), podem ajudar a explicar à comunidade internacional que não é preciso deixar de visitar o Brasil em fução do surto do vírus da zika.
Veja abaixo a lista de onde cada ministro estará no dia de mobilização:
Jaques Wagner (Casa Civil) – São Luis (MA)
Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) – Manaus (AM)
Edinho da Silva (SECOM) – Maceió (AL)
Marcelo Castro (Saúde) – Salvador (BA)
José Eduardo Cardozo (Justiça) – Fortaleza (CE)
Juca Ferreira (Cultura) – Rio Branco (AC)
Nelson Barbosa (Fazenda) – Goiânia (GO)
Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) – Natal (RN)
Gilberto Occhi (Integração Nacioanl) – Aracaju (SE)
Alexandre Tombini  (Banco Central) – Brasília (DF)
Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) – Vitória (ES)
Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário) – Belo Horizonte (MG)
Henrique Eduardo Alves (Turismo) – João Pessoa (PB)
Tereza Campello (Desenvolvimento Social) – Recife (PE)
Nilma Lino Gomes (Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos) – Teresina (PI)
Antonio Carlos Rodrigues (Transportes) – São Paulo (SP)
Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) – Curitiba (PR)
Eduardo Braga (Minas e Energia) – Porto Alegre (RS)
Valdir Simão (Planejamento) – Belém (PA)
Miguel Rossetto (Trabalho e Previdência Social) – Palmas (TO)
George Hilton (Esporte) – Campo Grande (MS)
Gilberto Kassab (Cidades) – Cuiabá (MT)
Aldo Rebelo (Defesa) – Campinas (SP)
Filipe Matoso
Do G1, em Brasília.

Os equívocos do PT e o sonho de Lula!

Durante quatro a cinco décadas houve vigorosa movimentação das bases populares da sociedade discutindo que “Brasil queremos”, diferente daquele que herdamos. Ele deveria nascer de baixo para cima e de dentro para fora, democrático, participativo e libertário. Mas consideremos um pouco os antecedentes histórico-sociais para entendermos por quê esse projeto não conseguiu prosperar.

É do conhecimento dos historiadores, mas muito pouco da população, como foi cruenta a nossa história tanto na Colônia, na Independência como no reinado de Dom Pedro I, sob a Regência e nos inícios do reinado de Dom Pedro II. As revoltas populares, de mamelucos, negros, colonos e de outros foram exterminadas a ferro e fogo, a maioria fuzilada ou enforcada. Sempre vigorou espantoso divórcio entre o Poder e a Sociedade. Os dois principais partidos, o Conservador e o Liberal, se digladiavam por pífias reformas eleitorais e jurídicas, porém jamais abordaram as questões sociais e econômicas.

O que predominou foi a Política de Conciliação entre os partidos e as oligarquias mas sempre sem o povo. Para o povo não havia conciliação mas submissão. Esta estrutura histórico-social excludente predominou até aos nossos dias.

No entanto, pela primeira vez, uma coligação de forças progressistas e populares, hegemonizadas pelo PT, vindo de baixo, chegou ao poder central. Ninguém pode negar o fato de que se conseguiu a inclusão de milhões que sempre foram postos à margem. Far-se-iam em fim as reformas de base?

Um governo ou governa sustentado por uma sólida base parlamentar ou assentado no poder social dos movimentos populares organizados.

Aqui se impunha uma decisão. Na Bolívia, Evo Morales Ayma buscou apoio na vasta rede de movimentos sociais, de onde ele veio como forte líder. Conseguiu, lutando contra os partidos.

Depois de anos, construiu uma base de sustentação popular, de indígenas, de mulheres e de jovens a ponto de dar um rumo social ao Estado e lograr que mais da metade do Senado seja hoje composta por mulheres. Agora os principais partidos o apoiam e a Bolívia goza do maior crescimento econômico do Continente.

Lula abraçou a outra alternativa: optou pelo Parlamento no ilusório pressuposto de que seria o atalho mais curto para as reformas que pretendia. Assumiu o Presidencialismo de Coalizão. Líderes dos movimentos sociais foram chamados a ocupar cargos no governo, enfraquecendo, em parte, a força popular.

Para Lula, mesmo mantendo ligação com os movimentos de onde veio, não via neles o sustentáculo de seu poder, mas a coalizão pluriforme de partidos. Se tivesse observado um pouco a história, teria sabido do risco desta política de Coalização que atualiza a política de Conciliação do passado.

A Coalizão se faz à base de interesses, com negociações, troca de favores e concessão de cargos e de verbas. A maioria dos parlamentares não representa o povo mas os interesses dos grupos que lhes financiam as campanhas. Todos, com raras exceções, falam do bem comum, mas é pura hipocrisia. Na prática tratam da defesa dos bens particulares e corporativos. Crer no atalho foi o sonho de Lula que não pode se realizar.

Por isso, em seus oito anos, não conseguiu fazer passar nenhuma reforma, nem a política, nem a econômica, nem a tributária e muito menos a reforma agrária. Não havia base.

A “Carta aos Brasileiros” que na verdade era uma Carta aos Banqueiros, obrigou Lula a alinhar-se aos ditames da macroeconomia mundial. Ela deixava pouco espaço para as políticas sociais que foram aproveitadas tirando da miséria 36 milhões de pessoas. Nessa economia, o mercado dita as normas e tudo tem seu preço.

Assim parte da cúpula do PT, metida nessa Coalizão, perdeu o contato orgânico com as bases, sempre terapêutico contra a corrupção. Boa parte do PT traiu sua bandeira principal que era a ética e a transparência.

E o pior, traiu as esperanças de 500 anos do povo. E nós que tanta confiança depositávamos no novo, com as milhares comunidades de base, as pastorais sociais e os grupos emergentes…

Elas aprenderam articular fé e política. A mensagem originária de Jesus de um Reino de justiça a partir dos últimos e da fraternidade viável, apontava de que lado deveríamos estar: dos oprimidos. A política seria uma mediação para alcançar tais bens para todos. Por isso, as centenas de CEBs não entraram no PT; fundaram células dele e grupos, como instrumento para a realização deste sonho.

O partido cometeu um equívoco fatal: aceitou, sem mais, a opção de Lula pelo problemático presidencialismo de coalizão. Deixou de se articular com as bases, de formar politicamente seus membros e de suscitar novas lideranças.

E aí veio a corrupção do “mensalão” sobre o qual se aplicou uma justiça duvidosa que a história um dia tirará ainda a limpo. O “petrolão” pelos números altíssimos da corrupção, inegável, condenável e vergonhosa, desmoralizou parte do PT e parte das lideranças, atingindo o coração do partido.

O PT deve ao povo brasileiro uma autocrítica nunca feita integralmente. Para se transformar numa fênix que ressurge das cinzas, deverá voltar às bases e junto com o povo reaprender a lição de uma nova democracia participativa, popular e justa que poderá resgatar a dívida histórica que os milhões de oprimidos ainda esperam desde a colônia e da escravidão.

Apesar de tudo, e quer queiramos ou não, o PT representa, como disse o ex-presidente uruguaio Mujica, quando esteve entre nós, a alma das grandes maiorias empobrecidas e marginalizadas do Brasil. Essa alma luta por sua libertação e o PT redimido continua sendo seu mais imediato instrumento.

Quem cai sempre pode se levantar. Quem erra sempre pode aprender dos erros. Caso queira permanecer e cumprir sua missão histórica, o PT faria bem em seguir este percurso redentor.

Por Leonardo Boff.

O esgotamento do Carnaval em Salvador.

A "marchinha de carnaval" mais usada esse ano para explicar o encalhe de abadás para o carnaval de Salvador é a "crise no Brasil". Com isso escondem a crise do carnaval de Salvador que tem como fator principal o estrangulamento da sua identidade popular. Tem até um cantor que ao se desfazer da banda famosa (por processos trabalhistas) e partir para carreira solo, agora diz que banda não retorna por causa da crise (...). 
Abadás dos(as) grandes artistas que outrora esgotavam suas vendas em novembro ou dezembro, hoje estão encalhados.
A crise no país e no mundo influencia, mas a crise no carnaval de Salvador não é a que se abateu em 2015 em todo o país e sim uma crise que vem crescendo há muito tempo sob a égide do grande empresariado do entretenimento em conluio com os poderes público municipal e estadual e parte da mídia.
O modelo de carnaval imposto em Salvador e bem sucedido por duas décadas (1980,1990) está esgotado. Abadás, cordas, cordeiros, privatização do espaço público, das ruas, praças, etc. É esta lógica que algum tempo já dava sinais de cansaço. Contudo, isto não foi suficiente para o empresariado local que, ao contrário do que já mostrava tais sinais, conseguiram radicalizar naquilo que mais afasta o nosso carnaval do seu caráter popular, espontâneo e democrático, apostando na segregação da camarotização da nossa maior manifestação cultural. O hedonismo e a miopia dos que sempre lucraram foi um dos fatores fundamentais pra a crise de identidade que estamos passando e isso precisa ser dito tambem.

"Tomara que esta ano eu encontre de novo
no meio da rua, no meio do povo
Mortalha encharcada de cerveja até o pé
e a boca lambuzada de acarajé..."
Walter Queiroz  

Dos versos de Walter Queiroz que remetem à mistura e ao encontro até as músicas atuais de ostentação que falam de camarotes, uísques, carrões, status e segregações diversas, existiu uma progressiva e corrosiva construção de um carnaval em que o povo é secundário. Todos os símbolos contidos na festa tem hoje (mais do que nunca) a etiqueta das diferenças e isso não foi por acaso.
Ainda sim, a festa passa hoje por transformações mesmo com o cerco do poder público às manifestações espontâneas alternativas ao carnaval da indústria.
O empresariado tem sua importância, mas precisa entender para além do lucro de um ano de carnaval; maturidade é para poucos...

Fernando Monteiro.

Os novos Ismael-Olavos rescrevendo sua história.

Na madrugada desta última terça-feira,  26 de janeiro de 2016, o sol dava apenas os seus primeiros sinais de luz e o sono e os sonhos de cerca de uma dúzia de jovens adolescentes - a maioria entre 12 e 14 anos de idade - são cortados abrupta e cruelmente por chutes, tapas, gritos e xingamentos, por um grupo de policiais militares, fardados, herdeiros da truculência dos violadores da democracia no período da Ditadura Militar no Brasil.  A mesma violência que há 43 anos matou, sob tortura, num quartel do Exército de Goiânia, um outro jovem - Ismael Silva de Jesus, 18 anos, cujo nome foi dado à escola desses que apanharam hoje, por exercerem também o mesmo direito de sonhar e de lutar por seus sonhos. 

Ha cerca de 40 dias, esses meninos e meninas ocuparam o Colégio Estadual Ismael Silva de Jesus, no Bairro da Vitória, na periferia Noroeste de Goiânia - uma das áreas mais populosas e mais pobres da capital do Estado de Goiás. 
Eles repetem aqui no Cerrado um movimento  de resgate da cidadania dos jovens estudantes que começou na quase quinhentoscentona cidade de São Paulo, impedindo que o governo daquele estado implantasse um novo e não discutido projeto de educação, que previa o fechamento de centenas de escolas em todo o Estado.  Aqui em Goiânia,  no Bairro da Vitória, os novos líderes, que nasciam como os verdadeiros "políticos-jardineiros" descritos por Rubem Alves em seu texto "Sobre Política e Jardinagem, foram tratados com a mesma desumanidade que, em 1972, fez sucumbir o menino-mártir Ismael Silva de Jesus.

Há exatos 30 dias, esses mesmos meninos sequer sabiam a história do outro jovem que dera sua vida pela democracia e o seu nome para o colégio que então ocupavam, para resistir às não discutidas, mas fartamente publicitadas nas telas das TVs, tentativas  do Governo de Goiás de iniciar um processo de semi-privatização da educação. Sem qualquer discussão do projeto com a comunidade - professores, alunos e pais - , ele pretende passar a administração das escolas estaduais de Goiás a uma empresa privada (OS), sem nem mesmo concorrência pública e escolhendo para isso uma empresa sem qualquer experiência em administração escolar, mas de máquinas gráficas. Pela primeira vez em suas vidas, falando comigo - jornalista, escritora e membro da Comissão da Verdade Memória e Justiça do Sindicato dos Jornalistas de Goiás e da Rede Brasil, Memória, Verdade e Justiça -  esses meninos e meninas ouviram alguém falar-lhes sobre a história de Ismael Silva, que tem o nome de sua escola; pela primeira vez eles souberam das torturas praticadas contra milhares de brasileiros - a maioria estudantes como eles -, tão somente porque aqueles, assim como eles, queriam participar da escrita de sua própria história.

Quem era Ismael de Jesus?

"Ismael Silva de Jesus era um jovem quase como vocês aqui. Ele tinha apenas 18 anos de idade, quando foi preso e torturado até a sua morte, no dia 19 de agosto de 1972. Ele era um menino que sonhava com um Brasil melhor para todos, que defendia a liberdade, a justiça, a volta da democracia, o direito dos brasileiros se reunirem, de cantar, de sonhar com um amanhã com mais felicidade para todos. Ele não era um terrorista. Era apenas um menino sonhador, corajoso e indignado com  o projeto de país que os militares e as elites políticas empresariais, incluindo os donos das emissoras de rádio, TV e jornais,  estavam implantando no Brasil há oito anos, então. Por isso, ele se filiou a um partido que na época tinha sido colocado na clandestinidade - o Partido Comunista Brasileiro. E o seu crime era ser o responsável pelo empréstimos de livros aos demais companheiros: ele era o bibliotecário do PCB."

- Por que O Ismael não falava o que eles queriam e parava com a tortura?- perguntou-me ingenuamente um deles, de apenas 12 anos de idade, carinha limpa e cabelo bem penteado. 
- Porque somente os fracos ou os covardes, entregam os seus companheiros - respondi-lhe.
- Como "entregavam"? - continuou na sua ignorância da história política do seu país, do seu Estado, da sua cidade e do seu colégio.
- Quando uma pessoa presa falava os nomes de seus companheiros, eles estava denunciando eles, confirmando que os conheciam e que eram comunistas. E naquela época da Ditadura, os comunistas era todos presos, muitos deles seqüestrados, torturados e muitos morreram sob tortura. Por isso, para sua segurança, todos eles escolhiam um codinome, um apelido, para ser chamado no partido. O Ismael, por exemplo, era chamado de Olavo. Ele foi preso e muito torturado, pra que dissesse os nomes das pessoas para quem eles emprestava livros. Esse foi o seu crime. E por causa disso ele morreu. Com o corpo marcado pelas manchas da tortura, um olho furado e unhas arrancadas seu corpo foi entregue à família, com um Atestado de Óbito informando que ele havia "suicidado". 

"O meu marido, que também era jornalista como eu, também estava preso no mesmo quartel que o Ismael. Numa cela vizinha à sua. E ele foi uma testemunha auditiva da agonia de morte de Ismael. E então, ele fez a si mesmo uma promessa: "No dia que eu tiver meu primeiro filho, ele vai se chamar Olavo, para continuar a sua luta que foi interrompida, companheiro!" E assim aconteceu. Nosso filho mais velho tem o nome de Olavo e, inclusive, aprendeu a andar correndo pelos corredores das cadeias em que o pai dele esteve preso por três vezes, nessa época do terrorismo instalado no Brasil pelo próprio governo federal: a Ditadura Militar. E, por isso, eu estou hoje muito emocionada de estar aqui com vocês. Agora, é a vez de vocês assumirem a construção de sua própria história. E vocês estão fazendo isso muito bem. Parabéns!"

Assim eu fui falando, rápida, mas suavemente, com aqueles jovens da Escola Estadual Ismael Silva de Jesus, que há duas semanas a haviam ocupado, tentando chamar a atenção do Governo do Estado, do PSDB, como se a gritar: "Olha aqui! Nós não somos invisíveis! Também queremos participar da discussão do nosso futuro, queremos participar da construção da nossa história!" Eram só meninos e meninas de sorriso fácil, de muitas perguntas, ingenuidade e coragem. Tudo estava extremamente limpo, inclusive eles. "Aqui não se entram drogas. Nem cigarros!" - dizia um cartaz grande escrito por eles, logo à entrada. Terminado o bate-papo, todos sentados em roda e falando um por vez, ofereceram-me um café coado na hora e um pão com manteiga que eu mesma lhes havia levado, junto com outros pacotes de macarrão, sucos, material de limpeza etc.  

O Governo de Goiás entrou com uma ação na Justiça, pedindo a reintegração da posse e não a obteve. A Justiça entendeu que os meninos e meninas tinham direito de ocupar sua escola e discutir com o Governo o seu futuro. Mas hoje de manhã, me vem a notícia do absurdo! Esses jovens Ismael/Olavo, que apenas começam a tomar consciência da sua cidadania, ao invés de serem estimulados a se desenvolverem mais, sendo respeitados e ouvidos, esto sendo espancados, pisoteados, agredidos, xingados como se fossem o lixo do lixo não reciclado. Quando estive lá, não imaginava que a história pudesse ser repetida. Agora, todos eles são também vítimas da truculência que a Ditadura deixou de herança à Polícia Militar, criada naquela época. 

Os novos Ismael-Olavo:
Meu corpo, minhas regras!

Pela Internet, recebi várias mensagens narrando as atrocidades cometidas pela polícia: "Hoje cedo, eu acordei, era umas 6 horas da manhã. Policiais entraram, ficaram me chutando… Chutaram o meu colega que estava do lado, no quarto. Me xingaram de cadela, vadia, vagabunda… Pegaram os nossos cadernos, colchões, mochilas -  nossas coisas - e foram jogando no chão. Um soldado furou o pneu da minha bicicleta que tava no quarto, mandando a gente sair. Uma amiga levou uma cadeira nas costas, um outro também. Tá todo mundo cheio de manchas roxas…" Depoimento de uma menina de 14 anos de idade, aluna do Colégio Estadual Ismael Silva de Jesus.

"Eu acordei com os polícia dando tapa na cara, cadeirada nas costas minha e dos meus amigos, xingando nós..  E bateram muito. Eu tô com roxo na perna, no rosto…" - conta outro aluno, com cara e corpo magricela de dez, mas dizendo ter 12 anos de idade.

"E eu fui uma das mais agredidas porque estava com essa tatuagem na perna. Sendo que isso não tinha nada a ver. Nem minha mãe brigou por causa disso. E outra: Meu corpo, minhas regras!" - diz a mocinha mostrando uma tatuagem de figura feminina na sua perna fina, enquanto morde um sanduíche de pão com mortadela.

Pouco depois, chega pelo Whatsapp outro emocionado relato de uma historiadora de apenas 27 anos - Mariana Barbosa - apoiadora do Movimento dos Estudantes Secundaristas:

"Escrevo esse relato aos prantos, como, aliás, estive em boa parte do dia de hoje. Escrevo porque acho que todos devem saber o que está acontecendo no Estado de Goiás, escrevo por proteção, já que a perseguição começa a se instaurar, escrevo para tentar aliviar a dor de ver aquelas crianças espancadas. 

"Às 07:00 da manhã recebi o relato de estudantes do Colégio Estadual Ismael Silva de Jesus de que a polícia havia entrado na escola às 05:40, quebrado várias coisas lá dentro, agredido vários deles e saído. Logo em seguida, chegaram várias pessoas da comunidade e um carro de som que já começava a anunciar as matrículas na escola. As pessoas da comunidade entraram no colégio e agrediram mais ainda essas crianças e as expulsaram de lá. Eles permaneceram na porta, abraçados, resistindo à todas essas agressões. 

"Quando cheguei ao colégio já tinha um advogado do movimento lá e alguns outros apoiadores, que estavam tentando acalmar os meninos, comprando lanche para eles e ajudando a pegarem seus colchões e mochilas para levarem para outra escola. Havia também duas viaturas da PM na porta, algumas pessoas da comunidade (bastante agressivas), o diretor e o sub-secretário de Educação. 

"Conseguiram um frete e colocaram todos os colchões, mochilas e objetos pessoais deles na caçamba de uma pampa. Saímos em comboio para levar esses objetos para uma outra escola e depois  levar os meninos ao Ministério Público para denunciar as agressões. Éramos três carros: o do frete, o de um professor e o que eu estava. Ao passarmos por uma rua um pouco mais afastada da escola e bem vazia, nossos carros foram fechados por mais três carros, sem nenhum tipo de identificação policial, nem nos veículos e muito menos uniformes ou distintivos nos policiais. 

"Fecharam a gente, saíram de seus carros com arma na mão mandando a gente descer e colocar a mão na cabeça. Assim fizemos. Nos trataram com muita truculência. Gritaram com as crianças, não nos deixaram pegar nossos celulares para avisar o advogado, revistaram os carros, revistaram nossas bolsas, jogaram as cosias dos meninos no asfalto. Depois, tiraram todos os colchões do frete, revistaram todas as mochilas que estavam lá dentro (e nem eram dos estudantes que estavam conosco), fizeram perguntas intimidatórias e ameaçaram: disseram que houve denúncia de furto e depredação da escola e que seríamos acusados por isso.

"Mas não encontraram nada! O que tinha lá eram esses objetos! O que fomos fazer lá foi ajudar essas crianças e adolescentes, que haviam apanhado, a fazerem uma denúncia, a levar quem precisasse no hospital e a levar suas coisas a uma outra escola. Como não tinham encontrado nada, perguntamos se então estávamos liberados. Eles disseram que estávamos convidados a irmos à delegacia. Perguntamos se podíamos não aceitar o convite e responderam que se nos negássemos a ir, PODERÍAMOS SER ENCAMINHADOS A FORÇA, e nesse momento um deles retirou algumas algemas do bolso.

"Fomos então, acompanhando os carros dos policiais para o 22º CIOPS, no Jardim Curitiba. Lá pegaram nossos nomes completos, endereços e telefones e nos entregaram mandados de intimação para prestarmos depoimentos nos dias 02 e 03 de fevereiro. Detalhe: os menores também receberam intimações! Saindo da delegacia, um pouco mais tarde, orientados pelos advogados, fomos finalmente ao Ministério Público onde as crianças e adolescentes relataram sobre as agressões que sofreram e posteriormente foram encaminhados para o IML para fazer exames de corpo de delito. Apresentamos também a denúncia da abordagem que nos fizeram.

"Estamos mobilizando todo tipo de apoio neste momento. As perseguições políticas começaram com o claro intuito de criminalizar apoiadores maiores de idade. Mas vão criminalizar o quê? Criminalizar pessoas que iam às ocupações diariamente levar comida, cozinhar, fazer oficinas? Que crime podem me acusar? De ter ido ao Ismael e em tantas outras escolas discutir com as meninas sobre violência contra a mulher? De ter feito comida pra eles vários dias e levado doações que recolhíamos de diversos apoiadores espalhados na cidade? De oferecer ajuda quando apanharam? De dar uma carona ao Ministério Público?

"Confesso que ainda estou muito chocada com tudo o que aconteceu, estou profundamente triste e assustada. Espancar crianças é muito baixo, é muito cruel. Mas o que tem me dado força é a solidariedade de pessoas não só daqui, mas do Brasil inteiro que já estão se mobilizando, porque lutar pela educação não é crime! Porém, sobretudo, e desde o começo, o que me emociona e dá forças, mesmo, é ver a garra dessas crianças e adolescentes, que têm tocado essa luta histórica em Goiás, passando por todo tipo de problemas nas ocupações e agora por mais isso, mas ainda assim permanecem firmes e nos ensinam, diariamente, tanta coisa bonita que nos traz de volta a esperança."

No início da noite ainda da terça-feira, chegam mais notícias por telefone, whatsapp e outras redes sociais, dando conta de que os estudantes haviam ocupado a sede da Secretária de Estado da Educacão e que a situação era perigosa. Lá dentro, uma meia centena de estudantes, lá fora uma centena e mais de policias. A tensão era grande e a possibilidade de mais violências também. E, para denegrir ainda mais a imagem do governo do Estado, o próprio subsecretário de Educação, o mesmo que esteve nas escolas "desocupadas", junto com os policiais, entrou no prédio, se trancou numa sala e se auto-proclamou seqüestrado. As notas na Internet mostravam imagens, visitas de autoridades e até de um diretor da OAB-Goiás, deixando clara a ridícula tentativa do subsecretário de Educação de Goiás de ludibriar e deseducar a população, criando uma situação fraudulenta.

Em Goiânia, hoje à noite, não teve chuvas ou trovoadas. É uma noite escura, calorenta e pachorrenta.   Tomara Deus que não se copiem os militares nos anos de chumbo e que não transformem as trevas desta noite  de 26 para 27 de janeiro de 2016 em novas nódoas na nossa história política!  Ditadura, nunca mais! 

* Laurenice Noleto Alves - Nonô Noleto - DRT-GO 191
Jornalista, 67 anos, aposentada, escritora e artesã licoreira
Diretora de Eventos do Sindicato dos Jornalistas de Goiás
Membro da Comissão da Verdade, Memória e Justiça do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás
Membro da Rede Brasil, Verdade e Justiça
Membro da Academia de Letras e Artes do Nordeste de Goiás

A cadeia de Lula.

A entrevista de Lula aos blogueiros (esses blogueiros… sempre contrariando a imprensa bacana) ainda vai dar muito o que falar.

Lula decepcionou mais uma vez. Quem o queria abatido, se abateu. Quem queria ver o olhar perdido, se perdeu de vez. Quem o queria na cadeia, terá que esperar a vez.

Lula disse: “To no jogo!”

Resta apenas choramingar, mentir, pinçar frases, descontextualizar.

Não há cadeia suficiente para Lula, não há construção erigida que suporte tamanha pena, que dê conta de tanto pecado. Haja grades de ferro e de aço que sejam capazes de segurar, de reter e de trancafiar tanta coisa numa só, tanta gente num só homem. Não há cadeia no mundo que seja capaz de prender a esperança, que seja capaz de calar a voz.

Porque, na cadeia de Lula, não cabe a diversidade cultural
Não cabe, na cadeia de Lula, a fome dos 40 milhões
Que antes não tinham o que comer
Não cabe a transposição do São Francisco
Que vai desaguar no sertão, encharcar a caatinga
Levar água, com quinhentos anos de atraso,
Para o povo do nordeste, o mais sofrido da nação.
Pela primeira vez na história desse país.

Pra colocar Lula na cadeia, terão que colocar também
O sorriso do menino pobre
A dignidade do povo pobre e trabalhador
E a esperança da vida que melhorou.

Ainda vai faltar lugar
Para colocar tanta Universidade
E para as centenas de Escolas Federais
Que o ‘analfabeto’ Lula inventou de inventar
Não cabem na cadeia de Lula
Os estudantes pobres das periferias
Que passaram no Enem
Nem o filho de pedreiro que virou doutor.

Não tem lugar, na cadeia de Lula,
Para os milhões de empregos criados,
(e agora sabotados)
Nem para os programas de inclusão social
Atacados por aqueles que falam em Deus
E jogam pedras na cruz.

Não cabe na cadeia de Lula
O preconceito de quem não gosta de pobre
O racismo de quem não gosta de negro
A estupidez de quem odeia gays
Índios, minorias e os movimentos sociais.
Não pode caber numa cela qualquer
A justiça social, a duras penas, conquistada.

E se mesmo assim quiserem prender
– querer é Poder (judiciário?),
Coloquem junto na cadeia:
A falta d’água de São Paulo,
E a lama de Mariana (da Vale privatizada)
O patrimônio dilapidado.
E o estado desmontado de outrora
Os 300 picaretas do Congresso
E os criadores de boatos
Pela falta de decência
E a desfaçatez de caluniar.

Pra prender o Lula tem que voltar a trancafiar o Brasil.

O complexo de vira-latas também não cabe.
Nem as panelas das sacadas de luxo
O descaso com a vida dos outros
A indiferença e falta de compaixão
A mortalidade infantil
Ou ainda (que ficou lá atrás)
Os cadáveres da fome do Brasil.

Haja delação premiada
Pra prender tanta gente de bem.
Que fura fila e transpassa pela direita
(sim, pela direita)
Do patrão da empregada, que não assina a carteira
Do que reclama do imposto que sonega
Ou que bate o ponto e vai embora.

Como poderá caber Lula na cadeia,
Se pobre não cabe em avião?
Quem só devia comer feijão
Em vez de carne, arroz, requeijão
Muito menos comprar carro,
Geladeira, fogão – Quem diz?
Que não pode andar de cabeça erguida
Depois de séculos de vida sofrida?

O prestígio mundial e o reconhecimento
Teriam que ir junto pra prisão
Afinal, (Ele é o cara!)
Os avanços conquistados não cabem também.

Querem por Lula na cadeia infecta, escura
A mesma que prendeu escravos,
‘Mulheres negras, magras crianças’
E miseráveis homens – fortes e bravos
O povo d’África arrastado
E que hoje faz a riqueza do Brasil.

Lula já foi preso, ele sabe o que é prisão.
Trancafiado nos porões da ditadura
Aquela que matou tanta gente,
Que tirou nossa liberdade
A mesma ditadura que prendeu, torturou.
Quem hoje grita nas ruas
Não gritaria nos anos de chumbo
Na democracia são valentes
Mas cordatos, calados, covardes
Quando o estado mata, bate e deforma.

Luis Inácio já foi preso,
Também Pepe Mujica e Nelson Mandela.
Quem hoje bate palmas, chora e homenageia,
Já foi omisso, saiu de lado e fez que não viu.

Não vão prender Lula de novo
Porque na cadeia não cabe
Podem odiar o operário
O pobre coitado iletrado
Que saiu de Pernambuco
Fugiu da seca e da fome
Pra conquistar o Brasil
E melhorar a vida da gente
Mas não há
Nesse mundão de meu Deus
Uma viva alma que diga
Que alguém tenha feito mais pelo povo
Do que Lula fez no Brasil.

“Não dá pra parar um rio
quando ele corre pro mar.
Não dá pra calar um Brasil,
quando ele quer cantar.”

Lula lá!

por Jari da Rocha.

TODO MUNDO É BABACA OU LULA É LIMPO?

Se houve alguém investigado nesse país esse alguém tem nome: Luis Inácio Lula da Silva.
O grande sonho de consumo dos militares? Imputar ao sindicalista Lula algum crime, algum ilícito, para tirá-lo de circulação e aplacar os ânimos dos metalúrgicos do ABC, e as polícias Civil e militar não conseguiram, o  DOI-CODI não conseguiu, o DOPS não conseguiu.
Candidato a presidente, pela primeira vez, todo o aparato midiático e de segurança nacional estava nas mãos dos adversários, que o investigaram, e nada.
Veio a eleição seguinte, a do estelionato do Plano Real, novas investigações, novas suspeitas, novas calúnias, e nada.
Veio a reeleição comprada, mais investigações, as mesmas acusações, e nada.
Outra eleição, o pavor não só da direita brasileira como internacional, farejando o risco de perder uma propriedade de 500 anos, investigações redobradas, necessidade urgente de desmoralizá-lo, e nada.
Governo bem sucedido, com os eternos deserdados do país conseguindo conquistas, a classe média na festa do consumo, a burguesada ganhando dinheiro a rodo e o pânico no império, a necessidade de retomar o poder, e nasceu o Mensalão.
De Joaquim Barbosa pode se dizer tudo, menos que não seja astuto, usuário de pouca ética e manobrador.
Pois Joaquim fez de tudo, o lícito e o ilícito, o moral, o imoral e o amoral, chegando aos amigos mais íntimos de Lula, vasculhando-lhe cada botão da cueca, rastreando, farejando como um cão faminto, e nada.
Reeleito Lula, o Mensalão teria que continuar, era preciso cassá-lo, execrá-lo, desmoralizá-lo, levá-lo ao impeachment, e o Mensalão se contentou com inocentes, a título de “domínio do fato”, porque contra Lula... Nada.
Segundo mandato terminando, moral lá em cima, popularidade a toda, capaz de fazer o sucessor, e as investigações, as mesmas suspeitas, as mesmas ilações, as mesmas calúnias, as mesmas investigações, e nada.
Nova eleição, Dilma Vana Roussef no poder, continuidade do projeto Lulopetista de soberania nacional com partilha social, e as baterias das calúnias, da maledicência, dos boatos, mudaram de direção, vasculharam até as latas de lixo da presidente, em busca de restos de documentos, notas fiscais, qualquer coisa capaz de imputá-la ladra, e nada.
Certos da absoluta honestidade de Dilma, fato notório, reconhecido até pelos seus detratores e investigadores, comentado, por eles, em declarações e entrevistas, havia que se buscar por vias indiretas, e apareceu Pasadena, com todos os assessores dela sendo ladrões, a filha, procuradora, portanto impedida de ter outra atividade, exceto o magistério, passou a ser dona de dezenas de empresas, sem que Joaquim Barbosa e milhares de Policiais Federais, o Ministério Público, ninguém percebesse.
E veio a campanha da reeleição, novamente necessário desconstruir Lula, e pariram a Lava Jato, escritório norte americano no Brasil. O alvo? Lula.
E chegaram na Odebrecht, a maior empreiteira da América Latina e uma das maiores do mundo, concorrente direta da empreiteira da família Bush, e sob os aplausos norte americanos começou o desmonte da nossa infra-estrutura.
Quando chegaram em Marcelo Odebrecht, amigo íntimo de Lula, de viagens, peladas e churrascos, a certeza: chegaram no Lula.
Arbitraria e covardemente, atropelando as leis e a dignidade, o juiz, promotor e garoto propaganda da operação Lava Jato, mandou que a polícia invadisse a empresa e apreendesse tudo: computadores, anotações contábeis, agendas particulares, recibos, bilhetinhos... Quebraram os sigilos telefônicos dos diretores da empresa e foi tanta a certeza de terem chegado em Lula, que Moro afirmou: “em poucas horas o Nine estará preso”, o nine referindo-se aos nove dedos de Lula, uma mutilação resultado de acidente de trabalho, mostrando a cínica e verdadeira face do juiz, num comentário indigno de um magistrado, em nível de moleque de esquina.
No dia seguinte, nada encontrando, ao invés de ter a dignidade de dizer que nada encontraram capaz de incriminar Lula, a afirmação do juiz foi de que “Lula não está sendo investigado”. 
Sem terem o que dizer, passaram ao ataque por vias transversas, e o filho de Lula passou a ser dono da Friboi, o maior exportador de proteína animal do mundo, de propriedade de empresário ligado ao PSDB, sendo processado por sonegação fiscal, em ação previamente acordada com o governador de Goiás, na campanha eleitoral; passou a ser dono de um castelo no Pantanal, e que fica na Toscana, sendo propriedade de um conde italiano; e comprou uma mega fazenda, que se constatou ser a Esalq, Escola de Agricultura Luis de Queirós, uma universidade pública; isso viajando em seu jatinho particular, de propriedade do empresário Eike Batista; as noras de Lula passaram a ser beneficiárias de fortunas vindas da Petrobras e de empreiteiras, culminando, agora, com Lulinha proprietário do iate do dono da Rede Tevê, calúnia propagada por um dopado troglodita lutador.
Nesta semana Lula afirmou que neste país pode existir gente tão honesta quanto ele, mas ninguém mais honesto que ele, diante do silêncio dos seus opositores, salvo os coxinhas, que ironizaram, mas estes fizeram da política religião, ato de fé, vivendo de crenças sem respaldo na realidade, comendo merda e justificando não ser merda porque colocaram sal ou açúcar, ao gosto de cada um.
Depois de décadas de investigações e da declaração de Lula, a minha pergunta é óbvia: será que neste país, da direção da polícia federal ao guardinha da esquina, só há policiais babacas, incompetentes, incapazes de investigar e denunciar um delito?
Será que neste país, de qualquer um dos ministros do supremo tribunal federal ao mais anônimo e amador aprendiz de advogado, só há babacas, incompetentes, incapazes de levar a bom termo uma peça acusatória?
Será que neste país, na mídia, do mais experiente e experimentado jornalista investigativo aos contínuos das redações, só há babacas, incompetentes, incapazes de criar fatos jornalísticos consistentes e verossímeis?
Lula é o primeiro humano, em toda a história da humanidade, a só cometer crimes perfeitos ou Lula é, realmente, um homem moralmente íntegro, limpo?

Francisco Costa
Rio, 22/01/2016.
Só pode dar tristeza ver a Folha de S. Paulo, entregar-se de corpo e alma ao aparato da direita mais obtusa. De formato leve e de fácil manuseio, o jornal paulista era tido como de esquerda, até há pouco, por alguns círculos intelectuais, inclusive da Europa. Alguns, mais entusiastas, chegavam a compará-lo ao que é hoje o Guardian, da Inglaterra, já que os franceses Le Monde e o Libération, de há muito venderam a alma ao diabo.
De uns tempos para cá, porém, o jornal paulista, cujo histórico de cumplicidade com a ditadura  não pode ser esquecido, ainda que muitos o relevem, depois que se redimiu, a partir de 1984, ao engajar-se na luta pelas Diretas-Já, vem observando uma inflexão inexorável para a suas tristes origens.
Primeiro, encheu seus quadros editoriais do que há de mais abjeto e escatológico em matéria de jornalismo marrom, de que é exemplo a turma da Veja, revista da qual a Folha, tradicionalmente, sempre se manteve à distância. Depois incorporou o pessoal da sociologia da dependência e uns tucanos de alta plumagem, como FHC e Aécio Neves.
Agora, a Folha enche o peito ao anunciar a contratação de Kim Kataguiri, o coordenador do movimento de extrema direita MBL, Movimento Brasil Livre, como um de seus colunistas. Não vou me deter aqui no exame da capacidade intelectual deste líder estudantil, de apenas 19 anos, certamente, formado nos laboratórios da CIA & Cia., como seus congêneres da Festa Mexicana, que promoveram as guarimbas, na Venezuela, em 2014.
Atenho-me à sinalização que a Folha dá, com essa aquisição exdrúxula, de  que se engaja por completo no movimento pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, ainda  que, oficialmente, tente salvar as aparências. Note-se que em 13 de dezembro último, o jornal dos Frias, afirmava, num editorial sobre Eduardo Cunha: “É imperativo abreviar essa farsa, para que o processo do impeachment, seja qual for seu desenlace, transcorra com a necessária limpidez”.
Finalmente, eu me pergunto, o que terá levado a Folha a esta guinada? Um cínico diria que a adesão do ex-venerando Le Monde, jornal fundado por uma cooperativa de jornalistas no auge França gaullista, ao capitalismo voraz deu-se por dificuldades financeiras. Estava falido e, para sobreviver, aceitou o guarda-chuva dos bancos. O mesmo se dirá do Libération, fundado por Jean Paul Sartre e considerado a vanguarda do pensamento de esquerda, na França e na Europa.
Mas este não é o caso da Folha, que, apesar de alguns percalços com credores e da invasão digital, desfruta de relativa saúde financeira. Seus atuais donos e editores, Otavinho Frias, o intelectual que teria feito a cabeça do velho patriarca Otávio Frias para desengajar-se da ditadura e aderir às Diretas-Já, assim seu irmão Luis Frias, ambos aliás com verniz da Sorbonne, já demonstraram sobeja capacidade de gestão comercial e e editorial.
folha na oban
Oxalá que algum motivo sombrio não os esteja impelindo à retomada de práticas antigas, quando aFolha, como constatou a Comissão Nacional da Verdade, apoiou o golpe de 64,  não apenas  no aspecto “financeiro e ideológico”, “mas também material”. A propósito, cita matéria do site da revista Carta Capital, de 10/12/2014, 16h26:

“O relatório final da Comissão Nacional da Verdade chancela a versão de que o Grupo Folha, dono do jornal Folha de S.Paulo, deu não apenas apoio financeiro e ideológico ao golpe de 1964, mas apoio material à repressão contra os opositores da ditadura, com o fornecimento de veículos para a Operação Bandeirante, a Oban, um centro de investigações do Exército que combatia as organizações de esquerda”.
O mesmo site reproduz a foto acima, com a legenda: “Três caminhonetes da Folha foram queimadas por militantes de esquerda em 1971. Eles acusavam o Grupo Folha de colaborar com a ditadura”.
Por FC Leite Filho.

MST 32 anos de luta.

Há 32 anos, trabalhadores e trabalhadoras rurais protagonizavam a fundação de um Movimento de luta por terra, reforma agrária e mudanças sociais no país.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) não é apenas herdeiro e continuador das lutas anteriores, é também parte das lutas que forjaram seu nascimento. Desde o sindicalismo combativo, da liberdade política e das Diretas-Já em 1984, quando já em seu primeiro Congresso afirmava que “Sem Reforma Agrária não há democracia”. 

#ReformaAgráriaPopular #MST32Anos

João Pedrosa pede desculpas a Chico e família.

O antiquário e jornalista paulista João Pedrosa enviou uma carta a Chico Buarque de Hollanda pedindo desculpas por afirmar que o cantor tinha “orgulho de ser ladrão”.

O artista divulgou que abrirá um processo contra Pedrosa ainda nesta semana.

Ele tomou a decisão depois que Pedrosa postou uma mensagem no perfil de uma de suas filhas do cantor, Silvia Buarque, no Instagram. Ela havia publicado uma foto em que aparece, pequena, ao lado do pai e da irmã, Helena. “Família de canhalhas!!! Que orgulho de ser ladrão!!!”, escreveu Pedrosa.

Na carta, enviada também à coluna e ao Painel do Leitor da Folha, Pedrosa afirma que errou e se excedeu. Diz acreditar que tanto ele quanto Chico querem “a mesma coisa para os brasileiros por vias opostas”. A do cantor “é o socialismo, e a minha, o capitalismo”.

Escreve que sua “revolta” e “indignação” com o momento atual do país são extremas e que por isso cometeu o erro de xingar a família do compositor. “Espero que acredite que o meu arrependimento é sincero”, afirma.

A íntegra da carta:

“Carta a Chico Buarque e família,

Estou escrevendo essa carta para me desculpar, se isso for possível. Eu errei e me excedi ao insultar a sua família. Infelizmente a política brasileira nos colocou em campos opostos, assim como acontece com toda a nação.

Quero crer que nós queremos a mesma coisa para os brasileiros por vias opostas, uma vida digna e próspera. A sua via é o socialismo, e a minha, o capitalismo. Desde a eleição da presidente, o Brasil entrou numa espiral negativa de ódio de classes, racial e política, que mergulhou o Brasil num caminho de decadência econômica, moral e social inegáveis, que eu acredito tragicamente irreversíveis, foi isso que motivou o meu ódio, e o meu comentário errado e infeliz.

O meu insulto foi motivado por sua associação ao PT e ao MST, são eles que eu considero ameaça à nossa dignidade e nossa democracia. Fui motivado pelas mulheres que estão dando à luz nas calçadas, aos velhos sem atendimento nos chãos dos hospitais, e principalmente, aos milhões de pais de famílias impedidos de darem pão e dignidade às suas famílias e vidas, enquanto os políticos patrocinam copas e olimpíadas, e o enriquecimento, e poder pessoal deles.

Espero que acredite que o meu arrependimento é sincero, e eu afirmo que é, mas também são extremos a minha revolta e indignação com o nosso momento atual, foi isso que motivou o meu erro. Sem mais, sinceramente,

João Pedrosa”.


Da Folha.

Um ato de felicidade.

Há certas coisas que acontecem em nossas vidas que ficam marcadas para sempre. Uma dessas passagens eu me recordei quando fui com meu filho Iury Roque comprar o berço para a minha neta. Eu me recordei de um fato interessante que aconteceu há 23 anos. Ulisses tinha nascido e nós morávamos na casa dos meus pais. Ocupávamos um quarto onde tinha uma cama de solteiro, que de tão velha, tínhamos que deixar a toalha estendida na cabeceira da mesma. Era para esconder o que o cupim tinha feito. Também havia uma banheira e era nela que colocávamos o nosso bebe. Forrada com nossas roupas, para deixar mais confortável para ele.
Um dia, no segundo mês após o nascimento, passou pela manhã Rosevaldo Binho, um grande amigo. Ele viu aquela situação. Como sempre, levamos na brincadeira e sorrimos muito. Mesmo com todo o sacrifício, nós éramos felizes. Na parte da tarde, apareceu para nos visitar outro amigão, o Walcides Batata. E não é que ele chegou com algo pesado pra zorra. Foi entrando, perguntando onde era o nosso quarto e saiu arrastando aquele pacote enorme. Ele e Binho nos presentearam com um berço lindo. Dos melhores que havia no mercado. Foi um ato que tocou o meu coração, e que até hoje me emociona ao lembrar.
É que tem coisas que nos toca o coração e a alma, e mesmo que todo o tempo do mundo passe ficará em nossas lembranças. Batata e Binho fizeram, com aquele gesto, uma família feliz. Muito mais pelo significado que pelo bem material.
E hoje, quando vejo que a minha neta está chegando, com as graças de Deus, me realizo por poder conseguir dar a ela e ao meu filho as mínimas condições para que possam ter qualidade de vida. Lembro da luta dos meus pais, que mesmo tenho uma família enorme, me deu tudo o que podiam dar. Que mesmo nas maiorias dificuldades, nunca deixaram de estar ao meu lado, cuidando, primeiro de mim, e depois de minha família.

A Batata e Binho (em memória), todo o carinho do mundo, por terem feito um dia, o dia mais feliz da família. 

Não dê luz ao inimigo.

O Partido dos Trabalhadores e a militância ficaram sem entender o movimento do atual Chefe da Casa Civil do Governo Dilma. É que no final de semana passado, Jaques Wagner deu uma entrevista no jornal folha de São Paulo, e soltou uma perola onde disse que o PT “se lambuzou” no poder. A reação da militância cobrando explicações dos seus lideres foi imediata. E teve resposta de Tarso Genro, que não gostou da generalização da fala, e de deputados e senadores que cobraram da Presidente uma explicação.
No Partido o secretário de Organização, Florisvaldo Souza, dói a voz oficial, chamando de infeliz a declaração feita.
No meio da militância, principalmente nas redes sociais, para onde migrou boa parte daqueles que encontraram refugio para continuar a defender o projeto de governo do Partido dos Trabalhadores, a reclamação contra a fala de Wagner e de ter acontecido através de uma entrevista em um órgão de imprensa declaradamente opositor ao governo, foi de indignação e revolta.

Muitos que participam de grupos como o “Coração Valente” e Militância PT13”, já pressentiam que não se deve dormir com a serpente. Pois o resultado é que ela sempre lhe morderá. E não se passou muito tempo para que Wagner, que foi notícia de capa do jornal, se tornasse, agora, alvo de denuncia.E para piorar o que ele chamou de “se lambuzou”, segundo Vaza a Jato, teria respingado também nele. Ele é mais uma vitima, entre aqueles que acham quem dar declaração no PIG, que acham que conviver com o contrario significa harmonia.