30.3.21

“Laroyê nas quebrada” lança a multiartista Carine Narciso


As falas perifericamente residentes, resistentes e (re)existentes irão circular, através da gravação e disponibilização do álbum, por plataformas digitais.

“Do meu amor, do meu cabelo e da minha quebrada, você não sabe nada”, assim a multifacetada artista Carine Narciso se apresenta nas redes sociais, reivindicando a fala preta, a fala da rua, a fala que traz o povo negro, não só como lutador nato, mas como conhecedor de seus direitos, merecedor de oportunidades e criador do seu lugar de fala.

Cantora, compositora, atriz e poeta, Carine prepara seu primeiro álbum “Laroyê nas quebrada”, com lançamento previsto para abril deste ano, por meio de uma live artística que reunirá bate papo, poesia, interpretação e música.

Dona de uma voz potente e capaz de imprimir sua personalidade e seus ideais nas composições e trabalhos, Carine Narciso é uma artista que vem se preparando, aprimorando sua voz, sua interpretação com cursos especializados e diversos experimentos artísticos. Começou seu caminho no mundo artístico através do teatro, quando descobriu que o corpo tem voz. Nesse período, já cantava e já tinha composições musicais. Fez parte do “Jovens em Senna” (grupo residente da Escola Estadual Manoel Devoto em parceria com o SESI), logo após ingressou na Sitorne (Estúdio de Artes Cênicas), passou pela Dança Afro e pelo Hip Hop e o cursou Música Popular no Núcleo Fusart. Sempre esteve em contato com a cultura negra, seja ela na fala ou na expressão corporal.

Cada uma das experiências trouxe ao canto de Carine uma construção de identidades, unindo a teoria musical e a prática da música a uma bagagem bonita de dança, poesia e performance. Foi criadora (autora e atriz) da cena “Marias de quê?!”, que esteve em cartaz na Universidade Federal da Bahia, em 2019. Na cena, embalada por Reconvexo, cantou e gritou a dor da mulher negra e periférica. Durante a pandemia, viveu a periferia e pensou numa juventude que não se vê em qualquer espelho, o que despertou a ideia de trazer a poesia/música falada. Assim, a “Preta Poesia” se fez projeto e ocupou o Instagram. Ali está seu corpo de mulher preta, lésbica, periférica, movimentando as redes e conectando a gente preta em tempos de isolamento e solidão.

Sobre a produção de seu primeiro álbum, a artista, que foi finalista do Slam Pandemia Poética 2020, diz que “Hoje, Laroyê nas quebrada,revela a força e a potência de Exu, que é Palavra, Voz, Movimento e Ação. Assim como a encruzilhada, a quebrada representa, para "os outros", medo e para nós, possibilidades. Laroyê nas quebrada traz a rua viva,o amor que fala através das ruas. É a mensagem passada, é a história contada, é a janela atenta, é a quebrada que grita. Que grita gol e que grita dor. Que denuncia o genocídio do povo preto. Que levanta a bandeira Queer. Que vive no corpo de uma mulher preta, lésbica, feminista e militante antirracista por sobrevivência, pois nunca nos foi dado o direito seguro de respirar. Laroyê nas quebrada é a vista limpa e o olho observador. É o mestre de cerimônia da rua, é o que descreve com amor a quebrada e problematiza o que se faz um problema. Laroyê nas quebrada é a voz preta que vos fala”.

A gravação do álbum de músicas inéditas de Carine Narciso tem o intuito de atingir diversos perfis, apreciadores de composições que falam de resistência, política e sociedade e também aqueles que ainda podem conhecer a realidade relatada através das canções. O projeto valoriza a música, o teatro, a poesia, refletindo as muitas facetas da artista - oito canções autorais passarão pela criação de arranjos, gravação, mixagem e finalização, sob direção artística de Gil Ferreira. Laroyê das quebrada tem idealização e realização da Mais Dois Produtora e uma equipe majoritariamente feminina, priorizando o trabalho das mulheres na produção e criação.

No dia 31 de março, quarta-feira, o público poderá conferir o lançamento do álbum em uma live potente no canal do Youtube, às 20h30min. O álbum ficará disponível nas plataformas digitais da artista.

Inscrição neste link aqui.

Siga @carinenarciso e @maisdoisprodutora !

O projeto, que conta com apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal, tem o objetivo de contribuir com a disseminação da política e das discussões sociais, étnicas e de gênero, através da música, destacando as demandas e a voz das ruas, contribuindo para dar maior visibilidade para as questões pertinentes a essa realidade.

Por: Fernanda Polonio.

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