16.4.20

Precisamos testar a população em massa para o Coronavírus (Paulo Fernando)


A questão dos Testes é muito séria. Sua não realização em massa é uma decisão política. Sabíamos da onda da pandemia que nos atingiria e não nos preparamos para realizá-los. Os Testes em massa não interessam nem ao Presidente, nem ao Ministro da Saúde nem aos Governadores. Permitem ocultar e mascarar a gravidade da situação. Muitas mortes não são contabilizadas pois não temos o resultado dos testes oficiais  que demoram absurdos 10 dias. Muitas vezes o material coletado é descartado por má conservação. Os doentes não graves também deixam de serem contabilizados. O número de infectados não dispara. Assim, para uns isto serve para afirmar que a pandemia não é grave, é uma gripezinha. Para outros serve para dizerem que estão vencendo a pandemia em suas regiões, com suas ações. O mais grave é que, em breve, poderemos ter no auge da crise um abrandamento das medidas de isolamento justificado por números falsos devido a não contabilização das mortes e do contágio. NY decidiu contabilizar como mortes devidas ao Coronavírus também aquelas de indivíduos que tendo indícios fortes como insuficiência respiratória não foram testados. Temos hoje em Minas, por exemplo, 30 mortes contabilizadas e 300 mortes suspeitas, não contabilizadas. Nesta proporção os mortos no Brasil devido ao coronavírus já alcançariam 20 mil.

Os partidários do Mito justificam a ausência de teste com o já conhecido negacionismo. Testar para que? É só uma gripezinha. Teste só para os casos graves e assim mesmo é considerado inútil. O que mais me surpreende é a postura de outros, que se consideram isentōes, acima das posições políticas, que afirmam obstinadamente que não fazemos os testes porque não temos recursos financeiros, somos um país pobre, não recebemos os testes que importamos pois a Europa e os EUA não deixam já que precisam, etc... Não são capazes de compreender que por detrás da falta de Testes existe uma decisão política que pode levar a uma grande catástrofe humanitária no Brasil com milhões de mortes. 

A reportagem da Folha de São Paulo expõe esta realidade.

Por: Paulo Fernando Carneiro Andrade / Professor PUC-Rio e teólogo.

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