24.4.20

Tá na internet: Porque mostrar as mortes por Coronavírus


Um dos grandes absurdos de quem não entendeu o que significa essa pandemia, é criticar a divulgação das mortes, e pedir que foquem nos curados. Eu nem queria comentar mais isso porque não tem limites para os adjetivos que se pode usar pra ilustrar tanta burrice e babaquice e insensibilidade com as perdas de vidas humanas. São posturas imperdoáveis diante das perdas para milhares de famílias no Brasil e no mundo, e das perdas que ainda virão. É triste, cansativo demais ter de lidar com esses absurdos. 

Mas sabem o que falei aqui para Marcio e Juninho? Gente que confunde meritocracia com a realidade, tem total dificuldade cognitiva, esses jamais entenderiam a extensão e os efeitos dessa pandemia, jamais entenderiam o significado das perdas de vidas ocorridas e das que virão, esse tipo de gente só entenderia quando fosse com eles, e pasmem, são os primeiros a sair culpando gregos e troianos por suas perdas, e a lançar mão do clássico: daria tudo pra te ter de volta. 


Eu cansei tem par de décadas de tanta asneira e hipocrisia e maldade. 

Mas pra não deixar dúvidas do meu posicionamento vou deixar claro aqui: diante de uma pandemia se mostra o trágico, as possibilidades do alcance da peste, os efeitos. Mostrar a parte trágica e dramática serve de alerta, deveria servir, ao menos, numa sociedade integrada por tantos ignorantes como a brasileira, entende-se que é mais difícil conscientizar sobre o ÓBVIO. 

Quem foca nos curados é simplesmente um grande e cruel imbecil. Me perdoem as pessoas que quero bem, caso elas tenham feito postagens destacando que é a quantidade de curados que se destaca, ou caso, simplesmente, que elas pensem ser errado mostrar o lado mais triste da pandemia, eu juro que não os quero ofender, mas vocês estão totalmente errados. Diante de uma pandemia se mostra os riscos para que as pessoas não sejam fúteis e idiotas de lotar shopping center, para as pessoas não aglomerarem, para que as pessoas busquem informações nos órgãos competentes como a OMS, dentre outros, pra melhor se cuidar e melhor cuidar do outro. É simplesmente um ato de desumanidade e criminoso relativizar, desconsiderar as mortes ocorridas e os riscos de mais mortes. 

Eu tenho três filhos, dois irmãos vivos, 8 sobrinhos, um filho de um sobrinho, e o Marcio, não admito perder nenhum deles para essa gripe. Eles são essenciais pra mim e para o Brasil e para o mundo. Eles são tudo. 

Eu tenho tanta consideração por gente, que jamais deixo de me colocar no lugar delas. Tudo o que sinto ser imprescindível pra mim, entendo ser imprescindível pra elas. Eu não preciso conhecer alguém pra respeitar seu direito de viver. Eu perdi a minha mãe aos 77 anos em outubro de 2019, e penso que ela deveria estar aqui, do lado da gente. Então, eu entendo perfeitamente que seja quem for que tem mãe, pai, avós, nonos, com qual idade for, não querem, não merecem perdê-los pra essa gripe. Eu tenho tios idosos e quero saber que eles continuarão lá, pra um dia eu ir visitá-los e matar a saudade. 

Eu tô indignada com quem relativiza vidas porque as mortes ocorrem nas famílias alheias, desconhecidas. Tô indignada com quem nem sabe o que diz sobre economia e não valoriza as vidas que poderiam ser salvas. O vírus não escolhe idade, cidade, lado político, conta bancária, grau de estudo, de intelectualidade, de informação, de o escambau. Não tem motivo pra NINGUÉM ser arrogante diante do coronavírus. O vírus anda e anda muito! Um dia desses ele pode chegar aí, e ninguém tem a menor noção de como cada organismo irá reagir, seja qual idade for, qual estado de saúde tiver. O novo coronavírus tem a ferocidade de atingir em cheio a saúde de milhares de pessoas, os pulmões, os rins, o coração, outros órgãos... Não se sabe quais as sequelas permanecerão nos que adoecem de Covid-19. 80% é assintomático. E como ficam os 20% que desenvolvem a doença sem que se possa ter qualquer segurança sobre como cada um desses 1 bilhão e 600 milhões de gentes reagirá? 

O vírus podia matar a desinformação, a ignorância, a insensibilidade, a arrogância, a hipocrisia, toda a maldade  para além de todas as futilidades, mas não as nossas gentes.

Por: Cleuza Slaviero.

Tá na internet.

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