Dimas Roque: 01/01/2019 - 02/01/2019

31.1.19

Advogado de Jeremoabo é indiciado após criar perfil falso em rede social


 
José Cleoairton deverá responder pelos crimes de ameaça, calúnia, injúria, falsa identidade e violação de segredo profissional.

Como resultado de uma investigação realizada pela equipe da Delegacia Territorial (DT) de Jeremoabo, após denúncias referentes a ataques realizados por meio de um perfil falso criado em uma rede social, o advogado José Cleoairton Matos Gama foi indiciado por vários crimes.

De acordo com o titular da DT/Jeremoabo, delegado Ailton José de Souza, além de falsa identidade, o advogado praticou os crimes de calúnia, difamação, injúria e ameaça. “Ele ainda deverá responder por violação de segredo profissional, uma vez que revelou informações pessoais passadas pelos clientes”, explicou o delegado.

Por meio das investigações, também foi apurado que os ataques estariam relacionados a disputas políticas. “Com o perfil falso, ele chegou a ameaçar de morte algumas vítimas”, completou. O material elaborado pela equipe da DT/Jeremoabo já foi remetido à da Justiça.

123 anos da Guerra de Canudos é este ano



Lá para bandas de Canudos, em um tempo que só quem ia lá era quem tinha algo muito importante para fazer. No ano de 1893, depois de peregrinar pelos sertões em busca de um lugar para moram com seus seguidores, Conselheiro decide se fixar às margens do rio Vaza-Barris, num pequeno arraial chamado Canudos.

Nasceu ali uma experiência extraordinária e talvez o primeiro movimento de Reforma Agraria no mundo. Batizada de Belo Monte. Conselheiro e seus peregrinos foram bem recebidos pela população local. Era uma comunidade onde todos tinham acesso à terra e ao trabalho sem sofrer as agruras dos capatazes das fazendas tradicionais. Um "lugar santo", segundo os que lá viviam.

O lugar atraiu milhares de agricultores pobres, índios e escravos recém-libertos, que começaram a construir uma comunidade igualitária.

Foi o bastante para o governo da época com Prudente de Moraes no comando, sofrendo pressão de grandes fazendeiros da região, unindo-se à Igreja, pedindo que fossem tomadas providências contra Antônio Conselheiro e seus seguidores. Criaram-se rumores de que Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo republicano e reinstalar a Monarquia. Era tudo mentira. Como se viu depois.

Mesmo sem nenhuma prova contra Conselheiro e seus seguidores, houveram três expedições militares contra Canudos saíram derrotadas, as quais foram derrotadas. Até que se tomou a decisão da destruição do arraial, ocasionando o massacre aproximadamente vinte mil sertanejos. Além disso, estima-se que cinco mil militares tenham morrido. A guerra terminou com a destruição total de Canudos, a degola de muitos prisioneiros de guerra, e o incêndio de todas as casas do arraial.

Este ano a cidade a Guerra de Canudos fará 123. Mesmo depois desse tempo todo, ainda hoje o povo pobre do Brasil luta por um pedaço de terra para plantar e viver.

Colégio Indígena é referência em educação na Bahia


A Escola Colégio Indígena Capitão Francisco na cidade de Rodelas é a de maior referência no estado da Bahia no ensino infantil e médio entre todas com as mesmas características.
Entre os Tuxás há um elevado índice de estudantes universitários. Existe uma demanda crescente ao ensino superior e por políticas específicas que assegurem não apenas sua inserção como também a permanência na região.

A maioria dos professores da unidade são oriundos do povo indígena. Muitos deles fizeram concurso para lecionar. O que mostra o interesse dessas pessoas que, além de dar o estudo formal, ajudam a preservar suas raízes.

O povo indígena Tuxá teve o seu território tradicional inundado pelas águas do Rio São Francisco, represadas por ocasião da construção da Hidrelétrica de Itaparica, ao fim da década de 1980.

O “Toré” é o ritual entre os Tuxá com maior representatividade. Manifestação pública e coletiva, aberta à participação de todos os índios.

Durante a sua realização, os cânticos e a dança são acompanhados da ingestão de jurema e do uso de cachimbos rituais, de madeira ou barro, e de um apito especial de madeira para atrair as forças protetoras da “aldeia”.

Vida longa ao povo indígena brasileiro!

29.1.19

Criatório de Tilápias no Nordeste da Bahia


A cidade de Nova Glória aqui na Bahia em 2017 se tornou a maior produtora de tilápia do Brasil. De lá sai a produção de quase 17 mil toneladas por ano. Essa é a maior produção do País. A informação foi publicada no projeto “Indicadores socioeconômicos do desempenho da produção de tilápia no Brasil”, realizado pela Embrapa, Unesp e Uneb.

Cerca de 50 empreendimentos trabalham com criatórios no município. Os pequenos produtores, com menos recursos e mais dificuldades, recebem do governo do estado a assistência técnica necessária para o crescimento de sua produção. Além disso, recebem ainda apoio na legalização e regularização das pisciculturas.

Na região, as cidades com seus criatórios colocaram a Bahia na quarta colocação no ranking dos maiores produtores de tilápias cultivadas no país e com isso conseguiram ganhar expressividade na atividade.

A produção de tilápia acontece durante todo o ano.

Então preste atenção, quando você estiver colocando uma tilápia para assar na sua frigideira, ela pode ter saído das águas do Velho Chico aqui do Nordeste da Bahia.

28.1.19

Lula: Cartas da prisão


Segundo o ex-ministro Zé Dirceu, “existe uma depressão pós-visita que é uma coisa séria”, para quem está na prisão. Ele descreve isto em seu livro"Zé Dirceu: Memórias - Volume 1", lançado no ano passado. Já em Memorias do Cárcere, Graciliano Ramos fala dos anos que passou encarcerado no período do primeiro governo de Getúlio Vargas. Preso na capital alagoana em março de 1936, acusado de ser militante comunista, foi enviado a cidade de Recife. De lá foi transferido para o Rio de Janeiro no navio "Manaus". Só obtendo a sua liberdade em janeiro de 1937. Durante esse tempo, esteve no Pavilhão dos Primários da Casa de Detenção, na Colônia Correcional de Dois Rios (na Ilha Grande), voltou à Casa de Detenção e por fim, pela Sala da Capela de Correção.

Livre, Graciliano escreve sobre tudo o que viu e passou na prisão. Essas memorias mostraram uma pessoa amargurada, triste e impotente. Como não havia acusação formal, sua estadia se dava arbitrariamente. Mas foram essas revelações em livros que mostrou ao mundo como uma ditadura pode ser cruel e não escolhe classe social. Escolhe pessoas.

Lula escolheu a carta, para se corresponder como um mundo aqui fora. Ele vem escrevendo de próprio punho, textos agradecendo apoios, conclamando a militância para a luta e indicando o caminho a ser seguido. Da prisão, o ex-presidente ainda é o político mais temido por seus opositores e por aqueles que sonham ocupar o seu lugar de liderança. Ledo engano os que se apressam tentando mudar o rumo da história.

Aos BRICS, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, ele fala da criação da aliança, “quinze anos atrás, o mundo vivia um momento de intenso diálogo e inovação nas relações entre os países. Apesar das guerras e da fome que atingia mais de 1 bilhão de pessoas, inclusive no Brasil, víamos nascer novas iniciativas de diálogo em torno de uma agenda global”. E profetiza (palavra da moda), “vejo com muita esperança que podemos continuar contribuindo por meio do diálogo entre nossos partidos políticos, o que é uma honra”.

Para Haddad, já no período eleitoral, uma das cartas dizia, “Será necessário trabalhar dia e noite, dialogar com a sociedade, saber ouvir e saber agir”. Ele enviou um dia após anunciar estar desistindo de sua candidatura a presidência da república. No aniversário de 71 anos de idade, a ex-presidenta Dilma Roussef, recebeu uma carta. Nela há um pedido. “Querida Dilma, estou te escrevendo para te dar os Parabéns por mais um aniversário, que você tenha força para resistir, atacando e não se defendendo”. O recado de Lula é direto contra aqueles que deram o golpe. Acusada sem provas, ela foi arrancada do poder por aqueles que deveriam defender a constituição, “com STF, com tudo”.

No Natal de 2018, a militância também recebeu a sua carta. “Esse Natal não poderei estar junto fisicamente com a minha família, meus filhos e netos. Mas não estou sozinho. Estou com vocês da vigília, que tem sido minha família, e com todos aqueles que vieram passar esse Natal junto de vocês”. Lido para aqueles que participam da vigília Lula Livre, que desde o primeiro dia do encarceramento político do ex-presidente, estão na frente da sede da polícia federal em Curitiba no estado do Paraná. Ao MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terras, ele diz que “os dias difíceis nos fazem redobrar nossas forças”. É o recado para que mesmo sofrendo tamanha injustiça, mesmo estando privado de sua liberdade, a luta não cessa. Tem que ser diária, sem interrupção, até que se restabeleça a verdade e a liberdade possa vir para todos aqueles que sofrem injustiça.

Nos últimos dias, antes mesmo de anunciar a sua desistência do mandado parlamentar, Jean Willys, recebeu mais uma carta vinda da prisão. “Eu estou convencido que temos que consolidar um forte enfrentamento político com o governo, e ao mesmo tempo, tratar de organizar politicamente o nosso povo”, disse Lula. Ele agradecia o presente que recebeu do deputado. O livro "Tempo bom, tempo ruim". “Querido Lula, eu te amo, mesmo, você está livre em mim e em milhões de brasileiros. Sem você, não seríamos o que somos. Atravessaremos esse tempo ruim, e, quando vier de novo o tempo bom, dar-te-ei um abraço livre!" Jean Wyllys.

No dia 16 do janeiro, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, esteve em Brasília. Naquela oportunidade, Rodrigo Pilha, da fanpage Botando Pilha na rede social Facebook e o Fabiano Trompetista, azucrinaram o evento. Eles ficaram a alguns metros do local e de lá tocaram várias músicas. Foi o bastante para os policiais tentarem intimidar a manifestação dos dois. O que não aconteceu. Enquanto pediam documentos, o som era executado todas as vezes que Bolsonaro ou alguém da sua equipe de ministros eram vistos. Ao final, os militantes foram levados à delegacia. Na pressa o musico esqueceu a sua identidade. Após comprovar sua idoneidade foram liberados e já participaram de outras ações. Provavelmente você já ouviu o som de “Lula Livre” sendo tocado em algum link ao vivo da rede Globo. A preferida deles.

Ao saber do acontecido na cadeia em Curitiba. Lula enviou uma carta. “Queridos Fabiano e Pilha. Soube dos acontecimentos em Brasília. Eles precisam aprender que a democracia não é um pacto de silêncio, mas sim, uma sociedade em movimento em busca de liberdade. Que toquem os trompetistas do Brasil inteiro para acorda-los para a liberdade”.

Lula está isolado na prisão. Só seus advogados, barbeiro e pessoas da família estão autorizados a estar com ele. Mas de lá daquele ambiente triste ele mostra força para manter mobilizado o Partido dos Trabalhadores, a militância de esquerda e até seus opositores que vivem a sombra do maior líder da esquerda no mundo. Eles precisam de Lula para existir.

Baronesas ocupam lugar de turistas


Imagem Ilustrativa

Hoje nós vamos falar das Baronesas que infestam o Rio São Francisco. E não estou falando daquelas da monarquia. Falo é das plantas aquáticas que a cada abertura das comportas da Usina Hidrelétrica de Itaparica são deslocadas e descem o rio e se tornam um grande problema para a cidade de Paulo Afonso. Mas especificamente, o atrativo turístico Prainha que fica às margens do Lago da PA IV.

Elas chegam a ocupar toda a extensão do rio por vários quilômetros causando a paralização das embarcações na região.

São plantas aquáticas que proliferam ao sinal da poluição proveniente do despejo de esgoto nos rios. Segundo especialistas consultados, o acumulo dessa planta nas aguas da região começou após a instalação de tanques redes para a criação de tilapias em cativeiro.
Seria a alimentação jogada na água e os dejetos eliminados pelos peixes.

Mas não pense você ouvinte que ela é uma planta ruim que estraga o rio, pelo contrário, apesar delas aparecerem ao sinal de poluição, as baronesas são espécies de filtros que se alimentam dos dejetos. O problema é que, quando a baronesa morre, tudo o que a planta absorveu e que ainda não foi jogado fora do manancial vai ser devolvido para a água do rio.
A prefeitura local, como se diz no popular, vem enxugando gelo a cada abertura da Usina de Itaparica. Mesmo tendo colocado uma barreira para segurar a chegada das baronesas as margens da Parainha, o problema continua e hoje parte do lago da PA IV em Paulo Afonso está tomada pela planta que majestosa, virou atração para os fotógrafos de redes sociais.

26.1.19

Flores de plásticos não morrem


Teve um tempo em que fui coroinha na Igreja Católica e participava de grupos de jovens que se reuniam todos os sábados a noite na Casa da Criança I. Escola administrada pela cúria diocesana de minha cidade no interior da Bahia. Tempos de lembranças bonitas. De um período onde era possível sonhar com um país melhor para todos. E foi participando das missas, ajudando na sacristia que conheci Padre Pedro. Que mais tarde veio se tornar um amigo. Tanto que na sua formatura no Curso de Direito em Recife, ele convidou a mim, Alberom e Rogério (Shell). Fomos os únicos da cidade a participar. Foi também a primeira vez que tive que usar um paletó. Peguei emprestado para poder ir.

Pedro viajava pelas cidades da diocese para rezar missas, fazer batizados e celebrar casamentos. Em uma dessas idas, ele perguntou se eu o poderia ajudar. Eu disse que sim e lá fomos nós. Eu na minha primeira viagem para este tipo de trabalho. Para mim, cada curva daquela estrada de chão era algo novo. De tão estreita, algumas vezes paramos para outro carro passar no sentido contrário ao nosso. Até hoje tenho lembranças de pessoas e lugares por onde passei.

A cidade escolhida foi Coronel João Sá no sertão da Bahia. Já ao chegar, por volta das 18h, fomos recebidos com um jantar. Tinha queijo de coalho, pão aguado, macaxeira, inhame e ovos. Confesso que depois desse dia sempre que vou colocar ovos na frigideira, lembro que ele tem que ser daquele jeito, com a gema escorrendo por sobre o alimento. Aquela senhorinha foi um amor de pessoa durante a semana. No retorno, obriguei minha mãe a fazer do mesmo jeito. Ninguém até hoje fez igual.

Também descobri naquela noite. Mais precisamente às 22h, que as luzes de toda a cidade eram apagadas. Naquele tempo não havia energia elétrica distribuída pela empresa estatal por lá. A alimentação era feita por um gerador a óleo combustível.

Mas a grande lembrança que trago até hoje daquela viagem é a de uma foto.

Era domingo. Último dia de nossa estadia por lá. Já tínhamos participado de várias missas pelas roças e escolas da região. Pedro tinha feito centenas de batizados e eu era o responsável por escrever cada um dos nomes daquelas crianças. Tomará que a pessoa da cúria em Paulo Afonso tenha entendido as letras e ajustado o português.

Pois naquele dia, teve a missa dominical e logo após, houve um casamento. E casamento todos sabem, é uma festa!

Aquela igreja pequena quase não cabiam todos os convidados e curiosos. Um calor arretado tomou conta do local, mas ninguém saía de lá. Foi o evento do dia e todos queriam ver. E eu claro, fui o sacristão.

A casa da noiva ficava em frente da “casa dos padres”. E enquanto Pedro arrumava as coisas, que iam de malas com roupas a presentes que ganhou como, galinhas de capoeira vivas, dúzias e dúzias de ovos, latas de leite ninho repletas de doce diversos, queijos... Era muita coisa a caber naquele fusca. Eu fui até a janela da casa do noivo para ver a comemoração. Eles estavam na sala. Era pura curiosidade a minha. Aquele momento era mesmo lindo. A noiva sorria entre alegre e envergonhada, sabe-se lá o porquê. O noivo era felicidade pura estampa no rosto. Novamente, sabe-se lá o porquê.

De repente alguém chama para tirar uma foto. Todos os presentes se juntam para pose. O fotografo pede para que todos respirem que vai ser agora.

- Peraí. Gritou um senhor. Todos se olharam para ver o que estava acontecendo.

O fotografo, já puto e com medo de perder a “pose”. Abaixa a máquina e fica esperando para ver o que é. Aquele homem vai até a geladeira. Estende a mão, pega um arranjo de flores de plástico e entrega a noiva. Ela recebe com um sorriso lindo no rosto.

- Vai ficar linda! Ouve-se uma voz feminina. Talvez tinha sido a mãe da noiva ou sua sogra.

Todos se abraçaram novamente. A moça deu mais um sorriso e ouviu-se o som vindo da câmera fotográfica. Estava guardado o registro da pureza de uma sociedade que parece não mais existir.

Torço para que aquela fotografia tenha sido revelada, guardada e que tenha resistido ao tempo. Coisas assim já não vemos mais.

25.1.19

Dupla é flagrada com cocaína no estacionamento de hipermercado




Os traficantes foram presos por equipes da 17ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), de Juazeiro

Os traficantes Lucas Barbosa dos Santos e Maítero Almeida dos Santos foram flagrados, na quinta-feira (24), com 43 gramas de cocaína, no estacionamento de um hipermercado, no centro de Juazeiro, por investigadores da 17ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), sediada na cidade.

Conduzida pelos policiais para a Delegacia Territorial (DT), de Juazeiro, a dupla foi autuada por tráfico de drogas e está à disposição da Justiça. A cocaína apreendida foi encaminhada para o Departamento de Polícia Técnica (DPT), onde será periciada.

Por Priscila Carvalho.

O Mito Maria Bonita



Nascida Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria de Déa em referência a sua mãe e no bando de Cangaceiros. Nasceu e cresceu no povoado Malhada da Caiçara, no município Paulo Afonso, na época município Santo Antônio de Glória, na Bahia no dia 8 de março de 1911. Ela foi a primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros.

Nem a família nem o bando de Lampião a tratavam por Maria Bonita, apelido que só se difundiu após sua morte. Há algumas versões sobre a origem desse nome. Uma delas diz que se tratou de invenção dos repórteres dos jornais do Rio de Janeiro, possivelmente inspirados no filme Maria Bonita, lançado em 1937 e baseado na obra de mesmo nome de Afrânio Peixoto. Outra, que teria sido dado por soldados que se impressionaram com a beleza da cangaceira quando ela foi morta em 28 de julho de 1938, aos 27 anos.

Foi casada com o sapateiro Zé de Neném, com ele não teve filhos. E segundo a literatura já publicada sobre os dois, ele não desempenhava bem o seu papel de marido. Ou seja, o Cabra batia fofo, como se diz por essas bandas da Bahia. A rebeldia de Maria teria sido notada já na infância. Por isso, segundo historiadores, foi que seu pai arranjou o casamento para aquieta o fogo daquela menina. No livro amores proibidos na história do Brasil, do autor, Maurício Oliveira, ele conta que Maria Bonita, após o seu casamento teria desconfiado que seu esposo gostava mesmo era de homem. Não há registro em nenhum outro livro que fale sobre este mesmo tema com este foco. E como nós não estávamos lá, vamos deixar esse assunto de lado.

Com o casamento sendo um fracasso, em 1929 tornou-se a namorada de Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como o "Lampião". E foi essa paixão que juntou o casal mais famoso do Brasil até hoje. Na amarica latina, a história de Lampião e seu grupo de cangaceiros só não é mais conhecida que a de Ernesto Che Guevarra.

Morando com os pais, um ano depois do namoro foi chamada por Lampião para fazer parte do bando de cangaceiros, assim se tornando a mulher dele, com quem viveria por oito anos. Em 2006 a Prefeitura de Paulo Afonso restaurou a casa onde ela viveu a sua infância, instalando o Museu Casa de Maria Bonita no local que hoje é visitado por turista.

Dizem que Maria Bonita engravidou quatro vezes e que em duas gravides teria perdido os filhos, sendo eles natimortos. Comprovadamente ela teve uma filha com Lampião de nome Expedita Ferreira Nunes, hoje morando na cidade de Aracaju em Sergipe e que é a única reconhecida legalmente, que foi criada por um casal de amigos vaqueiros. Existem, dúvidas sobre o parentesco dos supostos gêmeos Arlindo e Ananias Gomes de Oliveira. Ambos até então considerados filhos de Maria Bonita e Lampião.

Maria Bonita morreu em 28 de julho de 1938, quando o bando acampado na Grota de Angicos, entre as cidades de Canindé do São Francisco e Poço Redondo no estado de Sergipe, foi atacado de surpresa pela polícia armada conhecida como "volante". Foi degolada por “Sebastião do Facão” ainda viva após ser baleada no abdômen, assim como Lampião, porém este já morto, e outros nove cangaceiros.

Quer conhecer mis sobre Maria Bonita, vá a Paulo Afonso e visite a casa onde ela nasceu e conheça as histórias dessa mulher que é símbolo de resistência no nordeste do Brasil.


24.1.19

Chesf deu uma de Bolsonaro e volta atrás na informação de fechar o hospital



No dia 02 de janeiro a Companhia Hidrelétrica do São Francisco, Chesf, emitiu um comunicado, mas que só foi tornado público na segunda-feira, 21.

No comunicado a empresa informa que:

A prefeitura do município de Paulo Afonso não estaria fazendo o repasse de um convênio celebrado no dia 03 de fevereiro de 2016 entre as duas partes e que teria a vigência de 12 meses. Tendo tido dois aditivos e está com prazo final para 02 de fevereiro de 2019.

A prefeitura estaria, sob força do contrato celebrado a repassar mensalmente valores referentes a serviços especializados como exames ou consultas em diversos procedimentos clínicos para atender pacientes do município.

Esses valores cobrados, ainda segundo a nota, obedecem a tabela do SUS – o Sistema Único de Saúde.

Os serviços, diz a nota, foram prestados e mesmo que os serviços médicos hospitalar não integrem o objetivo social da empresa, ela estaria tendo um gasto anual de R$ 50 milhões.
E é aí que a coisa está pegando.

A Chesf acusa a prefeitura local de estar inadimplente com as suas obrigações. E teria deixado de pagar R$ 18 milhões, 259 mil, quinhentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos, “mesmo recebendo os repasses do ministério da saúde”.

A Chesf informou ainda que:

- Não serão realizadas mais cirurgias eletivas no Hospital Nair Alves de Souza.

- A partir de 01 de março de 2019 a urgência do hospital só irá funcionar das 07 da manhã às 19h.

- Em seis meses os leitos vão diminuir em cerca de 60%.

A resposta do município veio rápida e dura:

O procurador, Igor Montalvão, informou em nota que, a CHESF é devedora do Município em valores que superam R$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de reais), e que, em razão disso, tanto a CHESF quanto o Município estavam em um processo administrativo de compensação de débito, com um saldo em favor do Município. Por outro lado, parte dos valores cobrados pela CHESF não são reconhecidos pelo Município, pois o Contrato Administrativo firmado entre as partes estabelece que o Município irá custear os atendimentos dos pacientes aqui residentes e de algumas cidades pactuadas, todavia, a CHESF vinha realizando atendimento de pacientes de outros Estados e emitindo fatura para o Município de Paulo Afonso, sem qualquer previsão contratual.

Após a polemica, a Chesf soltou outra nota de esclarecimento no dia de ontem, onde informa que:

A Chesf não cogita encerrar as atividades do Hospital. Ao contrário, as medidas anunciadas pela Companhia fazem parte de planejamento empresarial para transferência da gestão e operação do hospital à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares que deverá ocorrer até dezembro de 2020.

Os ajustes na atual operação do Hospital Nair Alves de Souza foram aprovados pelo Conselho de Administração da Chesf e estão alinhados à natureza de atendimento pronto-socorro não ambulatorial.

A Diretoria vem empreendendo esforços para formar parceria com os órgãos competentes na busca de soluções que se adequem às necessidades de todos os envolvidos.

Na cidade a Câmara de Vereadores marcou para hoje uma Sessão Extraordinária onde será discutido ações para impedir o fechamento e encerramento das atividades do Hospital Nair Alves de Souza no município.

23.1.19

Tá na internet: O que significa “No frigir dos ovos”?


Não é à toa que os estrangeiros acham nossa língua muito difícil.

Como a língua portuguesa é rica em expressões!

Veja o quanto o vocabulário “alimentar” está presente nas nossas metáforas do dia-a-dia. Aí vai.

Pergunta:

– Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão “no frigir dos ovos”?

Resposta:

– Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar.

Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem idéias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas. Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.

Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos. Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese… etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou. O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é

tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente. Por outro lado se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco…A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho.

Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.

Entendeu o que significa “no frigir dos ovos” ?”

Tá na internet: Flávio Bolsonaro sabe


O delegado Fleury enriqueceu na ditadura, matando por encomenda. Ser chefe de esquadrão da morte, dá dinheiro.

É dessa lata do lixo da história que saiu Bolsonaro. De polícia corrupta, delegados que são chefes de grupos de extermínio, policiais que fazem segurança pra bicheiro, pra doleiros, cobertura pra transporte de milhões de reais de corrupção...

Este é o 3º ex-policial que trabalha pra Flávio Bolsonaro e cai.

Em setembro, dois ex-policiais foram presos numa operação. Os gêmeos Alan e Alex, milicianos acusados de organização criminosa, corrupção, extorsão, concussão e peculato. 
O tratamento de beleza da dona Michelle é pago pelo esquadrão da morte carioca. 

O patrimônio de mais de R$15 milhões da família (que a família não sabe explicar da onde vem), vem de organização criminosa, corrupção, extorsão, concussão e peculato - alguns dos crimes das milícias (além de assassinatos por encomenda) que Jair apoia como parlamentar.

Na dupla que quebrou a placa de Marielle Franco, o coronel Salema é apontado como chefe da milícia de São Gonçalo. Milícia apontada pelo MP-RJ como atuante na campanha de Jair Bolsonaro, provado em grampos. 

Quem matou Marielle? 

Flávio Bolsonaro sabe. 

Duro é ouvir que é disso que o Brasil precisa. De policiais bandidos, de família bandida, de primeira-dama bandida... 

Isso tudo só não me envergonha mais porque já sei o que representa os Bolsonaro, há uns 30 anos.

Por Malu Fontes.

Tá na internet: Bolsonaro em Davos: a mediocridade exposta ao mundo


A mediocridade desses 22 dias de governo, dessa matilha desqualificada que ascendeu ao poder, pode ser medida pela mais patética performance de um presidente dessa nação no Fórum Econômico de Davos, em que o delirante presidente Bolsonaro, fez um discurso de pouco mais de SEIS MINUTOS e, devido à sua comprovada debilidade cognitiva, falou mal do “bolivarianismo”, dos “governos anteriores”, do “viés ideológico”.

O presidente, que mais parecia aqueles vendedores de porta em porta, disse que o Brezil deveria ser olhado como um “balcão de negócios”, uma postura patética de um Chefe de Estado de um país que é a OITAVA economia mundial, já tendo sido a SEXTA nos tempos do seu “fantasma”, o Lula. No discurso desse beócio o trabalhador sumiu, pois tudo que ele fez foi enaltecer a criação de ambiente para que se façam negócios, pois para ele quem sofre no Brasil são os produtores.

O fato, insignificante, de Bolsonaro ter preferido ir almoçar num bandejão de um supermercado ao invés de juntar-se aos Chefes de Estado, antes do seu patético discurso, revela esse apelo grotesco a um populismo delirante, mas também pode ser uma miserável fuga, pois sem capacidade de raciocinar e de sequer ter um intérprete à altura, preferiu o ostracismo.

Enquanto Bolsonaro balbuciava besteiras em Davos, a Arábia Saudita, um país terrorista e feudal, mas que tem os bolsos estufados de petrodólares, anunciava o embargo da carne de frango do Brezil, das cinco principais exportadoras. Suspeita-se, embora a diplomacia oficial não diga, que os sauditas estão retaliando o país devido à transferência da embaixada do país de Tel Aviv para Jerusalém, o que enfureceu os árabes, principais importadores de frangos do país, sendo que a Arábia Saudita importa 14% deles.

Na realidade Bolsonaro é um detalhe, pois a equipe econômica, liderada por Paulo Guedes, fez o trabalho que se propôs: apresentar ao empresariado internacional o filé brasileiro, que será preparado por esta milícia, e será servido na forma de banquete.

A estreia internacional de Bolsonaro não surpreendeu a ninguém, mas mostra, mesmo aos mais resistentes ao fato de que sua eleição foi uma catástrofe para o país, que a escolha feita em outubro de 2018, terá um preço elevado para os trabalhadores, principalmente os mais pobres, condenados a serem expurgados definitivamente de qualquer processo de inclusão social.

Bem-vindo ao Brezil 2019.

Por professor Wellington Duarte.

22.1.19

Pesquisa monitora desempenho da hotelaria em zonas turísticas baianas



Técnicos da Secretaria do Turismo do Estado atuam na mobilização dos meios de hospedagem da Bahia para intensificar a participação na pesquisa de Sondagem Empresarial desenvolvida nacionalmente pelo Ministério do Turismo. Trata-se da quarta e última etapa do estudo referente ao desempenho econômico do setor no ano de 2018. Os dados serão base para o desenvolvimento de políticas de fortalecimento do turismo. O prazo para responder ao questionário vai até o final de janeiro.

Na última fase dessa pesquisa, que monitora o desempenho no segmento de hotéis e pousadas, o MTur coletou dados de 719 empreendimentos de todo o país. Na Bahia, 105 empresas participaram, apresentando as suas informações. As categorias pesquisadas também incluem resorts e acampamentos turísticos. Dentre os itens apurados no levantamento estão número de empregados, faturamento, gasto do turista no destino e demanda por serviços ofertados pelo meio de hospedagem.

“Este diagnóstico é importante para o aperfeiçoamento de ações estratégicas em desenvolvimento nas esferas estadual e nacional. Visa produzir avanços permanentes na qualidade dos serviços aos visitantes, a cada ano, mais exigentes", afirmou o subsecretário do Turismo da Bahia, Benedito Braga.

O apoio da Setur proporcionou, nas etapas anteriores, maior participação do empresariado baiano, observou. “Foi possível obter ampla coleta de dados e assegurar aos pesquisadores um extenso recorte relativo à Bahia. O volume significativo de informações corresponde à expressividade no turismo no Estado e já constitui  um item à parte na última fase da pesquisa. Nossa expectativa, agora, é novamente conseguir excelente resultado", disse o subsecretário.

No cenário do terceiro trimestre de 2018, divulgado no último mês de novembro, a Bahia teve destaque. Em relação à pretensão de investimentos, por exemplo, 68,3% dos empresários baianos relataram que farão aportes no negócio no prazo de seis meses. No Ceará, o percentual foi de 60,7% e em toda a região Nordeste a intenção de investir até maio é de 66,2%. Para saber mais acesse aqui.

Repórter: Ana Paula Cabral.

Movimento Cultural Viva Irará promove homenagem às ceramistas do município




A programação acontece no próximo dia 23, e integra os festejos de Nossa Senhora da Purificação

O Movimento Cultural Viva Irará participa, na próxima quarta-feira (23), de uma das mais tradicionais festividades do município localizado no território de identidade Portal do Sertão.  Durante a festa de Nossa Senhora da Purificação, padroeira de Irará, celebrada há mais de 100 anos, o movimento promove este ano uma homenagem às Ceramistas, categoria que gera renda e marca a cultura da cidade.

A programação terá início às 16h, na sede do Viva Irará (Rua Pedro de Lima, 78 Centro - Irará/BA) e conta com apresentações culturais de Charanguinha da Escola de Música Aniceto Azevedo da Cruz, capoeira e samba de roda.  A escolha em homenagear às ceramistas iraraenses, como Dona Onorina, Ritinha, Dilza, Lucia, Leninha, Margarida e Ana, é um reconhecimento à importância de seus saberes, que são transmitidos de geração a geração. A atividade tem apoio institucional da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

As ceramistas de Irará que, com sua arte, criam objetos únicos, úteis e belos, são artesãs que modelam com suas mãos as formas gordas e generosas dos porrões, potes, caborés, panelas, travessas e muitos outros objetos que usam no cotidiano doméstico e com os quais atendem às necessidades da população regional. A produção está concentrada em sua quase totalidade na mão-de-obra feminina, que emprega como matéria-prima a argila extraída dos barreiros locais e o tauá (pigmento mineral de coloração vermelha) com que reveste as peças antes da queima em fornos de lenha.

Sobre o Movimento – O Movimento Cultural Viva Irará, é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) situada no município de Irará-Ba. Começou a trabalhar no segmento cultural iraraense em 12 de setembro de 2002.  Entre outros trabalhos, o movimento atuou na organização das “Domingueiras de Irará” e elaborou, em parceria com o SEBRAE e organizações locais, o Plano Municipal de Desenvolvimento Sustentável. Além disto, o Viva organiza Saraus Literários, promove eventos e exposições e realizou algumas pesquisas sobre a cultura popular local. O Movimento mantém uma Biblioteca no Casarão onde funciona a sede.

Serviço

Homenagem às ceramistas iraraenses – Movimento Cultura Viva Irará

Quando: 23 de janeiro, a partir das 16h

Onde: Rua Pedro de Lima, 78 Centro - Irará/BA (Sede do Viva Irará)

Quanto: gratuito

Programação:

16h - Recepção aos convidados

16:30h -  Cerimônia de abertura

Composição da mesa

Hino Nacional (tocado por um capoeirista - berimbau) – Formado Mangabeira

17h - Homenagem - Exposição Fotográfica Mãos que transformam o Barro

17:20h - Pronunciamento das autoridades

18h -  Apresentações culturais

Charanguinha da Escola de Música Aniceto Azevedo da Cruz

Grupo de Capoeira

Grupo de Samba de Roda

18h - Ajeum (servido durante as apresentações)

 Fotos: Marcelo Morais (Lavagem de Irará)

A Bahia merece uma revolução na Cultura



A Bahia merece uma revolução na Cultura

Para quem não mora na Bahia a impressão que se tem quando se pronuncia o nome do estado é que a cidade de Salvador é o estado em si. Mas isto não é verdade. A Bahia é muito mais do que a capital com suas belezas e cultura pujante. A verdade é que são 417 municípios espalhados por um território com 564,733,177 km² de área. Um país dentro de outro. Assim vivem os baianos.

Nesta imensidão, é impossível, ainda, que o estado como ente possa estar presente em todas elas fisicamente com algum órgão governamental de decisão. E uma das áreas que mais carecem da presença do governo é a Cultura. Como o Brasil, a Bahia tem suas diferenças na forma e formato de suas manifestações culturais. Cada um com seu jeito, seu sotaque e suas singularidades.

No Sertão, lá onde Castro Alves descreveu as Cachoeiras de Paulo Afonso em verso que deu título a um livro seu publicado em 1876, em canudos onde Antônio Conselheiro fez a primeira reforma agrária que se tem notícia, onde repentistas, cordelistas, cantores e artistas populares lutam diariamente para manter as histórias e tradições precisam ter seus trabalhos destacados e incentivados pelo poder público, assim como acontece com as da capital.

A festa junina de Cruz das Almas, com sua guerra de espadas ou Irecê que movimenta milhões a traem turistas para dançar o forró, Serrinha com sua tradicional vaquejada no mês de setembro, o festival de inverno de Vitória da Conquista, as carrancas de Juazeiro, o artesanato de couro com suas “Xô Boi”, feitas em Macururé, a moqueca da capital e a buchada do interior. Pratos que deixam qualquer um de água na boca.

No cinema temos os festivais de Feira de Santana, mostra de cinema de Vitória da Conquista, o Vale Curtas - Festival Nacional de Curtas-Metragens do Vale do São Francisco, em Juazeiro, os atores, atrizes diretores da sétima arte que vivem a mendigar um pouco de atenção par os seus trabalhos. A mesma coisa acontece no teatro de rua pelas cidades, nos grupos que lutam no interior para produzir e encenar seus trabalhos. Muitos deles com qualidade para estar sendo apresentado no Teatro Castro Alves ou em qualquer outro do país.

Tudo isto está acontecendo na Bahia de todos os santos e de todas as cidades. O tradicional precisa ser preservado e o novo precisa vir para que novas manifestações com suas tecnologias, possam trazer conhecimento sem mudar o que já se tem nas localidades.

O governo do estado da Bahia pode, e deveria criar Diretorias Culturais, assim como já existiram as Direcs e agora conhecidos como “Núcleo Regional de Educação – NRE”.  Com estrutura para atendimento as demandas em cada regional da Cultura que é produzida. Assim haveria oportunidade para os grupos, fazedores de cultura e produtores regionais, dando a possibilidade de acesso mais direto com representantes que conheçam as suas realidades. Seria mais fácil o atendimento junto a quem conhece dos problemas de cada região, criando editais setorizados que atendam, verdadeiramente o que cada um precisa.

A maioria esmagadora desses fazedores de cultura no interior não tem as condições para fazer um deslocamento até Salvador. E o serviço de atendimento por telefone da Secretaria de Cultura para tirar dúvidas de editais, como eu já disse antes, quase todos com temas que não representam todas as regiões, mesmo sendo de boa qualidade, não supre as necessidades.

Criar Diretorias Culturais nas regionais da Bahia poderá mudar a vida de muitos desses fazedores de cultura. Eles estão precisando de uma oportunidade. E Bahia merece fazer essa revolução cultural.

Hoje os editais dispostos, em sua grande maioria, não atende a toda a Bahia. Eles atendem mais a um segmento localizado na capital e o seu em torno que a todo o estado. Isto é algo que precisa ser revisto urgentemente. A Cultura na Bahia é mais do que Salvador. A Bahia é o todo!

E como disse o poeta. “Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”. (Caetano Veloso)

Defesa Civil Estadual alerta para riscos decorrentes do aumento de vazão do Rio São Francisco


O Departamento Estadual de Proteção e Defesa Civil da Secretaria de Estado da Inclusão Social (Depec/Seit) alerta as populações ribeirinhas e equipes de Defesa Civil da região do Baixo São Francisco para o risco de alagamento, em decorrência do aumento da vazão do Rio na altura da Hidrelétrica de Xingó.

De acordo com comunicado emitido pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) na última segunda, 21, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) propôs, em Reunião de Avaliação das Condições da Operação dos Reservatórios da Bacia do São Francisco, uma alteração na operação da Usina Hidroelétrica de Xingó que conduzirá à elevação das suas vazões defluentes. O objetivo, segundo o documento é “promover condições mais seguras para o suprimento de energia elétrica, notadamente na Região Nordeste”.

A Defesa Civil Estadual, contudo, alerta a população e informa sobre a possibilidade de alagamento em algumas regiões. “A nossa preocupação é porque foi praticada, em 2018, uma vazão entre 550 e 600 m³ de água por segundo. E a Chesf já informou que há a possibilidade de, em algum momento, dobrar essa vazão para 1.100 m³/s. É fato que o Rio São Francisco estava com um volume reduzido, mas com o dobro da vazão praticada no ano passado, pode ser que algumas comunidades tenham ocupado espaços que a água atinja com essa alteração”, explica o Cel. Alexandre José, diretor do Depec. 

Conforme explica a Chesf no documento, a alteração da operação da Usina ocorrerá nas situações em que houver redução de geração eólica na Região Nordeste – portanto, a qualquer tempo. Por isso, a recomendação do Depec é que as Defesas Civis dos municípios que estão localizados no Baixo são Francisco façam a averiguação das comunidades nos locais onde haja risco de a água ocupar seu lugar de origem, para que se tenha tempo hábil de realizar ações preventivas. Neste sentido, o próprio documento ressalta a “importância da não ocupação de áreas ribeirinhas situadas na calha principal do rio”.