9.4.18

Chorei. (Por Ana Cañas)



Chorei ao saber que, ontem, ele perguntou por mim.

Chorei.

Na verdade, eu é que me pergunto como um ser humano que tem a cabeça deitada sob o machado fascista, imoral e ilegal do acordão nacional, pode se lembrar e perguntar pelas pessoas que estiveram, estão e estarão, sempre, ao seu lado.

Como ele pode, nesse momento, ainda se lembrar delas?

Manifestar esse enorme carinho e ainda consolar a todxs que estão à sua volta.
Daí eu paro, penso e me lembro:

- ‘Mas é o Lula’.

Sim, esse é o Lula, Ana.

O cara que é amado por cada brasileiro que já passou fome, que batalhou para entrar numa universidade ou por aquele que luta para ter os seus direitos garantidos e expandidos neste país.

Obrigada Luís Inácio, por nos mostrar como é que se faz.

Por nos ensinar como se ama.

Quis o destino que eu estivesse em Curitiba ontem, hoje e amanhã para fazer shows - e não ao seu lado nesse momento, cantando, especialmente agora, para Dona Marisa.
Mas estou em espírito, coração, alma e vida.

Estou lá.

Estou aí.

Cantando qualquer canção que o senhor me pedisse.

Talvez a favorita dela.

Talvez a canção de vocês.

Fico devendo essa.

E sigo aqui, na república de Curitiba, sentinela e atenta, urubuservando - como dizia Science, a geral.

Ontem, durante o show, um senhor se manifestou, bradando:

- ‘Lula preso! Lula na cadeia!’.

Eu parei a apresentação e lhe disse, gentilmente:

- ‘amigo, recomendo à você, com todo meu carinho, dignidade, respeito e amor, que procure se informar a respeito do que está verdadeiramente acontecendo no seu país, neste momento.’

Ele se levantou, arrancou a mulher da cadeira (que, contrariada, manifestava seu desejo de permanecer no teatro) e o filho do casal, visivelmente envergonhado.

Se retiraram.

Pensei: é assim com o fascismo.

Não há diálogo, porque não há argumento.

Não há respeito, pois não há empatia.

Não existe compaixão, pois não tem amor.

Mas seguimos fortes e juntos, na certeza de que, a cada dia que passa, a luta vale muito, MUITO a pena.

Por ele, por nós e por todxs que amam a democracia, a liberdade, a igualdade e a transcendente beleza de olhar para o lado e enxergar, no outro, a si.

Um beijo infinito

Presidente.

Ana Cañas – Cantora.

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