22.2.18

Arrancou os ovos do marido, assou e comeu.


Todos os amigos e vizinhos já sabiam que algo estava para acontecer. Zezim de Déa, um rapaz que por onde passava a mulherada olhava para ele. Moreno de cabelos curtos, rosto afinado que chamava a tenção de todas. Ela causava grande ciúmes, até mesmo, entre seus amigos que não gostavam de ver suas esposas com sorrisos entre os dentes quando o viam.

Pois não é que sua esposa, morena de cabelos negros feitos asas de graúna, escorridos que iam a baixo do ombro e quando o vento batia, ele se desmancha todo. Pele marrom, com corpo de violão, pernas de quem faz musculação em academia ao final da tarde onde a presença masculina é bem maior. Ela tinha um ciúme arretado de Zezim. Se mordia toda de raiva das amigas. Achava que todas elas queriam seu marido.

Por muitas vezes Maria tinha avisado:

- Se um dia eu descobrir que tu tá me traindo eu te capo.

Ele, homem tranquilo, levava tudo na brincadeira.

- Tu, mulher da minha vida, não precisa se preocupar porque esse coração e esse corpo, é só teu.

Todos que já ouviram ele falar a esposa, tinham a certeza de que era a pura verdade. Ninguém nunca viu Zezim pular o muro.

Ele era um relógio suíço. Chegava sempre às 18h e 30min. As vezes até antes mesmo do horário.

Mais eis que seu novo chefe, pediu para que o homem tranquilo por natureza ficasse na segunda-feira para ajudar no serviço. Quando ouviu aquele pediu, Zezim fez uma cara feia que até assustou quem estava perto.

- Chefe, eu não posso ficar. Não avisei a minha esposa.

O chefe, neste momento, fez cara ainda mais feia e foi o bastante para nosso Zezim entender que, em época de desemprego, o melhor era ficar. Ele tinha certeza que chegando em casa iria levar uma bronca. E foi exatamente o que ocorreu.

Ao chegar em casa, estava uma mulher espumando de raiva. Mal ele colocou o pé na porta ouviu um grito:

- Onde você estava? O que está acontecendo e que eu não estou sabendo?

Foram mais de dois minutos de interrogatório. Mais parecia um acusado de crime em uma delegacia de polícia na frente de um delegado em seu primeiro dia querendo mostrar serviço.

Depois de muito explicar, pedir desculpas por não ter conseguido avisar antes, implorar mesmo, ele obteve a compreensão da esposa.

No dia seguinte, quando estava saído para o trabalho, foi dar o beijo de todos os dias e sentiu que tinha algo estranho no semblante da mulher:

- Se teu chefe pedir para tu ficar para fazer hora extra, diga a ele que você tem uma esposa esperando em casa.

Zezim balançou a cabeça afirmativamente, resignado e partiu para o trabalho. Deixando em casa a mulher de sua vida. A quem prometeu na igreja viver até que a morte separasse um do outro.

Sua esposa ficou olhando ele seguir em frente. Quando já não mais o avistava, pegou o controle remoto da televisão e ligou. Ela gosta das novelas mexicanas. Sentou, como faz todos os dias, naquele sofá onde já tem a marca da bunda de tanto ela sentar no mesmo lugar. Adormeceu.

O tempo passava e nada de Zezim chegar. Maria sempre foi uma mulher de palavra e ele sabia disso. E este era seu medo. Mais um dia de atraso no serviço. Naquele dia, ela só chegou em casa mais de meia noite. Teve que refazer o relatório mensal de toda a empresa. Sabia que o atraso, dessa vez, não seria bem visto pela esposa.

Nessa noite, ao vir na rua, ela já o esperava na porta com sorriso no rosto. O recebeu com um beijo na boca apaixonado. Surpreso, o homem não disse nada. Gostou daquele momento. Ela o levou ao banheiro, retirou a sua roupa, e como nunca, o levou para debaixo do chuveiro. A água escorria no corpo e ela pegou o sabonete e o ensaboou. Era tudo novo e ele estava gostando. Terminado banho. Ela o enxugou com sua própria toalha. O pegou pelas mãos e o levou a cama. Lá, fez coisas que antes só soube que existia através de revistas, e na internet. Depois de longo tempo com seu amado e saciada, ela olha com carinho e saí, agora para tomar o seu banho.

Zezim, cansado, estava deitado na cama de braços abertos. Ele a esperava para um novo tempo de amor e prazer.

O barulho da água no chuveiro parou.

Maria entrou no quarto enrolada na tolha. Tirou e jogou no rosto de Zezim. Naquele momento deu para ouvir o sorriso de felicidade dele. Sentiu uma mão tocando sua genitália. Abriu as pernas quando sentiu seus testículos abarcados. De repente uma dor insuportável e um grito estridente ecoa no ambiente. Ao retirar a tolha do rosto, ele vê sua esposa com os dois ovos na mão esquerda.

- Eu te avisei que você era só meu. E se é meu, não é de mais ninguém.

Naquele momento, ao final da frase, ele já não ouvia mais nada. Estava desmaiado e em uma poça de sangue.

Maria foi até a cozinha, ligou o fogo, pegou uma frigideira que estava com óleo do almoço, esperou ferver e jogou os ovos dentro. Ela ainda pegou um pão, abriu e esperou assar para colar dentro. Na hora que deu a primeira mordida e estava com a boca cheia, na porta se ouve uma batida e alguém chamando:

- Maria, Maria...

Maria assustada acordou e foi abrir a porta para o seu amado. Estava suando bastante. Deu um abraço forte e de perguntou:

- Zé, tu ama?


Ele a beijou e confirmou com a cabeça que sim. Zezim estava esgotado de mais um dia de trabalho.

Dimas Roque - do Livro, Quando o Amor Incomoda.

Um comentário:

Julio Moreno disse...

E eu jurando que fosse verdadeiro. Belo conto de suspense e terror