17.6.17

Moradores de Banzaê recebem estrada recuperada e outras ações.


Inauguração de rodovia, autorização de novas obras de estrada, entrega de sistema de abastecimento de água, urbanização de vias, nova escola, ambulância e investimentos para agricultura familiar. Estas foram as entregas feitas pelo governador Rui Costa, neste sábado (17), durante evento realizado no município de Banzaê, no nordeste do estado. "Estamos cumprindo mais um compromisso aqui na cidade de Banzaê e região, com a inauguração dessa estrada e as outras ações realizadas hoje. São investimentos importantes para melhorar a vida da população", afirmou o Rui.

A restauração de cerca de 28,4 quilômetros de extensão da rodovia BR-110, que liga Banzaê à cidade de Campos de Brito, contou com investimento de R$ 11 milhões, e beneficia cerca de 150 mil habitantes das cidades de Banzaê, Ribeira do Pombal, Cícero Dantas e Euclides da Cunha. Na via, trafegam, aproximadamente, 250 veículos, por dia. 

Também neste sábado, foi autorizada pelo governador a pavimentação em pista dupla da BR-410 até o povoado de Vila Operária, no município de Ribeira do Pombal. A assinatura da ordem de serviço vai beneficiar 114 mil habitantes da cidade e de Tucano e Cícero Dantas, com um investimento de R$ 2 milhões, para recuperar pouco menos de dois quilômetros, por onde trafegam 410 veículos todos os dias. Essas são algumas das inaugurações deste ano, no total de 196,21 quilômetros concluídos em 11 trechos.

Educação e saúde

Com investimentos de cerca de R$ 80 mil, chegou a Banzaê uma das 178 ambulâncias entregues pelo Governo do Estado para o interior, em 2017, além de outras 106 já encomendadas para outros municípios. Os moradores da cidade ainda receberam a Escola Espaço Educativo João Bittencourt Paiva, inaugurada no povoado de de Tamboril, a 12 quilômetros da sede. Pronta para atender 360 alunos nos turnos matutino e vespertino, a unidade foi construída com investimentos da ordem de R$ 900 mil, do Ministério da Educação.

Mais melhorias

No povoado de Queimada Grande, foram inaugurados um sistema de abastecimento de água e urbanização de vias, com calçamento de ruas. Em parceria com a prefeitura, responsável pela execução das obras, o sistema vai levar água de qualidade a 60 famílias da região. Mais saúde chegando nas torneiras dos baianos. 

Agricultura familiar

O governador Rui Costa também assinou uma autorização para o convênio do projeto Reniva, uma rede de multiplicação de tecnologia para a produção da mandioca, com qualidade genética e condições sanitárias adequadas. A iniciativa permite que o agricultor familiar tenha acesso a variedades de mandioca melhoradas, livres de vírus, melhoramento genético feito pela Embrapa Mandioca e Fruticultura. Somente em Banzaê, são 80 famílias de agricultores beneficiadas da União das Associações de Banzaê, e que têm como opção de investimento a implantação de dois hectares de sementes de mandioca.

Foto: Pedro Moraes/GOVBA.

Bahia é oficializada como a próxima sede do Virtual Educa.


A Bahia foi anunciada, na sexta-feira (16), pelo secretário da Educação do Estado, Walter Pinheiro, como sede do próximo Virtual Educa, durante a cerimônia de encerramento do encontro internacional que começou na terça-feira (13), e reuniu mais de 29 mil pessoas em Bogotá, na Colômbia.
 
Pinheiro falou sobre a oportunidade de a Bahia sediar a 19 ª edição deste que é um dos maiores eventos mundiais da área. “O desafio de superar as barreiras para a melhoria da Educação está desenhado pela Organização dos Estados Americanos desde 2001, cabendo ao Virtual Educa esta tarefa. Agora, teremos a oportunidade de discutir também com o continente africano, que, pela primeira vez, participa do encontro. Portanto, o debate será global, sobre a possibilidade de chegar a uma nova escola e uma nova educação”, disse.

O secretário também destacou que a Bahia estará aberta para conhecer as mais diversas experiências mundiais. “Também queremos compartilhar as nossas experiências, para que possamos contribuir para consolidar uma nova educação”, disse, ao citar ainda a participação preponderante da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), representada pelo seu presidente Ruben Delgado, para a realização da próxima edição do encontro.

De acordo com o secretário geral do Virtual Educa, José María Antón, a Bahia foi escolhida para sediar a próxima edição por diversos fatores, a exemplo da diversidade cultural, localização, destaque em projetos educacionais e a vinculação com a África.

Na Colômbia, em um estande institucional, foram apresentadas as características multiculturais e a política educacional da Bahia que, em 2018, recepcionará representantes dos cinco continentes. A cerimônia foi encerrada por uma roda de capoeira, elemento cultural e identitário que une Bahia e África. 

JOESLEY E A GLOBO. (Por Leandro Fortes)

A Globo capturou as manifestações de 2013 e as colocou em sua grade de programação – com agendas e transmissões ao vivo – para fazer daquelas “jornadas” o primeiro movimento manipulado de massas com vistas a tirar o PT do poder. 

Deu no que deu: em três anos, ajudou a colocar essa quadrilha chefiada por Michel Temer no Palácio do Planalto. Exatamente como fez, em 1989, quando usou seu poder de monopólio para colocar, no mesmo lugar, outra quadrilha, a de Fernando Collor de Mello.

Agora, como no caso de Collor, anuncia um desembarque triunfante, entregando Temer aos leões, mas com o cuidado recorrente de se tornar dona do processo para que, como de costume, as coisas possam mudar de tal forma que permaneçam da mesma forma que estão.

Essa entrevista de Joesley Batista à revista Época, como tudo que vem do esgoto global, tem que ser observada com muito cuidado, justamente porque nada, ali, acontece por acaso.

Não tenho a intenção de ler as 12 páginas que anunciam ser o depoimento de Joesley Batista, da JBS, à revista impressa. Nem com um vidro de Milanta Plus eu me disponho a uma coisa dessa. Por isso, me atenho ao que foi disponibilizado na internet, o que, imagino, seja o de mais importante da entrevista.

Assim, é bom prestar atenção na manchete de letras garrafais que chama para a publicação: 

“Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil”.

Pelo que se depreende da entrevista na internet, essa manchete é fruto de um silogismo pedestre. O que está lá é o seguinte, dito por Joesley:

“O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa”.

Sacaram?

Logo na chamada introdutória, o texto supervaloriza a entrevista porque esta teria sido fruto de “semanas de intensas negociações”.

Ora, a notícia da delação de Joesley foi publicada em 17 de maio. Há quatro semanas, portanto. Mesmo que Época tivesse entrado em contato com o empresário no minuto seguinte ao furo de O Globo, essa valorização já seria ridícula.

Por isso, algo me diz que as negociações podem até terem sido intensas, mas longe do conceito tradicional de persuasão jornalística. 

Também, lá pelas tantas, Época informa aos leitores que, segundo Joesley, “o PT de Lula ‘institucionalizou’ a corrupção no Brasil”.

Bom, pode ser que nas intermináveis 12 páginas disponíveis nas bancas tenha algo mais sólido, a respeito. Mas o que tem na entrevista disponibilizada, no site da Época, é o seguinte, dito por Joesley:

“O PT mandou dar um dinheiro para os senadores do PMDB. Acho que R$ 35 milhões”.
Ou seja, Joesley Batista tem um problema grave de metodologia, quando se trata de dar propina ao PT. Na delação formal, diz que abriu uma conta na Suíça para Dilma e Lula, mas no nome dele. E só ele tem a senha. Agora, revela que o PT “mandou dar dinheiro” para os senadores do PMDB. E acha (!) que eram R$ 35 milhões (!!).

O repórter, simplesmente, não pergunta quem do PT deu a ordem de dar dinheiro, nem quem eram os senadores do PMDB que o receberam. Nem por curiosidade.

Mais adiante, Joesley revela que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, pediu R$ 5 milhões para evitar uma CPI contra a JBS. Segundo Cunha, esse era o valor oferecido por uma empresa concorrente de Joesley para a tal CPI ser aberta.

Qual era a concorrente? Nenhuma pergunta a respeito.

Na mesma linha, segundo Joesley, o operador de propinas do PMDB, Lúcio Funaro, fazia a mesma coisa. Colocava-se para barrar requerimentos de CPIs na Câmara, mas o empresário descobriu que era “algum deputado”, a mando de Funaro, que protocolava as ações. 

Quem era um desses deputados pagos por Lúcio Funaro? Nenhuma pergunta a respeito.

Além disso, o repórter incrivelmente não se interessou em perguntar a razão de a JBS ter dado R$ 2,1 milhões a Gilmar Mendes, a título de patrocínio de uma faculdade da qual o ministro do STF é sócio.

A não ser que essa pergunta esteja nas tais 12 páginas, estamos diante de um lapso jornalístico bastante curioso.

Então, é o seguinte. 

A Globo decidiu capturar, também, o #ForaTemer, depois de ter sido a protagonista do golpe que colocou essa gente no poder. Por isso, mantém Joesley Batista acorrentado a si.

Quer, outra vez, estar à frente do processo de sucessão presidencial para manter seus negócios e interesses intocados.  Para isso, precisa de um presidente eleito indiretamente por esse Congresso vil e repugnante resultado, justamente, das tais jornadas de 2013. 

Joesley Batista, ao que parece, é o novo Pedro Collor, o irmão-delator que a Veja usou para derrubar o “caçador de marajás” que ela ajudou a criar junto com a Globo – e que foi enterrado pelas duas com a mesma desfaçatez com que pretendem se livrar, agora, de Michel Temer.

Por Leandro Fortes.

UM MUNDO SEM NEGROS. É POSSÍVEL?

Um grupo de brancos decidiu mudar-se para um mundo sem negro. Entraram por um túnel escuro para sair num novo lugar na América, onde qualquer traço do passado tinha desaparecido. Respiraram profundamente de alívio e exclamaram: ENFIM, NENHUM NEGRO!!!

Mas logo perceberam que esta nova América era somente uma terra árida e fértil. A boa agricultura sumiu, pois até então, o continente comia frutas, grãos e legumes, frutos do trabalho dos escravos negros nos campos.  Não tinha cidades com arranha-céus, pois Alexander Miles, um negro, inventou o elemento que garante a segurança dos elevadores. Sem tal invenção, não poder-se-ia subir de um andar para um outro.

Quase não tinha carros, pois Richard Spikes, um negro, inventou a transmissão automática.  Joseph Gammel, um outro negro, inventou o sistema de alimentação para motores combustíveis internos, e um outro negro Garret A. Morgan inventou o semáforo que regula o trânsito. Não se encontrava os trens expressos urbanos, tramway, pois seu inventor foi o negro Elbert R. Robinson. As ruas estavam sujas de lixo acumulado, pois Charles Brooks, um negro , inventou o varredor elétrico. Tinha poucas revistas e livros, pois o negro John Love inventou o apontador de lápis, o negro William Purvis inventou canetas esferográficas recarregáveis; e o negro Lee Burridge inventou a máquina de escrever, sem contar com o negro W. A. Lovette e a sua nova impressora. O negro William Barry inventou o carimbo manual e Phillip Downing outro negro, o caixa de correios. A grama era pálido e seca, pois o negro Joseph Smith inventou o regador mecânico, e o negro John Burr, o cortador de grama.

Quando entraram em suas casas, as acharam escuras, sem surpresa para nós, pois o negro Lewis Latimer inventou o filamento da lâmpada elétrica, o negro Michael Harvey a lanterna, o negro Grantville T. Woods o interruptor regulador automático. As casas estavam sujas, pois o negro Thomas W. Setwart inventou o esfregao/esfregona e o negro Lloyds P. Ray, inventou a pá de lixo. As suas crianças estavam descalças, com roupas amassadas e cabelos bagunçados, era de se esperar, pois o negro Jan E. Matzelinger inventou a máquina que dá forma aos sapatos, o negro Walter Sammons, ao 
penteador, a negra Sarah Boone inventou a tábua de passar/repassar à ferro e o negro Georges T. Samon o secador de roupas. Ficaram com fome e queriam comer, sem chance, pois comida estragou por faltar uma geladeira da invenção do negro John Standard.

Não é estranho, um mundo moderno sem as contribuições dos negros?

Como dizia o Martin Luther King. Jr., “ saibam que ao se preparar para sair até chegar ao trabalho, mais da metade das coisas que encontram e de aparelhos que usam, foram inventados por negros”.

Pessoal, tudo isso para ilustrar que a história dos negros não se resume só à escravidão como sempre nos levaram a pensar. 

Fonte: Fundação Cultural Palmares.

Nota do "Professor Leandro da UnB" sobre o texto que circulou e que não é da sua autoria

"A bênção às mais velhas; a bênção aos mais velhos.

O texto que está circulando começa com “De acordo com o professor Leandro...”. Isso é perigoso porque alguém cita o meu nome, mas não fui eu quem o escreveu. Eu fiz uma fala pública e uma pessoa que me ouviu escreveu e publicou no facebook um texto associando os meus argumentos a uma espécie de “história das origens das oferendas e da macumba”. Em seguida, ela aponta outras coisas de tal modo que não é possível fazer uma separação entre um tema que foi discutido em minha fala e depois as suas considerações próprias a respeito do assunto. Na medida em que este texto viralizou, ficou parecendo que se tratava de um texto de minha autoria, mas não é o caso. Peço licença para explicar nestas próximas linhas o meu entendimento sobre o acontecido.

Na semana passada, eu participei de uma banca de defesa de trabalho de conclusão de curso na Universidade de Brasília. Na ocasião, houve uma discussão sobre como as encruzilhadas atuais das cidades modernas são espaços de sociabilidades e de resistências. Nos semáforos, homens, mulheres e crianças, expressivamente negros e negras, realizam trabalhos diários, conseguindo dinheiro por meio da venda de doces, água, panos de prato, frutas, entre outros produtos.

Na condição de historiador e avaliador do trabalho, provoquei o autor da pesquisa, chamando atenção para o fato de que muitas ruas e encruzilhadas das cidades do nosso país são espaços de memórias do nosso povo negro, pois são locais onde homens, mulheres e crianças negras fizeram negócios, venderam produtos e conquistaram níveis de autonomia, bem como conquistaram as suas liberdades, comprando-as, no período da escravidão. A ideia era perceber que a existência majoritária dos corpos negros em situação de vulnerabilidades sociais nas esquinas das cidades brasileiras, lutando diariamente por sobrevivência, é desdobramento do período colonial e do racismo brasileiro e não são apenas um fenômeno da modernização das cidades com seus semáforos e sinaleiras.
 
Entretanto, além de serem espaços onde negócios aconteciam e acontecem, as encruzilhadas são domínios das entidades das ruas, dos caminhos e da comunicação, como Exus e Pombagiras. As encruzilhadas são, portanto, espaços especiais de cultos que possuem significados específicos para as pessoas que fazem parte das religiões afro-brasileiras. Interessava-me, com este argumento, trazer referências dos conhecimentos africanos e afro-brasileiros ao trabalho do estudante. Foi neste momento da minha fala que enfatizei que as oferendas nas encruzilhadas PODEM também se configurar como uma importante estratégia de proteção às pessoas em situação de rua, ou que no passado estavam em situação de fuga, uma vez que não é novidade entre as pessoas dos candomblés, dizer que as pessoas nas ruas comem os alimentos que estão nos despachos. É comum encontrar nas oferendas elementos como frango, ovos, farofa, frutas, cachaça, velas, dinheiro. Vale salientar que o universo dos despachos e oferendas é complexo e não são reduzidos às práticas nas ruas.

Historicamente falando, não é difícil vincular a circulação destes alimentos ritualísticos nas cidades brasileiras às várias estratégias emancipatórias e de proteção criadas pelos povos negros, sobretudo diante das experiências da colonização, com as marcas do abandono social, que gerou marginalidades e fome nas ruas para estes povos. No entanto, ainda que algumas pessoas tenham feito uso deste possível mecanismo de enfrentamento das fomes, como eu falei, estas experiências NÃO SÃO A BASE DA ORIGEM DAS INÚMERAS OFERENDAS DOS CANDOMBLÉS NEM DO “SURGIMENTO DA MACUMBA”. Esta teoria é falsa e levar essa ideia adiante seria o mesmo que dizer que em uma situação hipotética onde não houvesse negros e negras em situação de vulnerabilidades no passado em nosso país, teria cessado a prática que os povos africanos trouxeram do continente de realizar suas oferendas. Eu não acredito nisso.

Ora, imaginar que um irmão ou irmã negra daria jeito para alimentar outros irmãos e irmãs em situação de rua, seja nos tempos da escravidão ou nos anos difíceis do pós-abolição, fazendo uso de comidas, cachaças e sinalizando comidas com velas em lugares estratégicos com as encruzilhadas, não é difícil de se pensar. Mas tais práticas se configurariam como experiências particulares ou ainda como ressignificações dos usos das oferendas que já existiam antes, desde as Áfricas, nos cultos aos voduns, nkices e orixás e não explicam o surgimentos dos candomblés nem das inúmeras modalidades de rituais de oferendas.

De fato, em sala de aula, também já enfatizei e enfatizo as estratégias de sobrevivências e de solidariedades que são fundamentais para a resistência do povo negro e já explorei as potencialidades da imagem da circulação de alimentos num contexto urbano, como é o caso de algumas oferendas constituídas por comidas e bebidas. Um dos principais problemas das ideias que estão no texto que viralizou e que não é da minha autoria é que ele não aponta a dimensão dos conhecimentos, ciências, cosmovisões, projetos de sociedade que os povos africanos trouxeram para o Brasil no tráfico atlântico e dá a entender que os candomblés só podem ser compreendidos no “antes e depois” da escravatura. Isso não poderia ser verdade.

Sobre a viralização deste texto, penso que o fato de ter sido citado que “um historiador da unb disse...” deve ter tido um peso grande na credibilidade da circulação do mesmo. Há um vício antigo de pensar que historiadores são “os donos da verdade” e profissionais capazes de explicar as origens das coisas.

Pergunto-me, portanto: por quais motivos este tema passou a interessar a tantas pessoas?

As irmãs e os irmãos de candomblé que me procuraram ontem e hoje, perguntaram se o conteúdo do texto era meu e ficaram muito preocupados com a dimensão da circulação das ideias, pelos motivos já aqui expostos. E, portanto, agradeço pelo cuidado em terem me mantido informado sobre como o meu nome estava circulando no facebook nos últimos dois dias, já que não estou nesta rede social, além de estar fora de Brasília, trabalhando em viagem de campo. Esta dimensão de proteção e cuidado de nós negros e negras com nossos irmãos e irmãos negros é a base da explicação sobre porquê ainda hoje existimos enquanto comunidade, ainda que o projeto colonial do passado, com suas heranças no presente, tenha nos educado para nos destruirmos.

A parte positiva da circulação do texto que escreveram é que foi colocado em pauta a discussão acerca das redes de solidariedades e as práticas de cuidado e amor dos nossos antepassados com os seus irmãos e irmãs negras. Isso também não é novidade para nós! Mas é para muita gente.

Então, para as pessoas que estão impressionadas com a história das comidas, cachaças e velas, saibam que definitivamente não é esse movimento isolado que pode explicar o surgimento nem os fundamentos das complexas oferendas nem dos candomblés. Saibam ainda que os nossos antepassados não só encontraram estratégias para comer e dar de comer aos seus irmãos e irmãs, como construíram inúmeros mecanismos de proteção à escravização de seus corpos no próprio continente africano, fizeram revoltas nos navios negreiros, quebraram engenhos onde realizavam trabalhos forçados, fugiram do cárcere, elaboraram e praticaram projetos de revolução social, criaram e mantiveram quilombos e terreiros de candomblés.

Sem discutir solidariedades, redes de proteção e afetividades é impossível compreender a abolição da escravatura e a permanente luta dos movimentos sociais negros dos séculos XX e XXI. Sem discutir as capacidades de autonomia, autogestão e negação do projeto colonial jamais vamos compreender que os povos africanos que para cá vieram numa migração forçada não foram apenas força de trabalho, como está inscrito na memória nacional. Os negros e as negras que vieram antes de nós, juntamente com os povos originários desta terra, os chamados indígenas, civilizaram este país e jamais vamos compreender a nossa história e as nossas identidades sem conhecermos este patrimônio que nos pertence e que a experiência colonial capitaneada pelos brancos tentou nos tirar. Quando falei publicamente da importância das encruzilhadas quis exatamente chamar a atenção para as formas com as quais estes espaços possuem outras lógicas para o povo de santo, sobretudo no que diz respeito a conhecimentos que estão na oralidade e que a universidade não sabe.

Repito que quem tem o mínimo de conhecimento sobre as religiões de matrizes africanas sabe que relacionar escravidão, fome, oferendas e surgimento dos candomblés não faz o menor sentido. E por isso, muita gente está revoltada com a circulação da referida teoria. Este fenômeno pode revelar também que os povos de santo e o povo negro, de um modo geral, possuem uma memória de contestação das ideias que são elaboradas e defendidas em espaços majoritariamente brancos e elitistas como foram e ainda são as universidades brasileiras.

Muita gente de candomblé, mas não apenas, se enfureceu com o fato de que supostamente um “professor da unb” teria dito algo sobre o “surgimento” dos cultos de matrizes afro-brasileiras. Ora, certamente muita gente questionou: “quem o professor pensa que é para falar sobre os nossos conhecimentos, mistérios e ciências? Quem ele pensa que é para falar por nós, povos de santo?”. De fato, passou-se o tempo em que intelectuais podiam carregar as supostas verdades sobre as coisas do mundo. Isso levanta uma questão muito importante que a nossa geração de professores e professoras, pesquisadoras e pesquisadores negros (bem como os e as integrantes de movimentos sociais) temos debatido e denunciado nos espaços acadêmicos: nós não aceitamos mais que os discursos ditos científicos digam o que somos sem a nossa participação ativa. Claro que isso não impede que pesquisas e trabalhos, etc, sejam realizados, mas desde a conquista das cotas raciais nas universidades brasileiras que há uma expectativa relacionada a recente entrada de estudantes e professores negros e negras, dos quais me incluo, em transformar urgentemente as metodologias e abordagens que os e as cientistas historicamente utilizaram. Afinal, se antes, nós negros e negras éramos os chamados “objetos” de pesquisa, hoje estamos nas salas de aula e laboratórios na condição de pesquisadoras, pesquisadores e cientistas. Mas ainda somos muito poucos nesta condição (Eu, inclusive, sou professor substituto na Universidade de Brasília. Meu contrato vence este mês de junho). Aliás, qual a porcentagem de docentes negras e negros nas universidades públicas e privadas, estaduais e federais em nosso país podendo falar sobre a história do próprio povo negro, entre outros temas? E professores e professoras indígenas?

O texto que viralizou não traz o meu nome completo e sei que muitas pessoas se referiram a este post associando a imagem do doutor ao branco, não supondo sequer que o “professor Leandro da UnB” poderia ser um homem negro engajado em difundir respeitosamente os conhecimentos ligados às tradições brasileiras de matrizes africanas.

É preciso ressaltar que a falta de conhecimentos que o povo brasileiro tem sobre as religiões de matrizes africanas não é um acidente. É parte do racismo estrutural que demonizou e demoniza, perseguiu e persegue as pessoas que fazem parte destas religiões. São permanências de um Brasil do passado que criminalizou os batuques, a capoeira, os candomblés. Trata-se de desconhecimentos estratégicos que negam as nossas capacidades de pensamento, agência de nossas próprias vidas e soberania intelectual e que trazem à tona a necessidade da Lei 10.639 que em 2003 instaurou a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura africana e afro-brasileira nas escolas do nosso país. Ainda assim, mesmo depois de 14 anos de promulgação desta Lei, o que sabemos sobre as sociedades africanas, especialmente sobre os povos que vieram para o Brasil no tráfico atlântico? O que sabemos sobre a história e a memória das trajetórias dos nossos antepassados negros e sobre os cultos dos orixás, nkises e voduns? As escolas e as universidades estão cumprindo o seu papel no enfrentamento ao racismo e na formação de gente qualificada para lidar com as questões como o racismo religioso? Ora, não é difícil encontrar pessoas que dizem que as oferendas são “coisas do diabo”, nem é difícil encontrarmos irmãos e irmãs negros que já sofreram com o racismo quando tentaram exercer sua fé afro-brasileira. Brasília, por exemplo, nos últimos anos, teve uma série de casos de terreiros de candomblés violentados.

Chego ao fim deste texto, pedindo imensas desculpas, em especial ao povo de santo e aos povos negros deste país, por todo este mal entendido. Sabemos o quanto que áreas como a História foram responsáveis na construção de teorias equivocadas sobre as memórias dos nossos antepassados. Mas a História pode ser também o espaço das releituras do passado, dos novos questionamentos e da elaboração e ressignificação dos sentidos.

Quando falamos, não temos controle sobre como nossas ideias podem ser interpretadas. Ontem, uma amiga que está em São Paulo me ligou preocupada porque disseram a ela que estava havendo uma confusão com o meu nome porque teriam me visto fazendo despachos na UnB e que isso tinha virado um escândalo. Eu já recebi diferentes versões do texto que está circulando e parece que já tem diferentes autorias.

Amigos enviaram-me alguns posts de pessoas negras (que se diziam candomblecistas, de outras religiões ou sem religiões) que pareciam encantadas com a história que circulou. O que será que estas pessoas pensam sobre afetividades, solidariedades e quilombismo do nosso povo? O que será que sabem sobre os candomblés? Fiquei pensando: o que será que a minha mãe que está na Bahia e que é negra, sabe sobre os candomblés? E meu pai que morreu e que era branco, que ele sabia sobre tudo isso? Eu também estou aprendendo. Mas sei que quando passei a frequentar alguns terreiros de candomblé, ainda quando eu estava na minha cidade da Bahia, mainha ficou muito preocupada e demorou para compreender que eu e, posteriormente, o meu irmão caçula estávamos nos aproximando do universo das religiões de matrizes africanas. Ela achava que poderia estar perdendo seus filhos para alguma coisa ruim. É muito triste pensar que as nossas ancestralidades permanecem potencialmente negativadas, inclusive entre nós, povo negro. O racismo promoveu e ainda promove muita desinformação e isso afeta a todos nós.

Desta experiência ficaram alguns aprendizados. Entre eles, que os ensinamentos são constantes e que seguimos aprendendo sobre as histórias do nosso povo, tão mal contadas.
 
Palavra é encruzilhada".

Leandro Bulhões

Doutor em História – Universidade de Brasília.

16.6.17

Governador autoriza obra de R$ 6 milhões para recuperação de rodovia na região nordeste do estado.

Investimentos na ordem de R$ 6 milhões vão recuperar e pavimentar mais de 34 quilômetros da BA-381, no nordeste baiano. O trecho liga o contorno do município de Euclides da Cunha, na BR-116, com o município de Quijingue, e somente com esta intervenção, o Governo do Estado beneficia cerca de 150 mil baianos que moram na região. O início das obras foi autorizado, nesta sexta-feira (16), pelo governador Rui Costa, em visita à cidade de Quijingue. A via é uma importante rota para o escoamento das produções da agricultura, pecuária e avicultura.Por dia, cerca de 750 veículos passam pelo trecho.

Segundo o governador Rui Costa, que foi recebido pelo Grupo de Reisado da Fazenda Inveja, investir em infraestrutura é muito importante para o estado. “Já entregamos muitas estradas ao longo dessa minha gestão, e, nesse terceiro ano, estamos dando continuidade ao trabalho, com a mesma dedicação. Hoje, marcamos o início das obras dessa estrada aqui em Quijingue, e, amanhã, estarei em Banzaê inaugurando mais uma. Nos próximos dias, outras inaugurações de rodovias serão realizadas em outras regiões”, afirmou Rui Costa.

Cadastro no Cefir

Além das obras de infraestrutura, mais de sete mil famílias de agricultores familiares baianos receberam os registros de Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais (Cefir). São moradores de Quijingue, Tucano, Teofilândia, Serrinha, Monte Santo, Barrocas, num total de 7.345 cadastros. Além de valorizar os imóveis da propriedade rural, o Cefir regulariza a questão ambiental das propriedades, e ainda viabiliza o acesso ao crédito para investir na produção. O cadastro também cria um banco de dados estadual, que orienta o controle, o monitoramento e o planejamento ambiental e econômico do estado.

Desenvolvido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), em parceria com o BNDES, o Cefir é uma importante ferramenta de gestão, servindo para orientar, elaborar e implementar as políticas públicas, fortalecendo a agricultura e o meio ambiente, além de levar desenvolvimento e aumento de renda para as regiões mais carentes. De acordo com o secretário da Sema, Geraldo Reis, o agricultor deve procurar se certificar até o final deste ano, para que possa ter sua terra regularizada. "Já certificamos 85 mil propriedades e queremos chegar a 318 certificados. É importante que o produtor saiba que, sem essa documentação, ele está irregular perante a lei e esse certificado vai, portanto, valorizar aquela propriedade, porque regulariza e permite acesso a créditos para produção e criação", explicou o secretário.


Foto: Pedro Moraes/GOVBA.

Rui entrega contorno rodoviário totalmente recuperado em Euclides da Cunha.

Mais uma obra de infraestrutura foi entregue pelo Governo no interior do estado, facilitando a vida da população baiana. Nesta sexta-feira (16), no município de Euclides da Cunha, o governador Rui Costa inaugurou os quatro quilômetros recuperados e pavimentados do contorno rodoviário da cidade, trecho localizado no entroncamento da BR-116 e BA-220. “Com essa intervenção feita aqui, melhoramos significativamente o trânsito de Euclides da Cunha, já que as carretas, os caminhões não precisam mais passar por toda a cidade, garantindo mais segurança para os moradores nas ruas e também para os próprios motoristas”, declarou o governador, após descerrar a placa que marca o local da intervenção.

A recuperação da estrada demandou um investimento de R$ 2,7 milhões e beneficia mais de 48 mil moradores da região. Além de Euclides da Cunha, Monte Santo, Jeremoabo, Cansanção e Banzaê também são favorecidos pela melhoria. 

O secretário estadual de Infraestrutura, Marcus Cavalcanti, também ressaltou a segurança que a obra oferece aos moradores da cidade. “O trecho recuperado favorece o tráfego de caminhões, tirando da cidade esse movimento intenso no trânsito e evitando acidentes. Também beneficia a expansão do município e facilita o deslocamento de mercadorias”, destacou Cavalcanti. 

Ainda nesta sexta, o governador Rui Costa segue para o município de Quijingue, onde, entre outras ações, vai autorizar o início das obras de recuperação de 35 quilômetros da rodovia BA-381, no trecho entre a BR-116 e a sede municipal.


Foto: Alberto Coutinho/GOVBA.

FECHADO ACORDO DOS LIMITES TERRITORIAIS ENTRE SERGIPE/BAHIA.

Na audiência pública realizada na Assembleia Legislativa da Bahia, nesta quarta-feira, 14, para conclusão do relatório dos limites territoriais dos estados da Bahia e Sergipe, se chegou a um consenso. Segundo o secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag), Rosman Pereira, ficou acordo entre deputados sergipanos e baianos, e representantes dos dois estados, a proposta de limite territorial apresentada após várias reuniões realizadas.

De acordo com Rosman, todos reconheceram o trabalho de campo que foi feito pelas equipes de Sergipe e Bahia, assim como pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  Ressalta que a participação dos representantes dos municípios foi fundamental na definição dos limites, assim como as entrevistas feitas com a população da fronteira para estabelecer o pertencimento territorial e a cobertura da gestão municipal.

Disse ainda Rosman que foi respeitada a identidade de cada população e que, a partir desse entendimento, com a concordância de todos, se fará o termo de um acordo entre os estados, que está sendo estudado pelas Procuradorias de Sergipe e Bahia.

Enfatiza que esse termo será assinado pelos governadores Jackson Barreto e Rui Costa, depois submetido à homologação das duas Assembleias Legislativas e apreciado a possibilidade de convertê-lo em minuta de projeto de lei para ser apresentada ao Senado, através das duas bancadas naquela Casa, transformando-o em norma legal.

O superintendente de Estudos e Pesquisas da Seplag, Ciro Brasil comemorou o acordo. “Resulta de um intenso trabalho dos técnicos do IBGE com os governos estaduais, onde se destaca a participação da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia – SEI, da SEPLAG e das PGEs, além do apoio das Assembleias Legislativas dos dois Estados. A participação dos representantes dos municípios foi fundamental na definição dos limites e na aprovação do relatório apresentado nesta reunião”, avalia.

Participaram da audiência pública os deputados estaduais da Bahia e Sergipe que compõem a Comissão Especial de Assuntos Territoriais, a Comissão de Justiça e os representantes dos municípios que fazem fronteira entre os dois Estados.

De Sergipe estavam presentes os deputados estaduais Garibalde Mendonça (PMDB), Luciano Pimentel (PSB), Jairo de Glória (PRB) e Silvia Fontes (PDT), que integram a Comissão Territorial de Sergipe; além do secretário Rosman Pereira, do superintendente Ciro Brasil e da assessora técnica da Diretoria de Geografia e Cartografia da Seplag, Fernanda Cruz, que fez apresentação técnica sobre o trabalho de campo.

MTST e MUSt fazem assembléia na Paulista.

MTST e MUST se unem na Paulista ‎em protesto vitorioso para liberar as verbas do Governo Federal para moradias já contratadas e não liberadas pelo Minha Casa Minha Vida 
Dirigentes da Caixa usaram o carro de som do ‎movimento e informaram que os projetos estarão liberados em 10 dias e encaminhados ao Ministério. 
Com o sucesso do ato os movimentos devem promover novos atos para liberação de diversos projetos como a construção da escola do Pinheirinho dos Palmares e novas verbas para a construção de moradias populares nas Regiões Metropolitanas de São Paulo e do Vale do Paraíba.
"Em São Paulo são milhões de famílias sem moradia digna e ‎em São José o deficit habitacional já alcança 40 mil famílias de baixa renda.
Além disso, milhares de famílias de São José dos Campos e região moram em loteamentos irregulares e precisamos lutar para que tenham mais dignidade e serviços públicos básicos.
Não basta construir casas temos que dar condições de vida" - disse Marrom, da coordenação do Must, no ato que contou com mais de 15 mil pessoas.
"A gente conquistou o que buscamos, mas se começar com enrolação a gente vem de novo e de novo e de novo, e só vamos parar quando a obra começar" reforçou Guilherme Boulos do MTST.

Tá na internet PASSAGENS AÉREAS COM DESCONTOS PARA IDOSOS.

Assim fica mais fácil!

Firmado por lei, os idosos possuem o direito de ter descontos em passagens aéreas, sendo que essa lei obriga as empresas aéreas a conceder o desconto de aproximadamente 50% nas passagens aéreas vendidas para pessoas maiores de 60 anos, foram exigidas que cerca de 5% das vagas em cada voo sejam cedidas para tal benefício, sendo que para obter esse desconto é necessário adquirir a passagem com 72 horas de antecedência, confiram nossa matéria completa para obter maiores informações sobre os descontos de passagens aéreas para idosos.

Diversas empresas aéreas não comunicam aos seus passageiros sobre a utilização desses tipos de descontos nas passagens para idosos baratas, sendo que os preços de passagens já estão mais acessíveis para todos os interessados que pretendem viajar de avião, sendo que mesmo com a passagem aérea mais acessível o idoso ainda possui o direito de pedir o seu desconto, como está previsto em lei.

É importante entrar em contato com empresas aéreas para comunicar o interesse em adquirir passagens  para idosos com desconto, sendo que a empresa deverá abrir a exceção e vender a passagem para o consumidor com os devidos descontos, o prazo de 72 horas é pedido para que seja lançado no sistema das empresas aéreas os descontos adequados, sendo que esse processo demoraria muito para ser feito no dia do voo.

Vale lembrar que todos os interessados em adquirir passagens com desconto para idosos, terão de mostrar seus documentos que afirmam que o cidadão possui  idade maior que 60 anos para que possa ter esse desconto, seja na própria empresa aérea ou então nas agências de viagens, por isso, você que é idoso e está lendo essa matéria, ou para você que conhece algum idoso, não deixe de repassar a mensagem para que os idosos tenham seus benefícios previstos em lei, para que possam ter uma melhor comodidade e economia em suas viagens aéreas.

Daniel Dantas fica bilionário com pecuária.

Dantas está apostando numa volta triunfal – como pecuarista, especulador de propriedades rurais e minerador – e ele nem come carne
Daniel Dantas foi considerado o “bad boy” do setor financeiro brasileiro por muito tempo.
Perspicaz, agressivo e veterano de brigas judiciais, ele foi motivo de revolta nacional quando com uma aquisição da Brasil Telecom na década de 1990 e depois se desentendeu publicamente com seus sócios do Citigroup durante anos.
Mais tarde, envolvido em um escândalo de corrupção em 2008, Dantas foi preso por tentativa de suborno, ficou brevemente na cadeia e seu fundo foi obrigado a abrir mão temporariamente de alguns ativos.

Uma década se passou e Dantas está apostando numa volta triunfal – como pecuarista, especulador de propriedades rurais e minerador.
E ele nem come carne. Segundo pessoas com conhecimento do assunto, o Opportunity do qual ele é cofundador, tem mais terras — aproximadamente 500.000 hectares – do que qualquer outra empresa no Brasil e estuda novamente abrir o capital do negócio. Paralelamente, Dantas avalia mais investimentos em inteligência artificial.  Saiba mais: A Mundo Corporativo discute como a inteligência artificial transformará o mercado de trabalho Patrocinado
As coisas vão indo tão bem que Dantas entrou pela primeira vez no Bloomberg Billionaires Index. Uma nova análise indica que o patrimônio dele chega a US$ 1,8 bilhão.
Por Blake Schmidt, da Bloomberg.






15.6.17

Fernando Pimentel autoriza doação de nova Casa do Estudante Mineiro.

O Governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel autorizou, hoje, 15, a doação de um imóvel em Belo Horizonte para a criação da Casa do Estudante Mineiro. A entrega é uma devolução simbólica da sede dos estudantes mineiros que foi tomada durante a ditadura militar.
O espaço abrigará as entidades estudantis mineiras de representação universitária e secundarista - União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG) e União Colegial de Minas Gerais (UCMG), e receberá atividades de formação, capacitação profissional e ações culturais.

Essa é uma conquista dos estudantes mineiros. O que a ditadura tirou, a democracia devolveu!

Meninas más, mulheres nuas. (Roberto Amaral)

Prezada amiga, prezado amigo,
Proponho-lhe uma parada, rápida que seja, em nosso diálogo em torno da tragédia política brasileira, para um contato com um texto mais leve, mais literário, mas que, todavia, continua a reflexão nossa sobre a sociedade brasileira, seu autoritarismo, seus preconceitos e suas discriminações de toda ordem: sociais, econômicas, políticas, de gênero, de opção sexual, de cor…
Quero apresentar-lhe o livro Meninas más, mulheres nuas– as máquinas literárias de Adelaide Carraro e Cassandra Rios, de Pedro Amaral, recentemente lançado pela editora Papéis Selvagens, aqui do Rio.
Neste pequeno bilhete – com o qual eu a convido e o convido a partilhar comigo a agradável leitura de Pedro Amaral — você verá, veremos, o enfrentamento de Adelaide e Cassandra aostatu quo de nossa sociedade tradicional, enfrentamento que levam a cabo com suas narrativas, com a rebeldia do texto e, numa quase simbiose entre autor e personagens, no embate que afinal levaram a cabo com o próprio enredo de suas vidas. Assim, ouso dizer que os romances de Adelaide e Cassandra (condenados pela moral vigente e pela crítica literária preconceituosa que simplesmente os ignorou) foram um instrumento  de resistência de duas escritoras à margem do ‘sistema’, duas intelectuais ‘fora da curva’, uma forma distinta da luta que movemos hoje, mas, para todos os efeitos e consequências, uma resistência à mediocridade, à ditadura do ‘politicamente correto’, uma bofetada na ordem moral que sanciona a desordem social e a exploração do homem pelo homem.
Pedro, como você talvez já saiba ou desconfie, é meu filho, mas não é esta a razão que me leva a apresentar seu livro, senão a qualidade de texto e a contribuição de ânimo que traz a todos nós que pretendemos romper com o conservadorismo e o atraso que nos rondam.

Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia.



SOBRE O LUGAR HISTÓRICO DE LULA. (Por Breno Altman)

A esquerda brasileira, em cem anos, desde a greve geral de 1917, produziu somente três grandes lideranças nacionais, capazes de ter suficiente apoio para assumir protagonismo e comandar o país.

A primeira delas, a mais heroica, foi Luiz Carlos Prestes, principal figura dos levantes tenentistas. Seu período de real influência foi dos anos 20 até os 60. Chefiou a coluna que levaria seu nome, conduziu a insurreição de 1935, passou quase dez anos preso e, apesar da clandestinidade e do clima anticomunista da guerra fria, além dos graves erros cometidos por seu partido e por si mesmo, desempenhou papel de relevo até o golpe de 1964. Não é à toa que encabeçava a primeira lista de cassação da ditadura.

A segunda foi Leonel Brizola. Por seu papel na crise de 1961, quando era governador do Rio Grande do Sul e comandou a resistência que derrotaria o golpe militar em andamento contra a posse de João Goulart, vice do renunciante Jânio Quadros, transformou-se em referencia central do trabalhismo, a partir de uma perspectiva nacional-revolucionária que levaria amplas frações dessa corrente, fundada por Getúlio Vargas, ao campo de esquerda. Era a grande alternativa eleitoral das forças populares para o pleito de 1965: em boa medida, a reação militar-fascista se deu para barrar sua caminhada. Desde o retorno do exílio, em 1979, foi perdendo protagonismo, particularmente após 1989, quando não teve votos para passar ao segundo turno das primeiras eleições presidenciais desde o golpe de 1964.

A terceira é Luiz Inácio Lula da Silva. Ao contrário de seus antecessores, chegou à Presidência da República. Filho do movimento operário e popular que emergiu nos anos 70, seu líder incontestável, logrou forjar base social e eleitoral para, pela primeira vez na história brasileira, levar a esquerda e um partido orgânico da classe trabalhadora à direção do Estado.

Antes que alguém reclame, a nominata não inclui Getúlio Vargas porque o mentor do trabalhismo não era nem nunca se reivindicou de esquerda. Sua trajetória é a de um chefe do nacionalismo burguês que, em seu segundo mandato presidencial, rompeu com os setores hegemônicos da classe a qual pertencia e deu curso a uma inconclusa transição para o campo popular e anti-imperialista.

Tampouco inclui Jango, pelas mesmas razões, e por sua força política não ir muito além do legado getulista.

Também Dilma Rousseff está fora dessa tríade. Mesmo eleita e reeleita presidente, sua ascensão, em que pese biografia de bravura e dedicação, é essencialmente um caso de poder derivado, expressão legítima da liderança e do projeto construídos por Lula e o PT, para os quais contribuiu decisivamente.

Retomando o fio da meada: apenas três protagonistas de esquerda em cem anos.  Não seria motivo suficiente para, apesar de críticas e discordâncias eventualmente procedentes, o conjunto das forcas progressistas tratar esses personagens com a prudência devida aos nossos maiores patrimônios?

Mesmo que os listados tenham distintos alinhamentos ideológicos, é inegável seu papel comum, cada qual em um ciclo determinado, de simbolizar a esperança e a unidade do povo contra a oligarquia. Mais que isso, a possibilidade real de derrotá-la.

Dos três, apenas Lula segue vivo e em função.

Como os demais, é nossa dor e nossa delicia. Sofremos com possíveis vacilações e erros, lamentando e até nos revoltando contra certas decisões que parecem desastrosas, além de apoiarmos e aplaudirmos tudo o que fez de positivo. Mas, como cada um de seus antecessores, representa o que de melhor o povo brasileiro conseguiu produzir em sua longa luta emancipatória.

Por essas e outras, defender Lula contra os inimigos de classe é tão importante. A burguesia o ataca com tamanha intensidade exatamente pela esperança que representa junto à classe trabalhadora. Porque ele continua a expressar o caminho mais visível para os pobres da cidade e do campo se imporem sobre os interesses oligárquicos.

Quem não consegue entender isso, e se julga de esquerda, deixa-se paralisar pelo sectarismo, vira as costas para a história e, infelizmente, joga o jogo que a direita joga.

Por Breno Altman.

Tá na internet: SOBRE A PELEJA DA ENCRUZILHADA: RACISMO EPISTÊMICO E COLONIALISMO COSMOGÔNICO. (Luiz Rufino)

A encruzilhada para as populações negro-africanas transladadas para as Américas compreende-se como um princípio explicativo de mundo. Assim, os diferentes grupos trazidos para cá interagem com a encruzilhada como um signo que versa acerca do sentir/fazer/pensar, a partir de outros modos de racionalidade.
 A encruzilhada não é um signo exclusivo das culturas negro-africanas e de suas reinvenções na diáspora há a presença desse signo e diferentes leituras em diversas culturas. Populações ameríndias e europeias estabeleciam, ao seu modo, suas formas de relação com a encruza e dali produziam outras significações da vida. Porém, cabe ressaltar que em todo território do continente “Afro-Latino” a encruzilhada emerge como um campo de saberes praticados e é aí, a meu ver, que mora o babado da coisa.
 Em recente tese defendida argumento que a presença de Exu (aquele que é o múltiplo no uno) enquanto um saber praticado emerge como um dos principais contragolpes ao colonialismo. A encruzilhada como signo da proeminência/potência do orixá marca as nossas ações de resiliência e transgressão e nos lança na perspectiva da emergência de um outro projeto poético/político/ético antirracista/descolonial. Em outros termos, a encruzilhada é campo de possibilidades e imprevisibilidades. Dessa maneira, praticarmos a encruza marca o inacabamento do mundo e a reinvenção do mesmo.
 O texto amplamente circulado na rede em nome de um professor da UNB nos apresenta uma encruzilhada encarnada de subjetividade cristã. Uma espécie de moral asséptica, castradora das potências e reguladora dos corpos forjada nos moldes do que Florestan Fernandez definiu como o preconceito de ter preconceito. O recado chega até aqui como uma marafunda dos nossos tempos, aquilo que os jongueiros velhos definiram como uma praga rogada, um sopro de má sorte. Porém, o texto nos serve para mais uma vez ressaltarmos o substantivo racial como o elemento estruturante da vida nas bandas de cá. Nesse sentido, essa demanda nos assombra na face do racismo epistêmico e do colonialismo cosmogônico.
 Existe uma narrativa de Ifá que nos conta como Exu ganhou o domínio sobre as encruzilhadas. Exu trabalhou firme durante anos na casa de Oxalá, ele se postava na encruzilhada e de lá via tudo, interagia, tomava de conta, vigiava as ações daqueles que por ali passavam, interferia para que os mesmos tivessem um bom destino. Exu postado na encruza observava os seres, as divindades e as demais criações. Exu ficou por ali e ali aprendeu sobre todas as coisas dos mundos e de todos os tempos.
 A encruza é campo de possibilidades, lá é tempo/espaço em que seu dono toca sua flauta e fuma seu cachimbo, respira o mundo para soprar o mesmo de maneira transformada. Cabe ainda dizer, que aquilo que se faz na encruza é saber praticado. O mito justifica o rito e o rito assenta o mito no redemoinho dos tempos. Qualquer discurso que simplifique a pluralidade de caminhos da encruza buscando transformá-la em um caminho reto ressalta o racismo enquanto elemento estrutural/estruturante. Inclusive os manifestados nas faces do colonialismo epistemológico/cosmogônico.

Por Luiz Rufino.

Pronunciamento em apoio a Dilma Vana Rousseff e aos mais de 54,5 milhões de votos.

Caso Dilma Vana Rousseff se torne injustamente inelegível, o Movimento Pela Anulação do Impeachment poderá olhar nos olhos dos eleitores de Dilma e nos olhos dela própria sem nenhum constrangimento. 

Ainda na segunda- feira, o Comitê pela Anulação do Impeachment de São Paulo fez uma carta em nome do movimento e entregou para Dilma dentro de um lindo ramalhete com treze flores vermelhas em um evento da PUCSP. Foi entregue também, antes do evento, o panfleto do movimento para todos os presentes. 

Ativistas do PCO também estavam no evento da PUC vendendo seu jornal que luta contra o golpe e pela Anulação do Impeachment. Qual a parte do golpe que muitos perderam, para terem o disparate de defenderem a cassação do voto de 54 e meio milhão de pessoas? Quando era necessário lutar pelo mandato de Dilma e defender seu pedido de anulação do impeachment no STF, só o Movimento Nacional pela Anulação  pressionou. Os demais viraram a página do golpe, clamando por diretas de forma absolutamente afoita, se misturando até aos globais nos atos por diretas e nessa molecagem pedida por Aécio e aproveitadores da burguesia política.
 
O país está se aprofundando no golpe e virando a página na malandragem, assim como no passado não puniu torturadores. O justo, limpo e ético para purgar erros históricos de golpes mal resolvidos seria irmos aos milhares à justiça sim, irmos ao STF pra anular o golpe. Não aceitamos a cassação da chapa e muito menos a absurda possibilidade de absolvição do ilegítimo e a cassação da presidenta eleita e honesta, já que, no processo do impeachment, seus direitos políticos foram mantidos. 
É preciso queimar a mulher honesta para dizer que o Brasil ficará livre de um natimorto? 

Os brasileiros estão é se aprofundando na covardia e abraçando os crimes dos golpistas. Caso não nos manifestemos contra mais esse golpe, estaremos confirmando que eram razoáveis as alegações de um golpista que declarou recentemente que entrou com o processo no TSE "para encher o saco". 
O local certo pra defender a volta da democracia e fazer uma transição por baixo, com apoio popular, é todos nós, milhares de brasileiros que clamam por justiça, nos dirigirmos ao STF. 
Ainda dá tempo, ainda é possível! 
Quem vai ao TSE são os golpistas.

MNAI – Movimento Nacional pela Anulação do Impeachment
São Paulo, 09 de Junho de 2017.

Vídeo complementar sobre o assunto aqui.