22.6.17

Nos olhos do jovem arde a chama. (Por Durval Ângelo)

O governador Fernando Pimentel autorizou, na quarta-feira da semana passada (14), durante solenidade no Palácio da Liberdade, a doação de um imóvel em Belo Horizonte para a criação da Casa do Estudante Mineiro. Mais do que garantir sede própria à União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG) e à União Colegial de Minas Gerais (UCMG), a iniciativa carrega imenso significado ao simbolizar a devolução da sede dos estudantes mineiros, tomada pela ditadura militar.
Em um pronunciamento emocionado, Pimentel ressaltou tratar-se do resgate de uma dívida histórica com os movimentos estudantis do Estado, atitude que demonstra o caráter democrático do atual governo de Minas. Postura diferente não se poderia esperar de um governador cuja militância nasceu na organização dos estudantes na resistência ao regime militar, sobretudo a partir das mobilizações de 1968.
A importância do gesto foi bem definida pela presidente da UEE, Luana Ramalho: “Foi cicatrizada uma ferida aberta, desde a ditadura militar, para o movimento estudantil em Minas”. A dirigente atribuiu a conquista à luta travada, durante décadas, por várias gerações, a qual levou até mesmo à criação de um movimento: o UEE de Volta pra Casa.
A devolução da sede ocorreu em um momento especial, quando se realizava em Belo Horizonte o 55º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), que reuniu mais de 10 mil jovens no ginásio do Mineirinho. O encontro foi uma espécie de vitrine para todo o país do papel fundamental mais uma vez protagonizado pela juventude de esquerda na defesa da democracia brasileira.
Como afirmou a nova presidente da entidade, Marianna Dias – eleita durante o encontro –, o recente golpe que alijou do poder um governo legítimo colocou a UNE novamente no front de resistência. Mais do que isso, paradoxalmente, fortaleceu o movimento estudantil, ao uni-lo em torno de uma bandeira comum: a realização de diretas já.
Ao completar 80 anos de existência, a UNE está nas ruas com a tarefa de mobilizar o povo brasileiro para que pressione até a queda do governo ilegítimo de Temer. Para tanto, já convocou greve geral para o próximo dia 30 e organizará manifestações em todo o país. Em uma amostra de sua força, ao término do congresso, os estudantes saíram às ruas de Belo Horizonte, reunindo em um grande ato público cerca de 100 mil pessoas.
Obviamente, o fim do retrocesso e o resgate de nossa democracia dependem da atuação em várias frentes, seja na esfera da política institucional, seja na judiciária, da soberania nacional, ou da mídia, dentre tantas outras. Mas ninguém duvide que é da mobilização nas ruas que virá a maior mudança, e nesse processo o protagonismo da militância estudantil faz-se imprescindível.
Já no século XIX o célebre escritor francês Victor Hugo constatava: “Nos olhos do jovem arde a chama. Nos olhos do velho brilha a luz”. É essa energia da juventude, força motriz da sociedade, que acionará o motor da transformação em nosso país.

Por Durval Ângelo.

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