O anúncio, feito ontem no Palácio de Ondina, veio carregado de simbolismo. Jerônimo apareceu ao lado de secretários, lideranças empresariais e prefeitos da região metropolitana, vendendo não apenas a imagem de um governo que retoma sonhos, mas de um gestor que aposta alto na infraestrutura como motor de desenvolvimento. “A ponte é mais do que concreto e aço, é um elo para integrar economia, turismo e futuro”, disse, arrancando aplausos de uma plateia que sabia que aquela fala soava como recado político.
O projeto, que ligará Salvador à Ilha de Itaparica em cerca
de 12 km, promete reduzir drasticamente o tempo de viagem, desafogar o
ferry-boat e impulsionar novos polos de investimento no Recôncavo e no sul do
estado. Empresários do setor de turismo já falam em “nova fronteira de
oportunidades”, enquanto urbanistas alertam para a necessidade de um
planejamento integrado que evite o crescimento desordenado.
Para aliados, a jogada de Jerônimo é dupla, entrega uma
demanda histórica e, ao mesmo tempo, marca território no tabuleiro político de
2026. Ao assumir pessoalmente a condução do projeto, ele transforma a ponte em
vitrine, e, se conseguir avançar nas obras ainda neste mandato, também em
credencial eleitoral poderosa para o grupo que representa.
Mas o governador mantém o discurso pé no chão. Reafirma que
as etapas técnicas, ambientais e de licitação serão cumpridas “com
transparência” e que a prioridade é garantir que a obra não seja mais uma
promessa quebrada.
Se a ponte sair do papel desta vez, Jerônimo Rodrigues terá
não apenas encurtado a distância entre Salvador e Itaparica, mas também
pavimentado uma narrativa de governo capaz de fazer história. E, no jogo da
política, poucas obras são tão fotogênicas quanto uma ponte gigante cortando o
mar.
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