14.12.21

Entre Juremas e olhares, ficam o cheiro e a saudade (Por Brando Guerra)

Eu acredito que o último inimigo a ser vencido será a morte. Mas, em meu imaginário, parecia achar que quando ela um dia encarasse Janinho, seria recebida com dois carinhosos tapinhas no rosto e um: "Calma, meu bom-bom! Tenha só mais uma pacienzinha que eu ainda tenho muita história pra contar. Vá, vá, vá... Beijinhos, beijinhos...".

E quantas dessas histórias, contos e causos eu ouvi nas dezenas de caronas PAF/TIP-REC/PAF, regadas a água mineral, chicletes "Mentos Fresh" e as paradas técnicas em Lajedo pra fazermos xixi e comprar carne de sol. Que saudades eu já sinto. Quantas lembranças me vêm.

E uma que agora me ocorre é de uma das nossas últimas vindas, quando a CBN já não dava mais o seu sinal no rádio e nem a pauta de nossos embates políticos, eu tratei de puxar a prosa e de tagarelar o quão saudosista sou e que o meu sentido mais aguçado pra me remeter ao passado, como se entrasse numa máquina do tempo, é o olfato. Um ou outro perfume, e até o cheiro de uma tampinha de refrigerante, por vezes me deixava melancólico e baixo astral. Ele sorriu, me chamou de "idiotão" e disse que o sentido que o levava aos idos era a visão, eram as cores. Eu dei uma risada e disse "cores, véi? eu nunca vi isso... coisa mais esquisita... tu que é idiota".

A viagem seguiu e, quilômetros mais à frente, ele me apresentou às Juremeiras - "vê, parece neve" - floridas e bem branquinhas, à beira da estrada. Abriu os vidros do carro e disse "Sinta aí o cheiro delas pra guardar em sua memória". Ah, se eu soubesse que ia dar nisso daqui, meu velho e bom Jânios Tapes... Que saudades, meu Deus! Que melancolia que rasga o peito.

Vai um amigo (um amigão) que parece que leva um pedaço da gente. Uma pessoa rara, que em momentos difíceis tinha a proeza de tirar de nós uma gargalhada daquelas. Ficam as inúmeras recordações e um sentimento enorme de perda que o tempo haverá de curar.

A Valéria, Júlia, Luiza e Juca, aos demais familiares e AMIGOS, não há palavras que traduzam o pesar. Então, deixo o meu ombro, e a minha prece silenciosa para que o Espírito Consolador, como um bálsamo, os conforte, hoje, e nos dias que sobrevierem, em nome de JESUS!

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