2.2.18

Manno Góes foi o primeiro a denunciar ACM Neto como "caloteiro".

Nas últimas semanas vários artistas protestaram em suas redes sociais contra o prefeito de Salvador ACM Neto pelo não pagamento dos direitos autorais durante a festa o carnaval. Entre estes está Marisa Monte, a primeira a levantar o assunto e chamar a atenção para a situação. “Salvador foi eleita a ‘cidade da música’ pela Unesco e é a capital brasileira que mais promove festas e eventos ao longo do ano. Porém, a prefeitura da cidade é desrespeitosa e prejudicial com os autores, pois os direitos autorais de eventos públicos, como o Carnaval e o Réveillon, não são pagos devidamente”, disse ela em uma de suas postagens sobre o assunto.

Com a visibilidade alcançada nacionalmente, outros artistas se juntaram a campanha, entre eles, Caetano Veloso, Djavan e Nando Reis.

Mas o que poucos sabem é que essa briga entre os compositores baianos e ACM Neto não é nova. Quem primeiro fez a denúncia foi Manno Góes. Autor de Mila”, “Praieiro”, “Tchau, I Have To Go Now”, entre outros sucessos gravados por Daniela Mercury, Netinho, Ricardo Chaves, Biquíni Cavadão, Asa de Aguia, entre outros. Ele chamou o prefeito de “anão” e “caloteiro” por deixar de pagar o ECAD - Escritório Central de Arrecadação e Distribuição dos direitos autorais. E por isso está sendo processado. Mas Manno só quer que seus direitos e de todos os compositores sejam garantidos.

Manno é um artista engajado na defesa de uma sociedade mais justa para todos. Em suas redes sociais ele, por várias vezes, já se manifestou publicamente contra o Golpe dado na democracia brasileira em 2016. Basta ver o seu perfil e se percebe que o compositor é, no momento atual da música brasileira, engajado na causa do povo. Enquanto muitos preferem o silêncio, e como ele mesmo diz, "babam ovo" esperando serem contratados para as festas da cidade, ele denuncia não se cala diante dos erros da gestão.

Em uma de suas declarações públicas, ele disse, “faz cinco anos que a prefeitura de Salvador - leia-se ACM Neto (o herdeiro do avô-bandido maior do Nordeste), não paga direitos autorais. Cada compositor de cada música que você ouviu e ouve em shows em Salvador - seja de Nando Reis ou do Psirico - não ganha direito autoral porque Neto - o aliado de Temer (aquele que diminuiu seu salário), não paga os autores. Neto, o amigão de Aécio, no alto de sua vigarice e prepotência, acha que autores não valem nada”.

A época das primeiras denúncias, Manno só contou com o apoio de outro compositor, Jorge Papapá, um dos mais respeitados da Bahia (autor das músicas “deixo e “Ilumina” gravadas por Ivete Sangalo). Eles inclusive protagonizaram um debate nas redes sociais que virou notícia. Músicos baianos eram “um bando de lambe c*”. “Calma aí, primo! Atinja o bandido, mas não mate o artista!”, pediu Papapá. Os dois concordaram que o alvo deveria ser ACM Neto que se nega a pagar os direitos autorais.


Agora com a visibilidade nacional que a campanha iniciada por Manno Góes conseguiu, espera-se que o prefeito de Salvador pague os direitos de execução a que o município está sujeito.

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