18.4.14

Polícia, greve e eleições - ligações perigosas.

A Bahia viveu nos últimos três dias momentos de medo e apreensão. Uma paralisação dos serviços de segurança provocou a perda de vidas, de patrimônio e trouxe um prejuízo à imagem do nosso estado às vésperas da Copa do Mundo. Um movimento planejado e organizado com o indisfarçável interesse político-eleitoral. Devido à alta reprovação da sociedade à greve e também da disposição de diálogo e de negociação do governo, a situação voltou à normalidade. Um alívio para todos nós!

Ontem, aqui neste espaço, o deputado federal Antonio Imbassahy, líder do PSDB na Câmara Federal, como profeta do caos, deitou acusações contra membros do governo, imputando-lhes de forma unilateral a responsabilidade pela greve. Esqueceu-se de apontar o dedo pra dentro da sua casa, seu partido, que tem nos seus quadros o vereador de Salvador Marco Prisco, que liderou todo esse transtorno causado à população.

Não tenho certeza se foi o deputado, quando era presidente do PSDB da Bahia, quem assinou a ficha de filiação de Prisco ao seu partido. Agora, certamente, nunca levantou a sua voz, nem escreveu uma linha sequer para questionar a conduta do seu nobre filiado, quando este, em 2012, literalmente, “tocou o terror” na sociedade baiana.

Quem não se lembra, sem perder a indignação, do diálogo do grevista do PSDB sobre a queima de carretas e fechamento de rodovias? Das mortes, dos saques e do pavor de todos diante daqueles fatos, que, infelizmente, se repetiram este ano? O deputado Imbassahy premiou Prisco, lhe concedendo a legenda para eleger-se vereador na capital e iniciar uma carreira parlamentar.
Certamente aqui, na carreira parlamentar, residiu a razão mais forte para a deflagração dessa greve. Não havia motivos objetivos para paralisação. A negociação estava em andamento. As portas do diálogo, abertas. A pauta tinha sido atendida pelo governo. Mesmo assim, o vereador do PSDB, uma hora depois de assinar um acordo com o comandante-geral, Alfredo Castro, e com o secretário da Segurança, Mauricio Barbosa, foi aos microfones, numa assembleia de policiais, anunciar o início do movimento. A fórmula, da ascensão política via greve, de 2012, buscou repetição para o ano eleitoral de 2014.

O deputado federal Imbassahy sabe que o texto legal não permite greve na polícia militar. Esses trabalhadores em segurança têm os seus direitos, que devem ser respeitados, e suas reivindicações devem ser colocadas no saudável jogo das pressões sociais de uma democracia. Já a interrupção dos serviços de segurança é uma ameaça ao estado de direito democrático, aos direitos humanos e às garantias individuais. Porque, então, não se posicionou em favor do povo e contra seu correligionário?

Diante dessa flagrante ilegalidade, reconhecida pela Justiça baiana e brasileira, o líder da oposição não defendeu a nossa Constituição, que um dia jurou cumprir. Preferiu o jogo rasteiro da politicagem, sem assumir sua parcela de responsabilidade nesse triste episódio. Uma guerra sem vencedores, onde todos perderam, principalmente o povo baiano que viveu um triste capítulo de intolerância e intransigência.

Com a implantação das propostas, asseguradas antes mesmo da greve, de modernização administrativa da Polícia Militar da Bahia, como o plano de carreira dos soldados, promoções para oficiais e praças, aposentadoria aos 25 anos para as policiais femininas, autonomia administrativa do corpo de bombeiros e aumento salarial, a sociedade espera como retorno uma melhor prestação dos serviços de segurança. 

A defesa da vida deve estar sempre acima dos interesses políticos eleitorais.

Artigo publicado hoje no Correio
* Robinson Almeida é ex-secretário de comunicação social do governo da Bahia

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