A “Vaza Jato” foi uma série de vazamentos que abalou o
cenário político e judicial brasileiro em 2019. As conversas vazadas envolviam
figuras proeminentes da Operação Lava Jato, incluindo o então juiz Sergio Moro
e o promotor Deltan Dallagnol.
O Hacker por Trás dos Vazamentos
Delgatti Neto começou sua invasão pelo repositório do CNJ no GitHub, uma plataforma que hospeda trechos de código de computação para viabilizar o desenvolvimento coletivo de software. Nessa plataforma, ele encontrou arquivos nomeados como “secrets”, que continham chaves e tokens de acesso aos sistemas do CNJ.
Além do GitHub, o CNJ hospeda seus códigos no GitLab, uma
plataforma concorrente, para atender sua política de transparência. Delgatti
Neto buscou um meio de acesso ao repositório de projetos do CNJ no GitLab, que
requer usuário e senha. Foi lá que ele conseguiu acesso ao robô editor de
códigos de programação.
As Conversas Vazadas
As transcrições indicaram que Moro cedeu informação privilegiada à acusação, auxiliando o Ministério Público Federal (MPF) a construir casos, além de orientar a promotoria, sugerindo modificação nas fases da operação Lava Jato. Também mostraram cobrança de agilidade em novas operações, conselhos estratégicos, fornecimento de pistas informais e sugestões de recursos ao MPF.
As transcrições demonstraram ainda que a promotoria tinha
receio da fragilidade das acusações feitas contra o ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e que buscou combinar previamente elementos do caso. Segundo
juristas, tal prática viola o Código de Ética da Magistratura e a Constituição
brasileira, por desrespeitar os princípios da imparcialidade, independência e
equidistância entre defesa e acusação.
Conclusão
A saga da Vaza Jato trouxe à tona questões importantes sobre
a conduta judicial e a segurança cibernética. Enquanto as implicações legais e
políticas continuam a ser debatidas, o caso serve como um lembrete do poder da
informação e da necessidade de transparência e ética no sistema judicial.
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