23.4.20

Tá na internet: O bolsonarismo chegou ao seu auge

Ele surgiu do ódio ao PT. Foi "evoluindo" (necessariamente com aspas) nos últimos anos. E foi se apartando de quaisquer outros pensamentos ideológicos ou políticos pela sua matéria prima. O ódio.

De lá pra cá bolsonaristas foram ampliando o espectro do seu ódio, passaram a odiar quase todos os partidos e políticos do país, o Supremo, a Globo, a Folha. O ódio ao Estadão, à IstoÉ e à Veja já foi mais recente. Mas hoje odeiam a todos. Odeiam cantores, cantoras, compositores, produtores de cinema, documentaristas, diretores, artistas, professores, intelectuais, jornalistas, antigos aliados, humoristas, atores, atrizes, universidades, ONGs, ambientalistas, ecologistas... o Papa!... não há limites... passaram a odiar todos do partido que, há pouquíssimo tempo atrás, era o partido do presidente, cheio de aliados. Odeiam ministros do próprio governo.


E agora chega ao seu auge, pois abandonou a terceirização do ódio. Antes, defendiam alguém que defendia tortura. Defendiam alguém que defendia homofobia, misoginia, preconceitos, autoritarismo. Mas alegavam que eles, pessoalmente, não apoiavam essas coisas horrorosas.

Mas a pandemia trouxe uma nova situação. O Brasil foi o único país que politizou a tragédia. E dividiu o entendimento da situação em que o mundo vive. Entre os que defendem a salvação de vidas e os que não defendem. O bolsonarismo rompeu as poucas finas cordas que ainda seguravam sua sanha. Hoje, defendem abertamente o extermínio de dezenas de milhares de pessoas, pois seu mito, a quem devem devoção cega e fanática, está mais preocupado com a preparação de futuros culpados pelo fiasco que todo seu mandato certamente se tornará na análise final, após os quatro anos.

O bolsonarista, a cada post ou mensagem com "carta aberta de cientistas renomados", com vídeo do "médico que diz tudo o que a Globo não mostra", a cada comparação esdrúxula com dengue, H1N1, câncer, a cada ataque a governadores que exigem os isolamentos (vivi pra defender João Doria???), cada vez que elege um novo "comunista" a ser combatido, está defendendo a morte. Não adianta mais passar pano, relevar, acreditar que são pobres ignorantes, inconscientes, não adianta mais! Eles defendem a morte. E ponto. Hoje defender Jair Bolsonaro é defender a morte. Não há mais maquiagem possível. Acabou o meio-termo. 

E agora eles vão às ruas, em plena pandemia, em manifestações bizarras e estúpidas, externar isso. Explicitamente.

O bolsonarismo chegou ao seu auge. Porque não há nada que supere isso. Depois de defender um governante que ordena aumentarmos o número de mortos de uma pandemia mundial, não há mais como descer, não há algo mais asqueroso, mais hediondo, mais escroto que essa pessoa possa fazer. 

Esse é o lado bom. Sabe aqueles amigos que ficam todo dia postando seu apoio a Jair, exaltando seu ódio a Lula (10 anos depois que o cara já saiu da presidência), mostrando seu "estudo" em torno de "zapzap" e vídeos mentirosos e ridículos e atacando a China e o "Plano Comunista"? Depois de defender a morte de dezenas de milhares de brasileiros, não tem mais como essas pessoas piorarem. Não há como descer. A paixão política inexplicável e o ódio realimentado diariamente os levou até o final do caminho.

Tudo vai passar. A epidemia vai passar. Jair vai passar, em breve. A polarização burra vai passar. O ódio, como coluna vertebral do entendimento social e político do país vai passar.

Tá na internet.

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