Dimas Roque: O povo quer Lula de volta!

20.9.19

O povo quer Lula de volta!


O PT nasceu da necessidade histórica de contemplar os sonhos e realizações da imensa maioria da população brasileira. Foi e sempre será necessário termos legítimos representantes nos mais variados extratos sociais da classe trabalhadora e dos oprimidos.

Nesta caminhada, o Partido dos Trabalhadores conseguiu formar um forte alicerce junto aos movimentos sociais, igreja, sindicatos, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, intelectuais, estudantes e simpatizantes. A ousadia deste projeto vital foi combatida pelas elites desde o parto.
Dito isso, em quatro décadas de existência, tivemos muitos acertos, atingimos o apogeu, mudamos o país como nenhum outro partido conseguiu. Mas como não poderia ser diferente, também erramos. Errar é algo intrínseco à natureza humana, aos grupos sociais.

Assim como não existe vitória definitiva, os erros e derrotas devem servir de aprendizado e apontarem saídas que nos reconectem com a nossa essência vitoriosa. Veio de um homem negro, “descendente de escravo”, periférico e filho de mãe solteira, a fala que traduz os sentimentos de milhões de brasileiros.

Na reta final da campanha Haddad x Bozo, Mano Brown fez um discurso emblemático: “Se não tá conseguindo falar a língua do povo, vai perder mesmo, tio. Falar bem do PT para a torcida do PT é fácil. Tem uma multidão que não está aqui que precisa ser conquistada. Ou a gente vai cair no precipício?” No meio do seu discurso, o poeta do povo profetizou: “Não vim aqui para ganhar voto, porque acho que tá decidido. Se falhou, vai ter que pagar”.   

É preciso ter coragem para dizer aquilo que se pensa, quando você sabe que vai ferir quem ama.  O seu discurso prosseguiu assertivo como as suas rimas, que não escolhem dia nem lugar para nascer. “Deixou de entender o povão, já era. Se nós somos o Partido dos Trabalhadores, o partido do povo, tem que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta pra base e vai procurar saber.”

A força deste discurso do companheiro Mano Brown deve ser ouvida desde a militância aguerrida até a direção do partido. Até quando parte da sociedade e lideranças nacionais se somarão aos nossos projetos pela destrutiva bipolaridade PT X barbárie? Estes atores fundamentais deveriam estar ao nosso lado na luta diária.  

Talvez a entrevista do companheiro Rui Costa tenha sido alvo de críticas exacerbadas pelo fato da sua fala carregar o sentimento do povo. Em algum momento, o PT nacional perdeu este diálogo com as massas. Já o governo Rui tem 80,2% de aprovação na Bahia.

O mérito do governador foi construído com uma gestão pautada nos anseios populares. Rui Costa fez mais de 600 visitas em todo interior do Estado. A Bahia tem quase o mesmo tamanho da França. E não é apenas visita protocolar para inaugurar as tantas obras que o governo executa. Rui ouve a voz do povo, as lideranças locais, trabalha 18 horas por dia para atender o sonho dessa gente.  

Trago a seguinte reflexão: na última eleição, nos três maiores colégios eleitorais o povo escolheu o fascista Witzel (Rio), o lobista Dória (São Paulo) e Zema, do Partido Novo, em Minas Gerais, que já nasceu mais velho dos que as oligarquias café com leite. Os eleitores seguiram raciocínios semelhantes no pleito presidencial. 

Será que os nossos problemas dignos de nota oficial estão em alguns trechos das páginas amarelas da Veja?

Jamais vamos esquecer, em qualquer circunstância, a criminalização sofrida pelo partido e o quanto isto nos prejudicou perante a sociedade brasileira. Por isso, toda fala deve guardar esta ponderação. No entanto, cabe autocrítica, sim. A sociedade é quem diz. 

Em relação às polêmicas geradas em torno de LulaLivre, o presidente é um patrimônio humano do Brasil e mundial. Nunca estaremos em lados opostos, fazemos parte da mesma luta. Nas eleições do PED Bahia, a maioria das legendas teve como um dos lemas #LulaLivre. 

O fato é que necessitamos, urgentemente, retomar o protagonismo político do nosso tempo. Estarmos em sintonia com os desafios atuais para reconquistarmos a população. Defendermos os Brasil dos entreguistas. 

O fascismo, quando se apodera do Estado, mantém um amplo controle das massas. São tempos sombrios e exigem ação redobrada.

Precisamos reverter o antipetismo.  Um mal sistematicamente criado e difundido de maneira tão orquestrada que somente o próprio partido, junto à sociedade, pode contrapor.

Se aprofundarmos o olhar para os exemplos da Bahia e do Nordeste, ampliarmos o debate e criamos estratégias em âmbito nacional, temos a convicção que a maioria da sociedade brasileira saberá reconhecer os avanços que o PT se empenhou em construir. 

O PT forte vem dos camponeses, movimentos sociais, igrejas, lideranças, sindicatos, estudantes, artistas, intelectuais e dos trabalhadores da cidade que enfrentam significativas mudanças na sua rotina de trabalho, organização coletiva e maneira de se perceber enquanto classe. 

O Brasil e o povo querem este PT de volta.

Neste momento decisivo para o partido e a nação, fica a sabedoria de Drummond: “O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.”.

Por: Josias Gomes - Deputado Federal (licenciado) do PT/Bahia e atualmente titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

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