5.1.12

PAULO AFONSO DE PORTAS ABERTAS!

Estive lendo algumas matérias nos sites de notícias de Paulo Afonso, além de ouvir alguns comentaristas de rádio local, e não me contive em prestar minha contribuição à informação.

Nasci em Paulo Afonso há 40 anos, e meus pais são naturais de Glória, ou seja, uma mesma raiz. Da família dos meus pais tem parte de portugueses, de negros e caboclos. Ou seja, sou brasileiro e tenho muito orgulho disso, porque ser brasileiro é ser misturado, mesmo. E nós nordestinos é que somos misturados: de índios, portugueses, holandeses, franceses, espanhóis e africanos, pois as invasões estrangeiras iniciais foram por aqui, três séculos antes das imigrações italianas e alemãs que deram um rumo diferente ao sul do país, pois não eram invasores e sim trabalhadores. Ou seja, os interesses eram outros. Os primeiros queriam saquear as terras e, os últimos viver aqui e produzir riquezas para si e o seu novo país. E muitos brasileiros saíram de suas terras de nascimento e, também, fizeram história por onde passaram.

A nossa cidade, Paulo Afonso, é um pouco desse “Brasilzão de meu Deus”, que teve o orgulho de ser construída por mãos fortes e trabalhadoras de: alagoanos, pernambucanos, paraibanos, cearenses, potiguares, sergipanos, piauienses, maranhenses, e principalmente, baianos de todas as estirpes. Mas ainda tivemos mineiros, paulistas, cariocas, gaúchos, capixabas, goianenses, manauras, paraenses, além de europeus e americanos que ajudaram na montagem das usinas. Todos eles deram a Paulo Afonso uma contribuição incomensurável. Deram as feições de cada belo rosto, do estilo de moradia, na forma amigável de conversar e receber pessoas, de festejar e de brincar que só se ver em Paulo Afonso.

Paulo Afonso, ainda, pode-se dizer, abriu portas para empreendedores, homens e mulheres de coragem e determinados, que como dizem: “chegou puxando a cachorrinha por aqui”, e hoje, são prósperos comerciantes que com muito trabalho e essa bela recepção pauloafonsina venceram, e aqui estão com seus familiares, gerando empregos, ajudando a promover o desenvolvimento local, com mercadorias, serviços de saúde e tantos outros.

Por tudo que nossa cidade foi e é não consigo conceber como pessoas, que se colocam na condição de formadores de opinião, utilizam-se da mídia para promover o “xenofobismo” (discriminação de pessoas que migram para sua cidade), além de se mostrar com total desconhecimento de como se fomenta o desenvolvimento, comete crime de discriminação previsto pela Lei nº 7.716/1989 (art. 1º e 3º). Tem que se ter cuidado, pois esse discurso fez surgir o nazi-facismo da II Guerra. Digo isso, porque ouvi e li aberrações contra os aprovados do concurso público da prefeitura (que virou “via crucis” para os mesmos, e que até hoje nada provaram de irregularidades no certame), simplesmente porque boa parte destes é natural de outros municípios, como se isso fosse algum dano a sociedade. E olhe que o prefeito é alagoano, o ex-prefeito do sudoeste da Bahia, e o antecessor de Sergipe; Zé Ivaldo pernambucano; o mais perto de ser “nato” foi Adauto Pereira, que nasceu em Glória, de qual fazíamos partes até a emancipação de 1958. E o que dizer do secretariado e da Câmara atual? A maioria de migrantes (ou filhos de) que elegeu Paulo Afonso como “sua Terra”. E os nossos irmãos “trecheiros” em Rondônia, Pará, Maranhão, Ceará, Recife, São Paulo, Minas, Paraná, R.G. Sul, Mato Grosso, e tantas partes deste país contribuindo com o desenvolvimento de lá. E os que estão em outros países como Angola, Moçambique, Haiti, Iraque, África do Sul, Venezuela e Bolívia, reconstruindo e levando tecnologia para estas nações amigas, não poderão ser aceitos pelos habitantes destes lugares?

Ao contrário, sejam todos bem vindos a Paulo Afonso. A vinda de vocês a nossa amada cidade representará mais empregos no comércio, nas escolas, no setor imobiliário, no lazer, etc., e muita alegria. E imagine na saúde com cerca de 40 novos médicos (aprovados de outras regiões) residindo em nosso município, que avanço terá o setor! Quanto aos que infelizmente terão que ser, mais cedo ou mais tarde, demitidos da prefeitura por serem contratados, poderão se preparar melhor e buscar espaço em outras áreas ou em concursos públicos. Afinal, todos estes sabiam desde o início que o contrato é “temporário” (como bem especificado está na listagem de servidores do TCM), e tiveram esta oportunidade de aprender e conquistar títulos, e desde já meus votos de agradecimentos a todos àqueles (as) que deixaram marcas positivas no serviço prestado. Mas, está chegando à vez daqueles que por direito conquistaram estas vagas, com esforço e dedicação aos estudos, amparados pela Constituição e reiteradas decisões judiciais favoráveis.

Aos que se desmediram nas palavras, ainda dá tempo de rever seus conceitos e se desculpar publicamente, afinal vocês também, são fruto de família de migrantes que contribuíram para o nascimento e desenvolvimento desta cidade. Ao gestor municipal sugiro bom senso e reconhecimento dos direitos destas pessoas, não protelando mais, mas oportunamente ver neles um serviço público mais eficiente, de qualidade e com garantia de continuidade. Feliz 2012 a todos e a todas!

Lúcio Flávio Teixeira.

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