Dois exemplos recentes ilustram bem esse mecanismo.
Primeiro, a falsa informação de que urnas eletrônicas teriam sido “invadidas”
por hackers estrangeiros, desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral e por
especialistas em segurança digital. Ainda assim, a versão continua sendo
repetida em correntes de WhatsApp como se fosse verdade absoluta. Outro caso
foi a invenção de que o governo federal teria distribuído “kit gay” em escolas,
uma mentira desmontada há anos, mas que segue viva no imaginário de apoiadores,
usada para inflamar discursos contra políticas educacionais.
O mais grave é que, mesmo após a checagem e a exposição das
falsidades, a engrenagem não para. As chamadas “Tias do WhatsApp” seguem
compartilhando conteúdos fabricados, reforçando a bolha de desinformação que
sustenta o bolsonarismo. A mentira, nesse ambiente, não precisa ser convincente
para todos; basta ser repetida até se tornar combustível para a militância. O
resultado é um país em que a verdade disputa espaço com ficções políticas, e
onde a manipulação se disfarça de opinião.
Essa prática corrosiva mina o debate público e enfraquece a
democracia. Quando a mentira se torna rotina, a confiança nas instituições se
dissolve e o cidadão comum passa a viver em permanente estado de dúvida. O
bolsonarismo aposta nesse caos informativo para manter sua força, transformando
fake news em munição diária. O desafio, agora, é enfrentar essa metralhadora de
falsidades com informação, crítica e coragem, antes que a política brasileira
se torne refém definitiva da mentira organizada.

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