Políticos baianos na mira de fraude bilionária

A Polícia Federal intensificou a investigação sobre um esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e intimou 31 pessoas para depor, entre elas nomes ligados à política baiana. O inquérito ganhou força após a delação premiada do empresário Maurício Camisotti, que detalhou como funcionava a rede de desvios em aposentadorias e pensões. A delação foi encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável por analisar a homologação do acordo.

Entre os investigados está Romeu Carvalho Antunes, filho de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais articuladores do esquema. O apelido, já famoso nos bastidores, volta ao noticiário como símbolo de um sistema que operava com pagamentos indevidos e manipulação de benefícios. A PF também intimou a empresária Roberta Luchsinger, ligada a contratos suspeitos e apontada como intermediária em repasses milionários.

As investigações revelam que políticos baianos teriam se beneficiado de repasses e intermediações feitas por lobistas. O esquema envolvia pagamentos que chegavam a R$ 1,5 milhão, segundo documentos analisados pela PF. A suspeita é de que parte desses recursos tenha sido usada para financiar campanhas e fortalecer grupos políticos locais, ampliando o alcance da fraude para além do setor previdenciário.

O caso expõe uma ferida aberta na política baiana e nacional. A presença de figuras conhecidas nos depoimentos mostra que o esquema não se limitava a empresários e lobistas, mas alcançava diretamente o campo político. Para a população, o escândalo reforça a percepção de que a corrupção continua sendo um obstáculo ao desenvolvimento do país. A PF promete aprofundar as investigações e já sinaliza que novas fases da operação podem trazer mais nomes à tona, aumentando a pressão sobre os envolvidos e sobre o sistema político da Bahia.

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