Paulo Afonso mais triste nesta quinta-feira com a morte de Fernando Montalvão

Enquanto as chuvas causam estragos em diversas cidades do norte da Bahia, como Cícero Dantas, Cipó e Santa Brígida, em Paulo Afonso o céu permanece encoberto, criando um clima em que muitos preferem permanecer em casa. Foi justamente em casa, logo pela manhã, que recebi a dolorosa notícia de que o amigo Fernando Montalvão faleceu na noite de ontem (25). Uma notícia que trouxe ainda mais silêncio às ruas já vazias e um profundo sentimento de perda.

Com mais de 50 anos dedicados à advocacia, exerceu sua profissão com ética, competência e serenidade, atuando não apenas em Paulo Afonso, mas também em Jeremoabo e outras cidades baianas. Sua trajetória foi reconhecida pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Bahia (OAB-BA), que lhe concedeu a Comenda Barachísio Lisboa, uma das mais altas honrarias da instituição, em reconhecimento à sua contribuição para a justiça e para a advocacia baiana.

Montalvão foi, sem dúvida, um dos maiores advogados que a cidade conheceu. Agora, com sua partida, que Deus o acolha com carinho. Caberá aos filhos dar continuidade ao trabalho que ele construiu com tanta dedicação.

Recordo-me do ano de 1986, quando, assim como eu, ele fez parte do Governo que transformou Paulo Afonso. Montalvão esteve à frente da Procuradoria do Município quando Zé Ivaldo foi eleito prefeito em 1985. Participou ativamente da campanha e contribuiu de forma decisiva na condução dos trabalhos. Até os dias atuais, permanecia um amigo querido, nossas conversas, sempre que nos encontrávamos, giravam em torno da política, tanto a atual quanto as histórias que já tínhamos vivido.

Foram inúmeras as vezes em que, junto a outros companheiros de luta, nos reunimos em seus escritórios para discutir a situação de Paulo Afonso, da Bahia e do Brasil. Mas havia algo que Montalvão apreciava especialmente, era contar histórias da advocacia. Era visível o quanto amava sua profissão, sobretudo quando relatava processos em que atuou, descrevendo como conseguia convencer jurados e juízes com sua inteligência e astúcia.

Durante um período, Montalvão foi colunista do Blog Dimas Roque. Lembro-me de uma ocasião em que, após eu publicar uma matéria sobre crime, ele me ligou e disse, “esse assunto não é para o Blog, seu público não quer ler sobre isso.” E, ao perceber que estava certo, prontamente o atendi.

Montalvão deixa um legado na advocacia baiana, mas, acima de tudo, deixa um vazio imenso entre familiares e amigos. Que Deus o receba com muito carinho.

Montalvão, Presente!


Foto da posse em 1985


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