A disputa não é apenas de narrativas, mas de sobrevivência
política. Michelle, à frente do PL Mulher, ignora sistematicamente a
candidatura de Flávio nas redes sociais, deixando claro que não pretende se
engajar no projeto do filho mais velho de Jair Bolsonaro. Essa postura
fragiliza a articulação do partido e expõe o quanto a família depende
exclusivamente da política para se manter relevante, sem qualquer experiência
fora dos gabinetes e cargos públicos.
Eduardo, que tenta preservar o espólio político herdado do
pai, vê sua influência corroída pela falta de unidade. O deputado, que não pode
concorrer neste pleito, aposta em ataques públicos para manter viva sua
relevância, mas acaba reforçando a percepção de que o clã Bolsonaro é incapaz
de se organizar sem Jair no comando. O resultado é um espetáculo de desunião
que enfraquece a direita e abre espaço para adversários explorarem o desgaste.
No fundo, o racha revela a essência de uma família que nunca
trabalhou fora da política e que depende do dinheiro público para sustentar sua
vida de privilégios. Sem projetos consistentes, o clã se perde em disputas
internas e expõe ao país que sua unidade era apenas fachada. O eleitor, que já
começa a perceber a fragilidade dessa dinastia, assiste a um reality show de
vaidades que ameaça implodir a própria base bolsonarista.

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