1.4.21

Sempre a mesma fórmula? (Por Josias Gomes)


Nunca esqueceremos! A memória é a principal arma de quem luta. Em plena democracia com as instituições funcionando, a elite armou o bote do golpe contra Dilma, um escândalo recorrente no Brasil das ditaduras. Só que dessa vez com viés jurídico/parlamentar. A mídia latiu o mesmo coro entreguista de sempre. Este mesmo golpe  já havia sido testado com sucesso em alguns países das Américas. Começou em Honduras e atingiu outros países da América do Sul como a Venezuela. E no pós-Dilma, recentemente na Bolívia.  

Recomendo que assistam ao documentário sobre a tentativa de golpe contra Hugo Chaves, organizado pela direita venezuelana e disponível no YouTube, o nome é: "A Revolução Não Será Televisionada", vocês terão a exata dimensão de como agem a direita neste continente. A história também não nos deixa esquecer dos golpes no Cone Sul a partir dos anos 60, que torturou, matou e lesou o povo latino-americano. Saudamos o nosso PRESENTE aos que defenderam com a vida a democracia. 

Uma coisa que chama a atenção é que a grande maioria da burguesia brasileira sempre desprezou os princípios democráticos e esteve presente em todos os golpes civis-militares que existiram no Brasil. Mas ao que se constata nesta tentativa Tabajara de Bolsonaro e, a menos que tiremos por menos, a possibilidade de prosperar um golpe sob o comando do Capetão parece está descartado. O cabra é pior do que buchada azeda, houve quem acreditasse nele, hoje nem o Véio da Havan fez qualquer menção de apoio.

Bolsonaro desmoraliza, ou melhor, avacalha também o golpe. Mesmo sendo um fato gravíssimo que indica até onde pretende seguir com suas loucuras, tentar dar um golpe através de lei a ser “aprovada” no congresso que o outorga plenos poderes em período onde ele está em baixa completa, parece coisa de menino amarelo. 

Bolsonaro desta vez fez piada pronta porque o Golpe não é só vontade própria, tem de contar com apoios da mídia, maioria do Congresso, das Forças Armadas, da burguesia, e de preferência, ter a capacidade de cooptação de arrebanhar uma parte considerável da classe trabalhadora. Da maneira que o filhote de Ditador age, nos lembra Luís XIV quando afirmava: “Je suis la Loi, Je suis l'Etat; l'Etat c'est moi" (Eu sou a Lei, eu sou o Estado; o Estado sou eu!). Trazendo para os dias atuais, Bozo berra: “EU SOU O GOLPE”! Mas Bolsonaro não tem uma fração de poder do Rei Sol. Além do mais, nós sabemos como acabou esta dinastia francesa. 

Bolsonaro entrou em completa paranoia depois que Lula recuperou os direitos políticos. Paranoia agravada pela cobrança pública da elite. O miliciano também nutre a certeza dos loucos que os lockdowns realizados pelos governadores pra salvar vidas, trata-se de manobra política com objetivo de sangrar a economia e minar o seu desgoverno já combalido. Não enxerga que o desastre econômico é realizado por Paulo Guedes e as mortíferas medidas neoliberais que tem multiplicado a miséria mais veloz do que o covid-19. Atolado numa crise econômica sem precedente, pesa ainda na sua caneta enxarcada de sangue a autoria de pelo menos 75% das mortes, das mais de 315 mil vidas ceifadas no Brasil.

O projeto do Ditador miliciano em última instância sempre foi ressuscitar a vil Ditadura da qual ele é o remanescente mais abjeto. Esta é a oportunidade das instituições e sociedade brasileira aprisionar Bolsonaro no passado que ele tanta venera e fortalecer a democracia e o Estado de Direito. Bolsonaro precisa ser afastado e condenado! Estamos numa guerra pandêmica e não há espaço pra lutar com outro inimigo tão letal a nação que não seja o coronavírus. #ForaBolsonaro Ditadura nunca mais! 

Por: Josias Gomes – Deputado Federal do PT/Bahia licenciado e atualmente titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

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