22.10.17

O QUE QUER QUE OS BRASILEIROS FAÇAM COM TEMER, SEJA EM QUE CIRCUNSTÂNCIA FOR, SERÁ EM ATO DE LEGÍTIMA DEFESA.


Perdoem-me os companheiros, por eu interromper a série de artigos sobre a Venezuela (continuarei amanhã), mas apareceu assunto mais imperativo, a lista de cortes nas dotações orçamentárias do norte-americano governo Temer.

Reclamamos da violência no Brasil, dos grupos de extermínios, falanges, comandos, milícias... Dos índices de mortos nas miseráveis periferias urbanas, dos roubos de cargas e explosões de caixas eletrônicos, do roubo generalizado e cotidiano, desde celulares, botijas de gás e bicicletas até milhões de dólares, entre os poderosos, com absolvições em série ainda que com provas materiais dos delitos. 

A frase que mais se ouve no país é “a situação está insuportável”, mas Temer encontrou a solução: um corte de 55% nos gastos e investimentos na Segurança Pública.

Isto mesmo que você entendeu: no ano que vem a Segurança Pública receberá menos da metade do dinheiro que recebeu este ano, e que já foi bem menos que no ano passado.

Vamos juntar as peças: Temer entregou a Base de Alcântara aos americanos, acabando com o nosso programa de desenvolvimento de mísseis de médio e longo alcances; vendeu a segunda fábrica do mundo em produção de drones para fins militares; acabou com o projeto de desenvolvimento do nosso submarino atômico; deverá interromper o contrato para a produção de caças Grippen; está fazendo acordos para a instalação de bases militares norte americanas na Amazônia; acabou com o programa de vigilância nas fronteiras, e agora... Cortou 71% no orçamento da Defesa Nacional, tirando a operacionalidade das nossas tropas.

O que pretende Temer, que voltemos a ser tutelados pelas FFAA norte americanas ou nos anexar a aquele país?

Logo estaremos como no governo FHC, com os nossos soldados recebendo comida e fardamento por doação do governo norte americano.

Um dia desses estávamos no Brics, ajudando a compor a segunda força militar do planeta, daqui a um ou dois anos estaremos vulneráveis até à Bolívia e ao Paraguai, com o mundo todo pastando sobre as nossas riquezas minerais, fauna e flora, sem que tenhamos como nos defender.

Todo dia a notícia de que uma Universidade entrou em greve, por falta de pagamento de professores, falta de condições de trabalho dos profissionais da educação, com prédios ruindo, pesquisas interrompidas por falta de verba até para material básico, como reagentes e vidraria, com queda no úmero de defesa de teses nos cursos de mestrado e doutorado, abrindo-se uma lacuna no saber nacional, o que logo nos lançará à condição antiga de importadores de tudo, por falta de conhecimentos para produzir aqui, e no entanto... Temer vai reduzir em 32% o orçamento das universidades, rebaixando para 2/3 do que foi esse ano e quase quebrou a educação superior brasileira.

Temer prepara o terreno para acabar com o ensino superior gratuito no Brasil, privatizando as nossas Universidades.

Mas não fica só no ensino superior, Temer reduziu o orçamento da Educação Básica em 42%, elitizando a alfabetização.

Fim da educação básica gratuita mais regulamentação do trabalho escravo e eis o proletariado brasileiro de volta ao século XVIII.

Abismado com os números?

É consenso, em todas as doutrinas capitalistas e em todas as doutrinas socialistas, que as obras públicas aquecem toda a economia e derrubam os índices de desemprego, já que a maior parcela da mão de obra, por baixa escolaridade, está ligada à construção civil. 

Pois Temer vai reduzir o orçamento do PAC (obras públicas) em 95%, o que quer dizer que só haverá dinheiro para sustentar os cargos comissionados, aparelhadores do Estado. O PAC acabou.

Uma das iniciativas petistas que colaboraram – e muito, para nos tirar do mapa da fome, da ONU, foi a Agricultura Familiar, atuando nas duas pontas: dando uma atividade econômica ao pequeno produtor rural e aos assentados e arrendatários e, na outra ponta, dando qualidade protéica e calórica às crianças, através da merenda escolar. 

Pois Temer vai reduzir o orçamento destinado à manutenção da agricultura familiar em 98%. A agricultura familiar acabou, logo os pequenos proprietários rurais estarão vendendo as suas terras para os latifundiários as empaturrarem de bois ou soja e exportarem.

Para coroar de êxito o programa de governo de Temer, dois milhões de famílias perderão o direito ao Bolsa Família.

Por muito menos, muitíssimo menos, países fizeram uso de paredões, guilhotinas, forcas...
Ou talvez eles esperem, e trabalhem para isso, uma intervenção estrangeira num país de miseráveis, logo aí adiante.

Às ruas, brasileiros! Não é mais uma questão política, mas de legítima defesa.

Por Francisco Costa.

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