12.10.17

Em defesa da imprensa livre. (Por Roberto Amaral)


Democracia e monopólio ideológico são termos que não se conciliam, como igualmente incompatíveis são democracia e ditadura do pensamento único, que se expressa, entre nós, por intermédio do monopólio ideológico dos meios de comunicação de massa.

Um monopólio a serviço do atraso, do conservadorismo, do antinacional e do anti popular. A chamada mídia, que começa a controlar, inclusive, as redes sociais, é, no Brasil, o grande partido da direita e do golpismo, papel, aliás, que sempre exerceu em momentos de crise.

O outro lado, é o massacre imposto à imprensa popular, ou meramente não alinhada ao projeto de desconstrução nacional, cujos veículos são levados à inviabilidade financeira. O governo ilegítimo que se instalou com o golpe de 2016 empreende, com a inefável ajuda de setores majoritários do empresariado, uma política de cerco e aniquilamento cujo objetivo é destruir a imprensa progressista.
A revista Carta Capital é vítima dessa urdidura e sua sobrevivência está seriamente ameaçada, com as consequências óbvias para os interesses de nosso país e de nosso povo.

Precisamos resistir salvando a Carta Capital da debacle ameaçadora.

Para discutir as soluções possíveis ao impasse, um grupo de leitores e colaboradores da revista está convocando os que concordam com este enunciado para uma reunião no próximo dia 16 de outubro, às 18:30hs, no auditório (7º andar) da Associação Brasileira de Imprensa-ABI, aqui no Rio (Rua Araújo Porto Alegre, 71 – Centro, Metrô Cinelândia). Nesse encontro discutiremos um programa de trabalho que visa à defesa política e financeira da revista. Entre as ideias em pauta está a fundação de uma ‘Sociedade dos Amigos da revista Carta Capital’ (cuja proposta de Estatuto segue em anexo), mas, evidentemente, estamos abertos a toda e qualquer colaboração. Não há nada fechado ou pré-decidido.

O debate será aberto com uma intervenção do economista, professor e jornalista Luiz Gonzaga Belluzzo.

Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2017

Assinam esta Convocação:

Adilson Araújo, Ana de Holanda, Benedita da Silva, Bete Mendes, Carlos Lessa, Celso Amorim, Clóvis do Nascimento Filho, Darc Costa, Francisco Carlos Teixeira, Glauber Braga, Isabel Lustosa, Jandira Fegalli, Jesus Chediak, João Pedro Stédile, Jorge Folena, José Gomes Temporão, Leonardo Boff, Lincoln Penna, Lindeberg Farias, Luís Fernandes, Luís Fernando Taranto, Luiz Antonio Elias, Luiz Carlos Barreto, Marcelo Lavenere, Mário Novello, Nelson Rocha, Olimpio Alves dos Santos, Otávio Velho, Pedro Celestino, Roberto Amaral, Roberto Saturnino Braga, Samuel Pinheiro Guimarães, Sérgio Sérvulo da Cunha, Silvio Tendler, Tarso Genro, Theotônio dos Santos, Vivaldo Barbosa.


Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia.

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