ACM Neto e o silêncio dos culpados

O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, parece ter adotado o silêncio como estratégia política. Desde que aliados próximos foram citados em investigações ligadas ao Caso Master, o líder do União Brasil na Bahia não deu uma única declaração pública. O mutismo, que poderia ser interpretado como prudência, soa cada vez mais como cálculo frio. Em tempos de crise, o silêncio não é neutralidade, é posicionamento. E o de Neto, neste momento, grita mais alto do que qualquer discurso.

Nos bastidores, o desconforto é evidente. Deputados e correligionários esperavam uma reação firme, uma defesa pública ou ao menos um gesto de liderança. Em vez disso, o ex-prefeito se recolheu, deixando o campo aberto para especulações e ruídos. O silêncio de ACM Neto alimenta a percepção de que há algo a esconder, ou de que o desgaste político é tão grande que qualquer palavra seria um tiro no próprio pé. A Bahia, acostumada a ver o político em tom combativo, agora assiste a um personagem que parece acuado diante do próprio passado.

O problema é que, na política, o vazio de palavras costuma ser preenchido por suspeitas. O silêncio de Neto, em meio a um escândalo que mistura poder e dinheiro, reforça a imagem de uma elite que fala apenas quando convém. O ex-prefeito, que já foi símbolo de renovação, hoje se vê preso à velha lógica da omissão. E enquanto ele se cala, o barulho das ruas e das redes cresce, exigindo respostas que talvez nunca venham.

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