Esse modelo, apelidado de “parlamentarismo do dinheiro”,
cria uma distorção brutal. O governo eleito pelo voto popular perde a
capacidade de planejar políticas públicas de longo prazo, enquanto
parlamentares distribuem recursos como se fossem donos de um caixa particular.
O que deveria ser política de Estado vira moeda de troca, negociada em
corredores escuros e em reuniões que nunca chegam ao conhecimento da sociedade.
O orçamento, que deveria ser instrumento de desenvolvimento, virou balcão de
negócios.
A concentração de poder nas mãos de Hugo Motta e Rodrigo
Pacheco é escandalosa. Eles decidem quem recebe, quanto recebe e em que
momento. O Executivo, reduzido a mero espectador, é obrigado a engolir acordos
para não ver sua agenda paralisada. O país vive uma espécie de chantagem
institucional, sem a bênção dos presidentes das Casas, nada anda. É a
democracia sequestrada por quem controla o cofre.
As consequências são devastadoras. Projetos estruturantes
ficam sem verba, enquanto obras de impacto local, muitas vezes irrelevantes,
recebem milhões. A lógica é simples, garantir votos e perpetuar poder. O
cidadão comum, que deveria ser o beneficiário final, é apenas figurante em um
teatro onde os protagonistas são parlamentares ávidos por prestígio e
influência. O Brasil, nesse cenário, não avança; apenas gira em torno de
interesses paroquiais.
O escândalo das emendas parlamentares expõe uma verdade
incômoda, o Congresso não apenas legisla, mas governa sem ter sido eleito para
isso. O presidencialismo brasileiro foi mutilado, e o que resta é um sistema
híbrido, deformado, onde o dinheiro dita as regras. A democracia, já
fragilizada, sangra mais um golpe. O povo vota, mas quem manda é quem controla
o orçamento. E o Brasil, nesse jogo perverso, paga a conta.

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