A declaração foi recebida com indignação por organizações de
defesa dos direitos da infância, que lembraram que o Brasil ainda possui 1,65
milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. Para
especialistas, a fala de Zema ignora que o trabalho precoce compromete
escolarização, saúde e desenvolvimento. O político, no entanto, insistiu que a
proibição atual seria fruto de uma “visão da esquerda” e que pretende mudar a
lei caso seja eleito.
No dia seguinte, diante da repercussão negativa, Zema
publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que se referia a adolescentes, não
a crianças. Ainda assim, reforçou que deseja “ampliar oportunidades” para
jovens começarem cedo no mercado de trabalho, alegando que a falta de
perspectiva abre espaço para facções criminosas recrutarem menores. A
justificativa não reduziu a polêmica, já que a legislação brasileira já prevê a
figura do jovem aprendiz a partir dos 14 anos.
A fala de Zema, em pleno 1º de Maio, escancarou uma
estratégia de campanha que aposta em discursos provocativos para mobilizar
setores conservadores. Ao defender o trabalho infantil como alternativa ao
crime, o pré-candidato abriu uma frente de debate que promete marcar a corrida
presidencial. Mais do que uma proposta, a polêmica expõe a disputa narrativa
sobre direitos sociais e o futuro da juventude brasileira.

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