9.10.17

O BARRACO RUIU, MORO (II) (Por Francisco Costa)


(Surgiu o que Moro mais temia, alguém que abrisse o jogo, de fato, entregando o balcão de negócios que é a Lava Jato)

Apareceu uma pedrinha no sapato de Moro, ou colocaram areia na vaselina do moço, e essa pedrinha, ou areia, tem nome: Rodrigo Tecla Duran.

Duran, espanhol, é advogado e prestou serviços na Odebrecht, entre outras empreiteiras, através do seu escritório de advocacia e diversas empresas de sua propriedade, usadas para lavagem de dinheiro do carnaval na Petrobras.

Corta. A mulher de Moro, a advogada Rosângela Wolff Moro, segundo o próprio Moro, em declaração a um tempo atrás, é a dona de um escritório de advocacia, tendo na sua carteira de clientes alguns réus na Lava Jato.

A primeira coisa a estranhar é essa relação espúria, tão íntima que de cama, entre quem vai julgar e quem vai defender. Com que isenção eu julgaria um cliente de minha mulher?

Agora, em mais uma entre muitas contradições, Moro afirma que ela não é a dona, apenas funcionária, e o seu nome consta no contrato social como dona, junto com sócios, só para o pagamento dos honorários.

Quer dizer que para pagar os salários dos professores, na escola, eu tenho que fazê-los todos meus sócios, em cartório, doando uma parte da empresa? Moro mente para acobertar um crime dentro de sua própria casa, o que quer dizer com a sua cumplicidade.

Moro expediu duas ordens de prisão de Tecla Duran, certamente para mantê-lo isolado, falando sozinho, no cárcere, sem mais revelações.

Para isso haveria necessidade de extradição, negada duas vezes, pela justiça espanhola (Duran é colaborador das Justiças norte americana e espanhola, e é muito em cima das suas declarações o assombro e as críticas dos maiores juristas do mundo, escondidas pela nossa mídia fascista e cúmplice no carnaval na Petrobras).

Logo Tecla Duran anunciou que está terminando de escrever um livro, contando os bastidores da corrupção das empreiteiras, e duas das suas antecipações do que está no livro são de estarrecer: os valores apresentados até agora, pelos delatores, são quatro vezes menor que o efetivamente movimentado pelas empreiteiras, de maneira ilícita e... Isso acontece porque ao juiz só é dito o conveniente, mediante acordo prévio entre os advogados dos réus e a equipe de Moro, conhecida por Força Tarefa.

E Duran foi adiante: o advogado sócio de Rosângela Moro, Carlos Zucolloto procurou Duran, com uma proposta de pagamento de propina, alta, a ser paga por Duran, para que Moro trocasse a prisão em regime fechado para prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica.

A jornalista Mônica Bérgamo, do Jornal Folha de São Paulo, denunciou em artigo, apresentando provas factuais e ficou tudo por isso mesmo.

Para provar a lavagem de dinheiro e a evasão de divisas, feitas pelas empresas de Duran, a Receita Federal promoveu auditoria e perícia em toda a documentação contábil de Duran e das suas empresas, através dos auditores Rogério César Ferreira e Paulo Cesar Martinasso (dou os nomes que é para os coxinhas não dizerem que deliro, calunio ou trabalho sobre hipóteses), quando se descobriu que o escritório de Rosângela tinha mais um sócio, o advogado Leonardo Guilherme dos Santos Lima, estranhamente ou coincidentemente com o mesmo sobrenome do Carlos Fernando dos Santos Lima, Procurador da República.

Investigando a documentação do doleiro, os auditores encontraram uma transferência de vultosa soma, da conta de Tecla Duran para a conta da... 

Rosângela Moro, mulher do todo honesto justiceiro Sérgio Fernando Moro, o moralizador da República.

Moro justificou afirmando ter sido referente a despesas de cópias xerográficas de um processo, o que considero uma agressão a qualquer ser pensante do planeta, ainda que seja um Tiririca ou Ratinho.

Primeiro: foram as cópias mais caras na história da evolução da humanidade.

Segundo: há que se louvar o empenho da senhora Moro, em tirar as cópias pessoalmente, ao invés de mandar um Office Boy, ou ir a qualquer lojinha de esquina, a um cartório ou requisitar o processo, o que é permitido e previsto em lei, e copiar no próprio escritório.

Terceiro: supondo-se que Moro não mentiu, o dinheiro foi referente às cópias do processo, gostaria que ele me justificasse duas coisas: primeira: não sendo dona do escritório, só empregada, porque Duran não depositou na conta do escritório ou do Zucolloto, patrão da Rosângela Moro, segundo o próprio Moro, para que este repassasse para a sua funcionária? 
Segunda: o processo estava com o réu?

É estranho que cópias de documentos, que podem ser feitas em qualquer impressora doméstica tenham gerado uma transferência internacional de dinheiro, da Espanha para o Brasil, e mais estranho que haja uma relação de proximidade entre a mulher de um juiz e um réu que será julgado por ele.

É como se encontrassem uma vultosa transferência da conta do Beira Mar pra minha e eu justificasse como pagamento por eu ter ido ao bar da esquina, para comprar cigarros pra ele.
Quando vi a condução dos processos de Eduardo Cunha e o desfecho, desconfiei, e muito, atribuindo as benesses concedidas pelo juiz como por afinidade ideológica: estar num retiro, ao invés de cadeia fechada, não ter tido a cabeça raspada, não usar uniforme de detento, sair da cadeia para dar entrevista à Globo, circular sem escolta policial visível, para evitar constrangimento... Culminando pela absolvição da mulher dele, sob a alegação de que o dinheiro nas contas suíças, em nome dela, não é dela. Três dias depois de promulgada a sentença, ela entrou com petição, pedindo o repatriamento do dinheiro.

Moro é tucano e não peemedebista, essas mordomias de Cunha têm preço.

Continuarei fuçando, sistematizando as informações e postando.

No próximo artigo falarei das falsificações de documentos, feitas pela equipe de Moro, e da proibição, por Moro, do acesso dos advogados de Lula aos originais da documentação, que agora sabemos adulteradas.

Estou tendo extremo cuidado: não estou ilustrando os meus poemas com fotos sensuais, nos comentários estou sendo cauteloso, para não proferir agressões ou ofensas, estou fugindo das discussões radicais... Para que a administração do Face não faça como das outras vezes: use argumentos pueris para me bloquear.

Qualquer punição a mim, como das vezes anteriores, com bloqueio temporário, será censura ideológica sim, nos mesmos moldes da ditadura militar ou de qualquer outra.

Por Francisco Costa.

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