20.10.17

ALESE debate prejuízos da privatização da CHESF durante seminário


Trabalhadores do setor elétrico, militantes sindicais e de movimentos sociais, vereadores e gestores sergipanos prestigiaram o Seminário "O Modelo de Reorganização do Setor Elétrico e a Defesa da CHESF como Entidade Pública”. Realizada na manhã desta sexta-feira, 20, no Plenário da ALESE, a audiência é uma parceria entre a Comissão de Agricultura e Meio Ambiente da ALESE, representada pela deputada estadual Ana Lúcia (PT) e a Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados, por meio deputado federal João Daniel (PT-SE).

Para deputada estadual Ana Lúcia, a privatização gera profundos prejuízos para o cidadão comum, pois para a iniciativa privada, o objetivo maior é o lucro, e não o bem estar da população. “Aquele trabalhador rural que mora distante, na zona rural, provavelmente não terá mais condições de ter eletricidade em sua casa. Para as empresas, em primeiro lugar vem o lucro, só depois as questões sociais”, exemplificou.

Ela também destacou a relação entre a privatização da energia elétrica e a entrega do setor hidráulico para a iniciativa privada. “Ao se privatizar o setor elétrico, que depende do setor hidráulico, o governo está privatizando também a nossa água, bem essencial à vida. Estes dois setores não podem ser dissociados e, portanto, precisamos despertar na população a necessidade de mostrarmos ao Governo Federal, aos deputados federais e aos senadores que o setor elétrico não pode ser privatizado”, alertou a parlamentar, que é coordenadora da Frente Parlamentar Mista de Meio Ambiente, Segurança Alimentar, Comunidades Tradicionaos e Povos de Terreiro.

Projeto neoliberal de Temer

João Paulo Aguiar, funcionário aposentado da CHESF e representante do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico, reafirmou que a luta não deve ser apenas para defender a CHESF ou o São Francisco. “Esta é uma luta mais ampla. É para defender o patrimônio do Brasil. Do jeito que a coisa está, eles vão vender tudo, e por um preço irrisório, passando para o grande capital, aqueles que costumo chamar de traficantes de energia”, avalia.

Ele criticou veementemente o modelo privatista do governo golpista Temer, que prejudicará profundamente a população em detrimento ao fortalecimento do capital estrangeiro. “Hoje o que o governo quer é vender a CHESF para fazer caixa a fim de pagar a dívida externa e sustentar as empresas internacionais. O ministro das Minas e Energia funciona como marionete do seu secretario geral, que representa um dos grandes grupos dos ‘traficantes de energia’”, denunciou.

“A política deste Governo é pior que aquela de Estado mínimo da década de 90; a política agora é de nenhum Estado. O pacote de privatizados, mais do que a venda de empresas, representa o fim da soberania nacional”, completou Fabíola Antezana, representante da Secretaria de Energia da Confederação Nacional dos Urbanitários. 
“Nosso grande desafio é mostrar para a sociedade a complexidade do setor elétrico e deixar claro que o responsável pelos investimentos no setor historicamente é o setor público, enquanto as empresas privadas perseguem apenas o lucro”, encerrou Fabíola, convidando todos a tomar parte na luta contra o processo de privatização. 

Referindo-se ao processo de privatização da Energipe, adquirida pelo grupo Cataguazes - Leopoldina, o presidente do Sindicato dos Eletricitários do Estado de Sergipe (Sinergia-SE), Sérgio Alves, esclareceu que “quando uma empresa é privatizada, aumentam as tarifas e perdem os trabalhadores, com a terceirização e a precarização”. Ele rememorou ainda o trágico acidente que ceifou a vida de quatro eletricitários durante a montagem de uma árvore de Natal gigante para uma ação de marketing. 

Presenças

Participaram da audiência o representante do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico (Ilumina) e funcionário aposentado da Chesf, João Paulo Aguiar; a representante da Secretaria de Energia da Confederação Nacional dos Urbanitários, Fabíola Antezana; o presidente do Sindicato dos Eletricitários do Estado de Sergipe (Sinergia-SE), Sérgio Alves; e o supervisor técnico do Escritório Regional/SE do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Luís Moura.

Estiveram presentes ainda Silvio Sá, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e Serviços de Esgotos do Estado de Sergipe (Sindisan); Fernando Neves, representante da Federação dos Urbanitários do Nordeste (PE); José Barbosa, representante do Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco;  Valda, Representando do MST, Dalva Angélica, militante do MOTU, representando a Frente Sergipana Brasil Popular; e Marcel Oliveira vice-presidente do Comitê da  Bacia do São Francisco. Presentes ainda representantes do Governo do Estado, de prefeituras, de Câmaras municipais e militantes de entidades ligadas ao tema.

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